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COMBATENTES: GUERRA COLONIAL - ANÁLISE DO TEN.COR. ÁLVARO HENRIQUES FERNANDES

Com a devida vénia, passamos a transcrever o seguinte artigo, surgido no site     www.25abril.org

GUERRA COLONIAL

Álvaro Henrique Fernandes 

Tenente-Coronel

Sobre o contexto em que a guerra colonial se desenrolou nas frentes africanas de Angola, Guiné e Moçambique, já muito se discutiu e escreveu, mas muito está por investigar e saber. Desde logo porque temos a tendência para afirmar que nós, os portugueses, sabemos muito da história de África. Ora, o que os portugueses sabem não é a história de África; é a história dos portugueses em África, quando sabem e, mesmo esta, por vezes muito mal contada ou deficientemente investigada.

 Como exemplo, repare-se que o exército português criou a “Comissão para o Estudo das Campanhas de África 1961/1974” (CECA) em 1980. Ora esta comissão oficial ainda continua em funções e é difícil prever quando terminará a investigação baseada em documentos oficiais portugueses, fundamentalmente as resenhas históricas elaboradas pelas unidades no final da respectiva comissão de dois anos, e as fichas dos mortos.

 Mas este trabalho, que já dura há vinte e dois anos, e é indubitavelmente importante no âmbito da “Direcção de Documentação e História Militar”, esgotará o tema? Atrevo-me a dizer que quanto muito será a visão que o exército português tem da sua participação nas guerras coloniais em Angola, na Guiné e em Moçambique. Quando estiver concluído fará história. Mas será a história? Será pelo menos a história portuguesa da guerra colonial? Volto a atrever-me a dizer que nem sequer isso, visto continuarem nos arquivos dos ministérios enormes fundos documentais por tratar, catalogar e investigar. Muitos deles trarão dados importantes à colação, iluminarão melhor os factos, desvendarão alguns mistérios e provocarão algumas surpresas. Mesmo assim, se e quando tudo isso for feito, poderemos dizer que está feita a história da guerra colonial? Teremos à disposição os documentos, as narrativas, as análises, no fundo a história do outro lado da barricada? Mais uma vez me atrevo a responder não. E a história de uma guerra, qualquer que ela seja, não está completa enquanto for baseada unicamente na visão de um dos contendores. Acresce que, neste caso, ao falarmos de guerra colonial, estamos a debruçar-nos sobre três guerras, travadas pelo menos entre seis contendores, a saber: de um lado as forças armadas portuguesas (com maior ou menor recurso a tropas irregulares, consoante a época e o teatro de operações) e a UPA (depois FNLA), o MPLA e a UNITA em Angola; o PAIGC na Guiné e a FRELIMO em Moçambique.         - ver o artigo completo

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