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Sérgio Vieira apresenta hoje o seu livro “Testemunho”

Sérgio Vieira apresenta hoje seu “testemunho”

“PARTICIPEI, POR ISSO TESTEMUNHO”, é o título do livro de Sérgio Vieira a ser lançado hoje no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo. Segundo um dos prefaciadores, Luís Bernardo Honwana, nesta obra Sérgio Vieira fala das suas origens e da sua infância e adolescência em Tete.

Fala de como abandonou o catolicismo e da sua subsequente militância no movimento estudantil e na Casa dos Estudantes do Império, (…) dos capítulos dedicados às relações entre os movimentos filiados na antiga CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas), as negociações que conduziram à assinatura dos Acordos de Lusaka,  a Independência, o dossier Zimbabwe e a Guerra de Desestabilização, entre outras.

Para outro prefaciador, António Almeida Santos  fazia falta este livro. “Que ele sirva de estímulo, a que outros actores dessa independência ganhem nele inspiração para repetir a proeza, e cumprir esse dever. O conhecimento pelas novas gerações do heroísmo dessa gesta é um capital precioso para o orgulho de ter nascido em Moçambique, e a consciência do significado da correspondente cidadania”.

A obra será apresentada por Luís Bernardo Honwana e Rock Choolly.

Maputo, Segunda-Feira, 8 de Março de 2010:: Notícias 

Portugal pode financiar ponte Maputo/Catembe

Portugal pode financiar ponte Maputo/Catembe

O Governo português, em parceria com o moçambicano, poderá financiar as obras de construção da ponte que liga a cidade de Maputo ao distrito municipal da Catembe, a estrada que liga Maputo a Ponta d`Ouro, bem como a Vila Olímpica que acomodará os atletas que vão participar nos X Jogos Africanos de 2011, em Maputo.

O anúncio foi feito recentemente pelo Primeiro-Ministro português, José Sócrates, no quadro de uma visita oficial que efectuou a Moçambique. José Sócrates revelou também o interesse do seu país em financiar outros projectos como a construção da central norte na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), localizada na vila de Songo, província de Tete, a expansão da rede nacional de distribuição de energia eléctrica. Portugal propôs-se igualmente a financiar a construção de pequenas centrais eléctricas hídricas e solares, com base nos protocolos e acordos assinados entre os dois governos.

Maputo, Segunda-Feira, 8 de Março de 2010:: Notícias

Moçambique passa a deter 92,5% das acções da HCB

A garganta do Zambeze, junto à barragem de Cahora-Bassa

Desde a última sexta-feira, o Estado moçambicano detém 92,5% do total das acções da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), dando corpo ao acordo rubricado entre o ministro moçambicano da Energia, Salvador Namburete, e o secretário de Estado do Tesouro e Finanças de Portugal, Carlos Pina.
O acordo concede a Moçambique 7,5% das acções da HCB, do total de 15% que eram detidos até agora pelo Estado português, na sequência do acordo de reconversão da HCB para Moçambique, assinado em 2006 pelo chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, e pelo primeiro-ministro português, José Sócrates.
Os restantes 7,5% do capital social da HCB ficarão a cargo da empresa portuguesa Redes Enegéticas Nacionais (REN) em representação ao Estado português no empreendimento.
O acordo assinado entre os dois países, em 2006 – à luz do qual Portugal vendeu a maioria do capital da HCB –, previa que fosse Moçambique a escolher quem iria comprar 5% do capital da empresa. Os outros 10% podiam ser vendidos livremente.
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Noite de horror - Lourenço Marques. 1974

Extraído do blog de Francisco Gomes Amorim

A revolução já tinha acontecido em Portugal. A primeira medida tomada, depois de trancafiados na cadeia os responsáveis da PIDE, incluindo os burocratas que ali trabalhavam, foi anunciar a independência das colônias.
Quando? Como? Isso ninguém sabia, mas como os exemplos anteriores de grande parte das independências em África fizeram correr muito sangue, a preocupação geral era grande.
Os africanos há anos, quase há séculos era o que almejavam, ver-se livres do jugo colonial que nunca aceitaram. Hoje são subjugados poder económico. Mas ninguém gosta de jugo. Não só os africanos como todos aqueles que ali viviam e não podiam trabalhar livremente porque as dificuldades criadas pela metrópole a todos pesavam. A uns mais vergonhosamente, mas a todos, economicamente.
Finalmente chegava a independência. Para isso tinham lutado, e era um direito seu inalienável e histórico. Os brancos que tinham ali vivido toda a sua vida, alguns vindos de três, quatro e mais gerações, achavam-se no mesmo direito à independência, à continuação do seu trabalho, das suas vidas, a não perder o que tinham. À paz.
Mas como ia ser essa independência?
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Centenário de Machado de Assis : uma percepção moçambicana. Por João Craveirinha

