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Descolonizámos o Land-Rover - poema por Albino Magaia

Por Albino Magaia

Já não é carro cobrador de impostos
Nós descolonizámo-lo.
Já não é terror quando entra na povoação
Já não é Land-Rover do induna e do sipaio.
É velho e conhece todas as picadas que pisa.
É experiente este carro britânico
Seguro aliado do chicote explorador.
Mas nós descolonizámo-lo.
No matope e no areal
Sua tracção às quatro rodas
Garante chegada às machambas mais distantes
Às cooperativas dos camponeses.
Entra na aldeia e no centro piloto
Ruge militante nas mãos seguras do condutor
Obedece fiel a todas as manobras
Mesmo incompleto por falta de peças.
- Descolonizámos o Land-Rover
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Moçambique - Morreu jornalista e escritor moçambicano Albino Magaia

Maputo - Morreu na passada sexta-feira o decano do jornalismo moçambicano, escritor e veterano da luta contra o regime colonial português, Albino Magaia, vítima de doença. Até à data Albino Magaia era um dos administradores na Sociedade do Notícias. O jornalista falecido será sepultado terça-feira, informa o jornal Notícias.

Magaia foi um dos responsáveis pela formação de muitos jornalistas no período pós-independência. As qualidades profissionais de Albino Magaia começaram a evidenciar-se ainda no período colonial. No entanto, foi na revista “Tempo” onde atingiu o auge tornando-se, no período áureo daquele semanário, num homem incontornável no jornalismo moçambicano do pós-independência.

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Portugal - Artilharia antiaérea incapaz de lançar os quatro ‘chaparral’ em teste

Mísseis ficam em terra. A falta de fontes de calor no alvo, o atraso na decisão do atirador ou a violação do perímetro marítimo de segurança, ensombraram ontem um exercício da Artilharia Antiaérea do Exército, em Vieira de Leiria, no concelho da Marinha Grande. Dos quatro mísseis ‘Chaparral’ que os militares contavam disparar, apenas um saiu da rampa de lançamento, mas já o alvo tinha caído na água.

“Houve aspectos menos bem conseguidos mas, no que diz respeito ao teste do equipamento, o exercício surtiu os seus efeitos. Foi uma oportunidade excelente para os apontadores”, explicou ao CM o coronel Luís Baptista, comandante do Regimento de Artilharia Antiaérea nº 1.

O exercício ‘Relâmpago 10’ envolveu 250 militares, 40 viaturas e os três ramos das Forças Armadas – Exército, Marinha e Força Aérea. Foi criada uma carreira de tiro na zona da costa com 25 km de largura e 15 km de comprimento, para que os operacionais pudessem simular a defesa antiaérea a baixa e muito baixa altitude, com munições reais. Os disparos com os canhões Bitubo de 20 mm e com os mísseis portáteis ‘Stinger’ alcançaram cem por cento de eficácia. Os problemas surgiram com os mísseis ligeiros ‘Chaparral’. Ainda assim, Luís Baptista assegura que o equipamento tem demonstrado fiabilidade e está capaz de garantir um nível de protecção antiaérea adequado.

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Um livro a todos os títulos surrealista (Editorial Canalmoz)

Editorial 
 
Um livro a todos os títulos surrealista
 
 
Maputo (Canalmoz) - Continua a ser notícia o lançamento, ainda há pouco, de um volumoso livro de memórias assinado por um veterano das lides nacionalistas. Multiplicam-se opiniões, chocam-se pontos de vista, vindos de pessoas de todos os quadrantes, umas mais exaltadas do que outras, havendo também os mais comedidos e objectivos na opinião que emitem. Realçam, uns, o exagero e as imprecisões do autor. Outros realçam a protagonização exagerada, acabando tudo isso – e outras coisas mais – por suscitar, na mente do leitor, reticências e dúvidas quanto a factos empolgantes por ele narrados de forma apaixonada.
Na essência, este livro de Sérgio Vieira, também conhecido entre antigos presos políticos como o “coronel das beatas”, trata-se de um livro surrealista. Um brilhante causídico, que se evidenciou em Moçambique pela oposição consequente ao salazarismo, regime totalitário alicerçado num partido único e numa polícia política, prefacia, em tons reverenciais a resvalar para a lisonja, um autor que representa uma das faces mais visíveis de um totalitarismo que assentou igualmente num partido único e numa polícia política, e cujos traços permeiam ainda a sociedade moçambicana.
O prefaciado, porém, sente-se no direito de condenar o salazarismo, embora, quando teve poderes de governação, tenha seguido o exemplo desse regime. Os comandos das forças repressivas de Salazar eram “meninos de coro” quando comparados com o “coronel das beatas”.

