“Fui salvo por latas cheias de munições” (José Guedes Ribeiro, Angola 1967-1970)
A Minha Guerra: Sorte em Angola
“Fui salvo por latas cheias de munições”
Combates. Os confrontos eram frequentes. Num deles escapei a um tiro devido à mochila carregada. Mas também houve coisas boas.
Nós éramos ‘Os Cagões’, assim conhecidos pelo aprumo. Cortávamos a barba todos os dias, com excepção de quando andávamos no mato. Mas quando regressávamos ao aquartelamento o capitão mandava-nos logo ‘afeitar’. Chegámos a Angola no navio ‘Vera Cruz’. Estivemos em Grafanil, Luanda, e partimos de seguida para o Alto de Quito.
No acampamento estava quase só o meu destacamento, a companhia que geria a zona de Quibala, e o comando encontrava-se em Benguela. A minha comissão era de 14 meses mas foi prolongada, o que deu tempo para eu ser promovido de furriel a sargento miliciano.
O objectivo da nossa companhia era evitar a introdução dos terroristas no território, através de operações de combate. E houve algumas intensas. Fomos atacados muitas vezes, logo que saíamos do acampamento, por inimigos pendurados de tal forma nas árvores que ninguém os via. A companhia registou dois mortos, vítimas de uma mina, e houve muitos feridos, alguns dos quais ficaram deficientes. Os terroristas já estavam bem equipados, com espingardas e metralhadoras, algumas que nós não possuíamos nem conhecíamos. Os seus ataques obrigaram-nos muitas vezes a recuar para a base: tínhamos tantos feridos que era impossível continuar a avançar no terreno.
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