João CRAVEIRINHA (JC / Kraveirinya na pintura). Nasceu na ilha de Moçambique (África oriental) em 1947. É escritor e pintor. Prossegue estudos universitários em Portugal na área das Ciências da Cultura, variante: Sociedade, Cultura e Comunicação. Publicou 4 livros. No prelo mais 4 livros aguardando editor. Foi animador cultural, conferencista e realizador de rádio e televisãoCentenário de Machado de Assis : uma percepção moçambicana. AUTOR:  João CRAVEIRINHA

RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA NUMA COLÓNIA PORTUGUESA EM ÁFRICA

O Prof. Adelto Gonçalves, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), pediu-me algumas linhas sobre o ilustre MACHADO DE ASSIS (1839-1908). É gratificante, porque através de ASSIS faço um rewind às memórias do “antigamente”.

De facto conheço algo de MACHADO DE ASSIS…sim senhor…de ouvir em casa desde infante pela geração de meu pai João (1920-1997) e de meu tio, o poeta José (1922-2003). Tinham alguns livros dele: Quincas Borba; Esaú e Jacó (com a problemática da escravatura). Mas Iaiá Garcia, Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), eram os títulos favoritos de meu pai João sénior, um especialista em língua e literatura portuguesas e admirador da literatura brasileira. Mesmo com as restrições de certa literatura do Brasil lá chegavam à colónia de Moçambique autores brasileiros e traduções. Algumas vezes, certos livros do Brasil, eram retirados das livrarias. Os autores brasileiros não eram vistos com bons olhos pela polícia política de Salazar. Exceptuando a revista “O Cruzeiro” de Assis Chateaubriand, 1892-1968 (amigo do ditador português, Oliveira Salazar, 1889-1970)

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Saiba porque é que Mário Soares ‘ofereceu’ Moçambique à Frelimo - CONFIDENCIAL

Vasco Rato e Paulo Pinto Mascarenhas  / In Jornal “O Independente” 24 Outubro 1997

AO LONGO das próximas semanas, O Independente irá publicar vários documentos inéditos dos arquivos secretos dos Estados Unidos, da República Democrática Alemã e da União Soviética, sobre os acontecimentos que marcaram a África Austral durante a década de 70. Todos estes papéis foram agora finalmente desclassificados, encontrando-se ao dispor dos investigadores nos National Security Archives, em Washington. Neles se revelam alguns dos aspectos mais dramáticos da história da descolonização portuguesa e das guerras civis que se seguiram nas antigas colónias. Demonstram sobretudo algumas das atitudes assumidas pelos principais protagonistas políticos que, na altura, conduziam a política externa dos seus países.
 

21 de Agosto de 1974

Documento do departamento de Estado norte-americano sobre a descolonização de Moçambique, classificado como “secreto” . Nele se dá conta da opinião de Mário Soares, favorável à entrega imediata da colónia à Frelimo. Sem dar qualquer relevância à possível falta de representatividade do movimento marxista moçambicano.

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As ligações ETA em Portugal desde 1975 envolviam quartéis - Entrevista-choque ao ‘Granadas’

Em Lisboa foi-me permitido, numa ala hospitalar, há uns seis anos atrás, efectuar esta entrevista ‘choque’ e que, nos meus arquivos, consta apenas como ‘Entrevista ao Granadas’ /  Enfª. / EPM - entrevista realizada entre Domingo, 01 Fevereiro 2004 e 5ª feira, 05 Fevereiro 2004  -  Projecto ‘Pelos Olhos de uma Rata Cega’ / ‘A Jarda não Apita’. O Granadas fala da ETA, de algumas conexões portuguesas, de droga, de morte, e de prisões e de corrupção nas cadeias, não fosse ele um dos detidos portugueses com mais tempo averbado atrás das grades, mais que os 25 anos de cúmulo consentidos por lei e constitucionalmente.   