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Artistas que passam e não esquecem

Opinião - por Paulo Oliveira

Ainda a propósito do livro de Sérgio Vieira ‘Participei, por isso testemunho…’

Há artistas que passam e não esquecem. Não, não me refiro aos do cinema, teatro, ou circo. Há-os muito mais acrobatas e que como carraças se agarram aos folhos da História, como estadistas ou como meros escrivões de um regime.

Penso a propósito disto de papéis da vida, nuns versos de um poeta e astrónomo, escritos na Pérsia do século XII, Omar el Khayyam [Omar, O Construtor de tendas - em tradução]. Curiosamente, o nome do hotelzito onde acabei por ficar uns quatro dias há cerca de uma dezena de anos, em Mahalla Al-Koubra, Gharbia, no centro do delta do Nilo, ao norte do Cairo: ‘Nós somos as marionetas; E o Céu o grande marionetista; Na realidade e não apenas em metáfora; Por um breve momento; Surgimos sobre o palco; Depois, um por um, retornamos; À caixa. Do nada…’

Antes de descobrir e ler o Samarcanda, de Amin Malouuf, que muito gira em torno da vida do citado poeta e astrónomo persa, conheci essa visão de Khayyam através de uma das obras de um físico e escritor canadiano contemporâneo, o Hubert Reeves [Um pouco mais de azul; Poeira de estrelas; e ‘Hora de se inebriar’ / Hora do deslumbramento - numa das traduções portuguesas]. Reeves inebria-nos e deslumbra-nos com todo o Universo espectacular, o Cosmos sem fim, os contorcionismos das partículas, da matéria, do tempo. Mas aqui e agora, interessa-nos sobretudo o contorsionismo das pessoas e das suas ‘estórias’.

Por vezes os pretensos cronistas preferem uma visão algo caleidoscópica, extremando uma certa inebriedade, de certa forma fazem-lo conscientemente. Pegam na estória e reviram-na, e ela enrola-se e desenrola-se, ensarilham-na numa memória espiralada e confusa, transmutam a memória colectiva que se pretende confundir, pela omissão, pelo apagão, pela deturpação, pela desculpa habilidosa, por vezes quase conseguida.

Vem isto a propósito de mais alguns episódios da grande ‘estória’ recente moçambicana e, no fundo, algo comum à grande ‘estória’ dos novos países da África Austral que falam o português. Quer o cabeça de série nesta peça se chame Dudu ou Guebusiness. Ou ministros mais ou menos recentes.

E tal estória só demonstra como o poeta, matemático e astrónomo persa do século XII, o tal Omar Khayam, escreveu certo naqueles poucos versos de um dos poemas do Rubáiyát, um livro em que reflecte sobre a natureza humana, enaltece o vinho e, no fundo, a inebriedade pessoal ou colectiva. Retrata não só o papel de cada um, o efémero dos homens, mas também, afinal, o das verdades e o da história feita. E constatamos, como esses papéis por vezes mudam sem despudor, na história actual. Para que o artista permaneça.

E quando os artistas não obedecem ao guião? Mu

da-se o artista. Daí, o revolucionário que perece. Ou o revolucionário que é absorvido pelo regime global. Pela ‘nova ordem mundial’. O revolucionário trasmuda-se em homem de negócios, em corrupto vendilhão do seu país e gentes. Submete-se aos rabínicos ‘alquimistas’ da alta finança internacional, aos grandes marionetistas do presente, que da Galileia infestaram Nova Iorque e os vários centros do Poder.

Encontramos estes artistas nas suas duas estirpes. Em Moçambique, Machel, tal como Salazar, surgiu, foi idolatrado por alguns, amado por muitos, odiado por muitos outros. Inflexível, incorrupto, impoluto. Podia-se não gostar do homem mas há que lhe reconhecer a verticalidade, mesmo que brutal, a honradez e a honestidade na defesa daquilo a que se propôs, a sua terra a sua gente, mesmo que por ínvios caminhos. Foi ’substituido’. Quanto à outra estirpe, a dos mutantes, é a dos ’sobreviventes’, os novos e actuais cabeças de cartaz, na ‘pérola do Índico’, ou à beira da baía de S. Paulo de Luanda. Claro que é deles que falamos. Que mais dizer destes novos vendilhões do templo? Talvez seja a senda que encontraram para entrarem e reentrarem repetidamente em cena e adiarem a ida para o caixote do lixo da História.