Paulo Oliveira
- Como é que aconteceu isto pá? Diz-me o teu nome.
 
- ‘Granadas’. Sou o ‘Granadas’, para toda a gente. Nasci no sul de Angola no mês de Maio de ‘59. Saquei o 11º ano. O meu pai era médico aí no sul, no Quando Cubango. Vivi em Silva Porto, também. Em 1975 viemos. E comigo vinha um carregamento de erva e diamantes (…)
 
Quem está à minha frente tem um aspecto bera, estragado e envelhecido demais para a idade, as mãos e o rosto deixam transparecer sinais de doença, velhice precoce, e de abusos sem fim consentidos em 44 anos de vida. Um cabelo já bem cinzento e embranquecido, em constante desalinho, culmina uma face chupada onde se adivinha facilmente a caveira. Os olhos são mortiços, encovados, perdidos, ocasionalmente ganham um brilho ténue nalgum sobressalto do diálogo. Este é o Granadas, ansioso, a enrolar mais um cigarrito de Drum, sem filtro, já deitado e coberto por três cobertores enquanto vai falando e encetamos esta longa entrevista. De tempos a tempos solta mais uma rajada longa de tosse seca.
 
- Ficaste logo na zona de Lisboa?
 
- Sim. Lisboa. Sintra. Mas havia um desenraizamento… Erva, cota-cota, suruma - isso era a malta de Moçambique - liamba… (está outra a vez a falar do espólio que trouxe)… vendia-se despreocupadamente.
 
- És preso logo em ‘76. Como é que sucedeu isso?
 
- Rebentei com o dinheiro todo. Milhares de contos então, que era muito dinheiro. Talvez igual a cem mil contos actuais. Derreti em drogas duras, ácidos, heroa, coca. Tinha que entrar em mais negócios. Comprava, consumia, vendia.   Conheci malta da antiga LUAR e do MRPP. Sete ou oito oficiais, várias patentes, além do meu primo, também oficial. Uma parte do que sucede, um contacto, é proposto por um furriel que é esse meu primo. Tinha o que precisava, do paiol de Santa Margarida. Os outros estavam em várias unidades. O meu primo seria a ligação. Nunca chibei nenhum deles. É então que surge a coisa da ETA…
 
- Como é que foi essa parte da ETA, falaste-me já nisso. Foram o único cliente do vosso grupo?
 
- Foram. Por coincidência numa compra de haxixe, que a ETA lidava com isso. Conheci um deles. Oferece haxe em troca de explosivos. Eu como tinha conhecimentos, aceitei e fui aprofundando essa ligação ao gajo da ETA.
 
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DIGITAIS - VIVER É CADA VEZ MAIS DIFÍCIL NO GRANDE HOTEL DA BEIRA

DIGITAIS - VIVER É CADA VEZ MAIS DIFÍCIL NO GRANDE HOTEL DA BEIRA

Revista Pública, 27 de Dezembro de 2009

@XicoNhoca

DIGITAIS - MOZAMBIQUE FROM COLONIALISM TO REVOLUTION, 1900-1982

DIGITAIS - MOZAMBIQUE FROM COLONIALISM TO REVOLUTION, 1900-1982

ALLEN ISAACMAN AND BARBARA ISAACMAN (1983)

@XicoNhoca

DIGITAIS - CABORA BASSA (1975)

DIGITAIS - CABORA BASSA (1975)

KEITH MIDDLEMAS, 1975

@XicoNhoca

Morreu o mais antigo ex-piloto da DETA/LAM

Morreu o mais antigo ex-piloto do LAM
 
Pretoria (Canalmoz) - Faleceu ontem no Hospital da Universidade de Coimbra o Comandante Luís dos Santos da Costa Branco, antigo piloto da DETA e Linhas Aéreas de Moçambique. Costa Branco era o mais antigo como piloto da aviação civil portuguesa e moçambicana ainda vivo.
Tinha 92 anos de idade. Na sua caderneta de voo contava com 33.000 horas de voo averbadas. Toda a sua carreira profissional foi feita em Moçambique. Foi condecorado por dois presidentes da República Portuguesa.
O funeral realiza-se amanhã, em Oliveirinha.
O Com.te Luís Santos da Costa Branco, nasceu em Vila Nova de Oliveirinha, Concelho de Tábua em 25 de Outubro de 1917 e era o penúltimo filho dos sete de Aurora Berta Santos Branco e Herculano da Costa Branco.
Iniciou a instrução de voo no Aeroclube de Moçambique em 6 de Maio de 1936, tendo efectuado o seu primeiro voo “solo” em 2 de Junho do mesmo ano.
Como funcionário dos Caminhos de Ferro de Moçambique, foi mandado apresentar na D.E.T.A., Direcção de Exploração dos Transportes Aéreos, hoje, Linhas Aéreas de Moçambique em 10 de Dezembro de 1937, onde acumulou as funções com as de aluno piloto.
Esta empresa, a DETA, agora designada por LAM, tinha sido criada pelo Diploma Legislativo nº 521, em 26 de Agosto de 1936, publicado no Boletim Oficial de Moçambique nº 34, com a mesma data, sendo a mais antiga transportadora de linha aérea de Portugal e colónias.

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“Portugal traiu o povo de Cabinda” (Padre Casimiro Jorge Congo)

“PORTUGAL TRAIU O POVO DE CABINDA”
 
– Padre Jorge Casimiro Congo, que pede agora um Referendo para se resolver a questão do enclave que era um “protectorado” português «Portugal traiu o povo de Cabinda e vai ter de amadurecer mais como nação para repensar a sua posição em relação ao enclave». A critica é do padre Jorge Casimiro Congo, um dos nomes que integra a lista do Governo angolano e que escapou à onda de prisões que nos últimos dias levou à cadeia cinco activistas dos direitos humanos. 
 
“Pretoria (Canalmoz) - Em entrevista à emissora portuguesa católica, Rádio Renascença (um dos poucos órgãos de comunicação social portuguesa que dá voz a quem a não tem), este sacerdote diz-se preparado para ser preso quando regressar a Cabinda e considera que a FLEC aproveitou o CAN-2010 para ter mais visibilidade política.
Na entrevista ele disse que o regime de Luanda é incapaz de assumir politicamente a questão de Cabinda e desafia mesmo o governo angolano a fazer um referendo no enclave.
Por sua vez, o político luso Manuel Monteiro considera as “represálias contra quem pensa de forma diferente” em Cabinda é uma atitude que “deve merecer inequívoca condenação das autoridades portuguesas”.

“CINISMO”

Segundo Manuel Monteiro no plano das relações internacionais “reina o primado do cinismo” e as “considerações de justo ou injusto dependem das épocas, das circunstâncias e até dos interesses materiais, mas há limites que não podem ser ultrapassados. Portugal deve pedir a imediata libertação do Padre Raul Tati. E deve fazê-lo em nome daquilo que diz defender e acreditar interna e externamente: o Direito à diferença”.
Entretanto, segundo a Rádio Renascença, o secretário de Estado português dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação, João Gomes Cravinho, disse à Lusa que Portugal não interfere nos assuntos de Cabinda e que estes pertencem ao domínio da soberania angolana. “Portugal não tem nada a ver com a questão de Cabinda. É um assunto de soberania angolana”, afirmou João Gomes Cravinho.

(Redacção / Rádio Renascença)

2010-01-21

Isabela Figueiredo: “O colonialismo era o meu pai” (entrevista integral, Ipsílon/Público)

Caderno de Memórias Coloniais. Isabela Figueiredo: “O colonialismo era o meu pai”. 24.12.2009 - Alexandra Prado Coelho

Os retornados “tinham um acordo tácito para não falar”. Isabela Figueiredo quebrou esse acordo. “Caderno de Memórias Coloniais” é um dos livros do ano para o Ípsilon

Foi no blog Mundo Perfeito (e agora no Novo Mundo) que os textos de Isabela Figueiredo começaram a aparecer. Escrevia sobre aquilo que durante anos não tivera coragem de enfrentar: a infância em Moçambique, o racismo dos colonos portugueses. E, sobretudo, do pai, essa figura que “trazia o mundo” até ela.

“Caderno de Memórias Coloniais”, editado pela Angelus Novus, é um ajuste de contas com o pai morto. E com muitos retornados vivos. E com os que em Portugal os receberam e os maltrataram não percebendo que eles já tinham sido maltratados. É uma libertação de muita raiva.

Aquilo que conta no seu livro, a violência quotidiana dos brancos sobre os negros em Moçambique - e da forma crua como a conta - é um testemunho raro?