O livro acabado de editar por Sérgio Vieira - nascido na próvíncia nortenha de Tete, irmão do ’socialite’ português José Castelo Branco, membro dos estudantes do Império, revolucionário de mão cheia e de alguma memória vazia, antigo ministro da Segurança de Samora Machel - “Participei, por isso testemunho…” fala dessas ‘artes’ e ‘artistas’, pode aflorar e ajudar a explicar alguns factos. Mas deixa um vórtice imenso, um abismo de omissões, como aquelas sobre a ‘Operação Produção’ que levou à deslocação forçada e à morte de dezenas de milhares de pessoas. Noutras latitudes chama-se a isso ‘genocídio’ quando interessa politicamente fazê-lo. Não deixa assim, esta obra, de ser um vaso de mau vinho nesta inebriedade colectiva da ‘estória’ contemporânea moçambicana, e não faz jus, decerto, à figura grande de estadista do seu antigo chefe Samora Machel que, apesar dos defeitos, sabia assumir e defender a gravidade do que protagonizava. Mas Vieira passou habilmente de substituível a adaptável sobrevivente nesta nova ordem das coisas.

Assim, escolhida essa via desculpabilizante e amnésica, em vez do rigor que se esperava de tal escrito, resta o humor, do seu irmão e também artista, mas de outras lides, o José Castelo Branco, e as suas diatribes em Portugal.

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Memórias de Sérgio Vieira: Sobre a «Voz da Quizumba»

Memórias de Sérgio Vieira - 2 
 
Sobre a «Voz da Quizumba»
 
 
Maputo (Canalmoz) - Sérgio Vieira deve ser dos poucos autores que após um esforço titânico de trazer à estampa um volumoso livro, acha necessário lançar “avisos à navegação” logo nas primeiras páginas, alertando os incautos de que poderão deparar com “deficiências involuntárias” para depois pedir que seja considerado como “fonte primária”, mas “capaz de errar”, frisando que, se “deturpou”, não o fez “deliberadamente”. Bem escorado, o autor não esclarece, porém, se a memória apenas o atraiçoou à medida que iam recuando nos anos, ou se lhe pregou partidas também em outras épocas.
Mas ao leitor atento, fácil é descortinar que a maleita de que padece o autor é imprevisível, manifestando-se quer quando recorda a fase da adolescência em Tete, dizendo, por exemplo, (p. 57) que a central local “pertencia a um privado, o senhor Serras Pires, que depois a vendeu ao município” (na realidade este velho colono apenas tinha um contrato com a Câmara Municipal, entidade que lhe havia alugado a central); ou quer ainda quando as reminiscências reportam-se à fase de estudante universitário, em que afirma que, ao ir “de férias a Tete de Julho a Setembro de 1961”, Baltazar da Costa Chagonga encontrara-se com ele “por acaso, no bar do Christos & Luskos”. (p. 144) Como assim, se logo após ter saído da cadeia em Maio de 1960, Chagonga passara a viver exilado no Malawi?
Depois de ter metido os pés pelas mãos no concernente à disputa Mondlane-Cuba, o autor de “Participei, por isso testemunho” refere que “o nosso relacionamento com Cuba teve, a meu conhecimento, apenas um momento de inquietação” devido a uma proposta apresentada a Moçambique por um alto dirigente cubano visando a criação de um governo do Zimbabwe no exílio a partir do território moçambicano. (p. 632) Posteriormente, segundo o autor, veio a saber-se que a proposta não tinha o aval de Fidel Castro.
Na realidade, não foi este o único “momento de inquietação” nas relações entre os dois países. Uns anos depois, Samora Machel ordenaria a expulsão do chefe da missão militar cubana em Moçambique por ter tentado obter informações confidenciais sobre a política do regime da Frelimo em relação ao ANC, servindo-se para tal do contacto que estabelecera com a secretária particular do chefe de Estado moçambicano. De imediato, a secretária alertou a segurança moçambicana para a tentativa de espionagem. Apanhada com a boca na botija, a Embaixada de Cuba em Maputo desfez-se em desculpas, alegando que o chefe da missão militar cubana agia por conta própria, havendo até suspeitas que trabalhava para uma potência estrangeira. Prometeu a embaixada que o irreverente diplomata seria repatriado sob prisão para Havana e destituído dos cargos que desempenhava nas FAR.

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Memórias de Sérgio Vieira: Sobre “El Che” e datas que não batem certo

Memórias de Sérgio Vieira - 1 
 
Sobre “El Che” e datas que não batem certo
 
 
Maputo (Canalmoz) - O livro de memórias de Sérgio Vieira, lançado a semana passada em Maputo, promete ser polémico, não apenas por aquilo que deixou de contar, mas também pelo que contou mal. Seja por descuido, ou por escrever à pressa no leito de um hospital, a verdade é que um livro das dimensões de um “Participei, por isso testemunho”, tendo como autor um alto dirigente da Frelimo com responsabilidades em variadíssimos ramos, aliado ao facto de ter sido patrocinado por entidades de renome, teria antes de mais ter em consideração a história, estando a isto subjacente a credibilidade da organização política que representa. E os descuidos não se prendem apenas com o rigor da história, mas também com o ABC da escrita.
A páginas 627, o autor afirma que num encontro com Mondlane em 1965, nos escritórios da Frelimo em Dar es Salam, Che Guevara propôs “que a FRELIMO cessasse o combate armado em Moçambique e direccionasse os seus quadros e meios para lutarem no Congo.” Prossegue o autor: “Pelas informações dos nossos amigos tanzanianos, Mondlane estava já ao corrente de que a missão cubana ali obtivera muito pouco sucesso. Sabíamos, também, pelos nossos amigos tanzanianos, que El Che e o contingente cubano se estavam a retirar do Congo.”
Sérgio Vieira deturpa de várias formas o que foi discutido no encontro de Fevereiro de 1965. A entrada do contingente cubano no Congo, através do território tanzaniano, só teve início em Abril de 1965. De imediato, isto levanta a questão de se saber como é que, em Fevereiro desse ano, “os amigos tanzanianos” poderiam ter posto Mondlane ao corrente de algo que ainda não havia tido lugar. E se a retirada do contingente cubano desdobrado no Congo só se veio a verificar em Novembro de 1966, logo, “os amigos tanzanianos” também não poderiam, em Fevereiro de 1965, ter fornecido informações a Mondlane sobre uma retirada que nem sequer se vislumbrava no horizonte.

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Literatura africana: “A Ilha”, de J.M. Coetzee (1993)

Literatura africana: “A Ilha”, de J.M. Coetzee

J.M. Coetzee nasceu na Cidade do Cabo, África do Sul, em 1940. Foi professor de literatura na Universidade da sua cidade natal. Os seus principais romances: Duskland (1974), No coração da terra (1977), A Vida e o Tempo de Michael K, (1983), À espera dos bárbaros (1982), A Ilha (1993) A idade do ferro (1995), O mestre de S. Petersburgo. Foi galardoado com o Prémio Nobel da Literatura em 2003. Neste número vamos falar de “A Ilha”, um livro emblemático do escritor sul-africano que decidiu há poucos anos mudar-se para a Austrália.

A inglesa Susan Barton andou pela Baía, à procura da sua filha raptada. Na viagem, do Brasil para Lisboa, a tripulação do navio amotinou-se, matou o comandante, português, e a ela deitou-a ao mar… “abandonada no Atlântico por amotinados portugueses”. Náufraga, como Robinson Crosué, conseguiu chegar a uma ilha. Estava estendida na areia, exausta, quando apareceu o negro Friday. Temeu que fosse um canibal. Pediu-lhe água, e ele conduziu-a para dentro da ilha deserta, paupérrima. “Vim parar à ilha errada… Se a companhia dos animais tivesse sido suficiente para mim, teria vivido muito feliz na ilha”.

Foram dar a um acampamento, onde encontrou Cruso, um inglês de 60 anos que, antes de naufragar, tinha sido comerciante e fazendeiro. Falava português. Trabalhava muito, a fazer terraços, a preparar a ilha para possíveis agricultores que algum dia ali aportassem. Um trabalho, que ela considerou estúpido.

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Estação Central dos CFM: O panegírico que o tempo nos profere

Estação Central dos CFM: O panegírico que o tempo nos profere

Se o tempo é o tapete em que deixamos as nossas marcas na passagem pela terra, estas encarregam-se de dar a conhecer aos vindouros as nossas acções durante a nossa permanência neste planeta. E se – como escreveu Qolet, na Bíblia Sagrada – geração vem, geração vai, permanecendo a terra para a eternidade, cabe a nós deixar os testemunhos por que podemos realmente ser reconhecidos em parte ou na totalidade dessa eternidade. É o que fizeram os nossos antecessores, deixando um sem número de documentos, edifícios ou quaisquer outros testemunhos. A estação central dos Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM), na baixa da cidade de Maputo é um testemunho mais do que simbólico sobre um passado recente da nossa história.