Nunca li nada sobre este assunto, não penso que tenha sido contado antes. Nós, retornados, não falamos disto uns com os outros, por pudor. Eu não tinha com quem falar. Lembro-me do [escritor angolano José Eduardo] Agualusa há 20 anos, depois de eu ter escrito uma coisa muito folclórica, muito suave, sobre Moçambique no “DN Jovem”, me ter dito que eu não tinha contado a verdade. Não lhe disse que achava que ele tinha razão, mas tinha. Eu não estava a contar a verdade, não podia contar a verdade porque havia um pacto de fidelidade com o meu pai. Não podia falar daquelas coisas com o meu pai vivo, sabendo que ele ia ler.

O facto de não pertencer à classe média e média alta da então Lourenço Marques, de ser de uma classe mais baixa, era para si um problema?

A diferença de classes entre portugueses não é uma coisa que me preocupe, é uma coisa que para mim era normal. Eu era a filha do electricista, e gosto dessa ideia. Ouvia o meu pai falar sobre as casas dos senhores da alta, onde ele ia fazer as instalações. O meu pai era um homem pobre, foi para África porque precisava de ganhar dinheiro, estava sempre a dizer-nos que não éramos ricos, éramos remediados. Eu sabia o meu lugar no esquema da sociedade colonial.

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Caderno de Memórias Coloniais - por Isabel Figueiredo. Crítica.

Faltava um relato assim, na primeira pessoa. Foi isso que fez Isabela Figueiredo (n. 1963), sem poupar nos detalhes. O seu Caderno de Memórias Coloniais é uma obra imprescindível para compreender o sentido (ou sem sentido) da nossa presença em África. Isabela ainda não tinha 13 anos quando deixou Moçambique. Narrativa mnemónica, portanto. Isenta de nostalgia, vontade de dourar a pílula ou propósito de reescrever a História. Factos, em toda a sua crueza:

«Os brancos iam às pretas. […] As pretas tinham a cona larga e essa era a explicação para parirem como pariam, de borco, todas viradas para o chão, onde quer que fosse, como os animais. A cona era larga. A das brancas não, era estreita, porque as brancas não eram umas cadelas fáceis, porque à cona sagrada das brancas só lá tinha chegado o do marido, e pouco, e com dificuldade, que elas eram muito estreitas, portanto muito sérias, e convinha que umas soubessem isto das outras.» Isabela vivia na Matola. A Matola, oficialmente designada Vila Salazar, era um arrabalde de Lourenço Marques (em 1980 foi integrada na cidade de Maputo). Quando Isabela ali viveu era um sítio de passagem a caminho da fronteira da África do Sul. Foi lá que os massacres de 7 de Setembro de 1974 se fizeram sentir com maior intensidade: «a negralhada perdeu o freio […] chacinou, cega, tudo o que era branco: os machambeiros e família, os gatos, cães, galinhas, periquitos, vacas brancas, e deixaram-nos agonizando sobre a terra, empapando sangue; salvavam-se as galinhas cafreais de pescoço pelado. E os gatos pretos.» Por exemplo, um dos vizinhos, o marido da Conceição, foi todo desmembrado à catanada antes de ser espalhado no milheiral. Isabela tinha 11 anos, mas não esqueceu.

A Matola não tinha o glamour da Maxaquene, da Ponta Vermelha, da Polana e de Sommerschield. A Matola era um reduto lumpen na zona dos sapais. Foi ali que Isabela cresceu, intuindo o desconcerto do mundo.

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Caderno de Memórias Coloniais - livro, por Isabela Figueiredo

Foi nesta quinta-feira,24 de Dezembro de 2009: na capa do Público, uma chamada para a entrevista que Isabela Figueiredo deu a Alexandra Prado Coelho e que saiu na edição desse dia do jornal, no Ipsilon. Na selecção dos melhores livros de 2009, o Caderno de Memórias Coloniais surgia na posição 14 (em 20), escolhido por Gustavo Rubim, nos seguintes termos:

“Sente-se o abalo que este «Caderno» causa no marasmo literário nacional em passagens como esta: «Foder. O meu pai gostava de foder. Eu nunca vi, mas via-se». Relato cru do racismo português em Moçambique no fim do Império, memória do amor de uma filha pelo corpo do pai, história de traição a uma ‘verdade’ que morreu com a morte do colonialismo. Um texto parcial, violento, escrito como se escrevem cadernos: com o fantasma da verdade sempre ao lado. Isabela Figueiredo afirma-se escritora, num país onde só proliferam ‘autores’, esses manequins de vender autógrafos.”

Na resenha ao livro, com o título «Uma estátua de culpa», Eduardo Pitta, que lhe dá 4 estrelas, di-lo «uma obra imprescindível para compreender o sentido (ou sem sentido) da nossa presença em África». E conclui: «Há muito pouca gente a escrever como ela».

Quanto à entrevista a Alexandra Prado Coelho, «peça de resistência» dessa edição do Ipsilon, saiu com o título «O colonialismo era o meu pai» e é impossível resumi-la, tal a força que dela emana: a força de quem continua, por outros meios, a escrever o Caderno de Memórias Coloniais. Aqui, por agora, apenas um excerto:

O meu pai foi um mediador entre mim e a realidade. Eu conhecia a realidade através dele e do mundo que ele trazia até mim. Portanto só posso culpar o meu pai. O colonialismo é o meu pai, a discriminação é o meu pai, porque foi ele que eu vi fazer isso.

— extractos retirados deste blog

“LM Radio” reiniciou transmissões esta manhã

Em Parceria com a Rádio Moçambique 
 
“LM Radio” reiniciou transmissões esta manhã 
 
Maputo (Canalmoz) - Depois de ter sido mandada encerrar pelo Departamento do Trabalho Ideológico do Bureau Político do Comité Central da FRELIMO, em Outubro de 1975, por ser “elitista”, a estação comercial “LM Radio” reiniciou as suas emissões às 06h00 de hoje. “LM Radio”, abreviatura de “Lourenço Marques Radio” transmite agora sob a designação de “Live Music Radio”, mantendo, no entanto, a mesma designação comercial de “LM Radio”.

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DIGITAIS - MOZAMBIQUE REVOLUTION: JUNE 25 1975 INDEPENDENCE

DIGITAIS - MOZAMBIQUE REVOLUTION: JUNE 25 1975 INDEPENDENCE

THE PEOPLE’S REPUBLIC OF MOZAMBIQUE

@XicoNhoca

DIGITAIS - DOSSIER “ANGOLA” (1975)

DIGITAIS - DOSSIER “ANGOLA” (1975)

IDOC INTERNATIONAL

@XicoNhoca

Era uma vez um punhado de homens (João Vaz de Almeida)

Era uma vez um punhado de homens (João Vaz de Almeida)

Amanhã festeja-se o 44º aniversário do início da Luta de Libertação Nacional que, volvida mais de uma década, daria origem à independência de Moçambique. No Chai, um remoto povoado no interior de Cabo Delgado, naquela noite de 25 de Setembro de 1964, um punhado de homens semeou a gesta da independência para colhê-la onze anos mais tarde numa chuvosa noite de Junho com a subida ao mastro da bandeira do Moçambique Independente. Goste-se ou não de quem conduziu a luta, simpatize-se ou não com o partido que tem exercido o poder nestes anos, aprovese ou não a política e a ideologia seguidas, equacione-se ou não a veracidade dos factos ocorridos no Chai naquele dia, mas não se retire mérito e valor àqueles homens que perseguiram, através da sua luta e pondo em risco as suas vidas, um fim: a libertação do país do jugo colonial. Porque esse direito, o de ser livre e de poder escolher o seu destino, deve estar acima de tudo. Porque, como dizia o presidente Samora, ninguém pergunta a um escravo se quer ser livre.

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Frelimo - outros relatos do ‘inferno’. Excertos de um livro a sair em breve

Guebuza encontrava-se naquele Centro de Bagamoyo havia uma semana. Tinha vindo de Moçambique com os seus conterrâneos José Mazuze, Pascoal Nhapule, Francisco Langa, Josina Mutemba (namorada de Filipe Samuel Magaia). Também era frequente a presença de Filipe Samuel Magaia naquele Centro, onde vinha para nos politizar.

Quanto a Filipe Samuel Magaia (1º Comandante de todas as forças da DSD da FRELIMO), foi vítima de uma emboscada por parte das próprias forças, para deixar Josina viúva, para mais tarde desposar Samora Machel e para o mesmo tomar o lugar do mesmo Filipe Magaia.