A estação dos CFM na baixa da capital do país é notícia por estes dias por ter completado, na sexta-feira, o seu primeiro centenário de funcionamento. Trata-se, na verdade, de um edifício multifacetado em termos de importância para a vida tanto de Maputo e de Moçambique todo, mas também de algum hinterland da África Austral. Em termos económicos, o local tem uma importância económica indesdenhável, sendo o centro da espiral do desenvolvimento ferroviário do desenvolvimento do nosso país. Mas ela é mais do que isso!

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Urge limpar Portugal! - opinião

Limpar Portugal

Este país mais não aguenta, de patas no ar ficou, à mercê da muita escumalha que o carrega.

Estamos de acordo. Este País precisa de limpeza. Mas não pelos mesmos que o sujam e afundam.

É que, antes de limpar, convém não sujar. Não falo apenas de limpar as matas, mas o país em si, o seu tecido social e político, e a todos os níveis. Não são os que hoje lançam campanhas propagandísticas de limpeza, os mesmos que ontem, hoje e sempre, conspurcam?

Limpar Portugal.

Da escória. De malfeitores e corruptos. Da micro à macroescala. Da pequena criminalidade à grande corrupção.

E isto, envolve limpar e livrar o País daqueles que há trinta e cinco anos o sujam, e vivem à custa deste chão que dizem pretender limpo num gritante ‘é fartar vilanagem’.

Limpar, sem tibiezas, a nação, de toda uma classe de políticos e gestores, públicos ou não, de administrativos e administradores, sejam da pretensa justiça ou doutros sectores, como os supervisores do banco central, que mais não foram do que facilitadores de toda uma desenfreada corrupção e crimes financeiros de alto gabarito.

Limpar. Varrer o país de toda uma série de larvas e vermes que comem o pouco que resta da carne e da alma da que já foi outrora uma pátria orgulhosa e que hoje olha o futuro com temor.

Limpar pela vassourada, política ou não, com as mãos, nuas ou não, toda uma clique de encobridores, de mestres da aldrabice informativa, e que se gabam até, despudoradamente, de construir e vender uma imagem de ministro ou de presidente, como quem anuncia e vende um detergente.

Mas falamos demais em limpar e em limpeza, a quem já está habituado à sujidade.

E neste tempo sujo, de sujos, porcos e maus, de políticos xico-espertos, de agiotas públicos, de malabaristas partidários, de ciganos que aterrorizam autoridades e segurança social, neste tempo, dizia, até já é perigoso pensar, quanto mais falar, ou falar alto e apelar à limpeza.

‘Crimideia’ dizia no seu romance futurista 1984 o escritor britânico George Orwell sobre o medo social de pensar e verbalizar. E bem dizia também o jô Soares, o Gordo, da TV Globo, recordam-se? - ‘posso falar o que eu acho?’ ‘Pode, mas fala baixo’.

Portugal deixa hoje transparecer, cada vez mais, essa imagem de asfixia, uma asfixia de pensamento, de comunicação e de informação. E de um certo terror também, medo do marginal, do assaltante impune tolerado pelo Estado, e de terror do Estado, que sabe para os seus fins inconfessáveis amedrontar com o papão do terrorismo, mas que é ele mais terrorista ainda perante o seu próprio cidadão. Para que esta sujidade perdure.

Neste país que sujaram, até falar se tornou pois, perigoso. Falar e denunciar de uma forma que não seja aquela, ‘politicamente correcta’.
Perante os novos controladores do pensamento, da fala, da notícia, da comunicação, do que devemos ou não dizer ou fazer, do que ganhamos e gastamos e temos que pagar ao Estado, constatamos tristemente que a ‘tenebrosa’ PIDE de outros tempos, e que legitimou revoluções, cravos e cravas, não passava afinal de um grupelho de meninos de coro que davam uma galheta ou uns safanões avulso.

O que é que legitimará então hoje em dia, esta sujidade toda, em resposta, em reacção corente e legítima?

Até onde é que, social, psicologica, e estruturalmente, o direito à defesa deste ‘estado de direito’ é diferente do direito à defesa da então ‘Nação’ e ‘Pátria’ argumentada pelos salazaristas?

E também, consequentemente, onde está a diferença no direito, então, à indignação e à revolta, o direito à ‘limpeza’, seja ela qual for? Que, só é ilegal, se não for bem sucedida, como a História amíude o demonstra.

Nem mais me cabe dizer, nem das formas de limpeza deste país. Só posso estar de acordo: urge LIMPAR PORTUGAL. Desculpem… só estava a pensar alto… não disse nada.

Paulo Oliveira

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