O comandante de todas as forças da FRELIMO, estava por conseguinte em Kongwa e Filipe Samuel Magaia por ocupar uma posição hierarquicamente superior encontrava-se em Dar-es-Saalam, onde encontrava-se sediada a FRELIMO. Apesar deste distanciamento e tempo como militar da FRELIMO nunca vi estes dois elementos juntos, o que antevia uma certa animosidade entre eles, talvez sublimado pelo facto de um ser da Zambézia (Magaia) e outro de Gaza (Samora).
…………
Samora saía poucas vezes de Kongwa e talvez por esse motivo teve facilidade em manipular os quadros militares até à morte de Magaia, altura em que lhe ficou com a namorada assim como com o Departamento de Defesa, entregando o da Segurança ao amigo Joaquim Chissano, tudo com o consentimento do Dr. Mondlane.
…………
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No contexto da Revolução - ‘na Frelimo era norma fuzilar pessoas’

Entrevista de Mariano Matsinhe ao SAVANA

Por Francisco Carmona e Emídio Beúla / Savana

Mariano Matsinhe (72anos), um dos símbolos da gesta de 25 de Setembro, confessa que não lhe agrada ouvir falar de órgãos de comunicação independentes.

Para a velha guarda da Frelimo melhor se a designação passasse para órgãos independentes da Frelimo. Porque, acredita, dependentes o são de alguma coisa. Mas nem com isso, o homem que abandonou a engenharia civil (cursava o segundo ano) em Portugal para se juntar à Frelimo em 1962, não se coibiu em conversar com o SAVANA por quase uma hora, revivendo um percurso político sempre em reconstrução. Pelo caminho disse, entre outras revelações, que havia uma certa precipitação (necessária?) na tomada de decisões, que os campos de reeducação não foram um erro e que, volvidos quase 45 anos após o início da luta, não se arrepende de nada. Nem dos fuzilamentos,
apesar de reconhecer alguns excessos do SNASP, um órgão do regime e de triste memória. Acompanhe alguns extractos da conversa mantida última sexta-feira em Maputo.

Sr. General, passam 34 anos após a proclamação da independência nacional. Este Setembro comemoramos 45 anos após a insurreição armada e 35 anos dos acordos de Lusaka. Quando olha para trás, que balanço faz deste Moçambique?

Olha, tenho a impressão de que foi tudo correcto. Havia muita agitação, naturalmente, por causa do carácter do colonialismo que tínhamos. E nós éramos jovens. Eu próprio que sou mais velho que muitos líderes da Frelimo tinha 25 anos quando me juntei à Frelimo. Havia uma certa precipitação na tomada de decisões. Mas era necessária. Porque se a gente começasse a pensar nas consequências, as coisas seriam diferentes. Nós tínhamos a vantagem de sermos jovens. Não éramos casados e não tínhamos filhos. Não tínhamos o peso das consequências. A gente pensava como jovens e só queríamos a independência. Outros eram mais velhos, já tinham casado e tinham filhos e diziam o seguinte: vamos combater até ao fim, se ficarmos independentes os nossos filhos vão continuar com a batalha até à independência.
Estávamos preparados para isso, para o sacrifício máximo pela independência de Moçambique.

Quando se junta à Frelimo vinha da UNAMI…

Eu pertencia, assim ligeiramente, à UNAMI. Mas eu fugi de Portugal. Abandonei os estudos. Estava a fazer engenharia civil. Vim cá de férias. Os portugueses pagaram-me férias. Havia muitos outros estudantes de todas as colónias portuguesas. Quando tentei uma saída de Portugal para cá, não consegui. Então aproveitei a vinda para cá e o meu pai vivia na fronteira com o Malawi. Isso era uma grande vantagem para mim e, portanto, foi fácil escapulir para o Malawi e daquele país avançar para a Tanzânia. Mas no Malawi tive que ser da UNAMI para ganhar credibilidade. Porque podiam desconfiar, tendo em conta que vinha de Lisboa. Este episódio deu-se em 1962.

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‘Revelações do Inferno’ em livro polémico sobre a história da Frelimo

FRELIMO – Mais revelações do Inferno. (Excertos do livro a publicar por um ex-comandante de guerrilha da Frelimo) - Ovar, 25 de Outubro de 2009. Álvaro Teixeira (GE)

Transcrito pelo ‘XicoNhoca’ deste blog

Como já é do conhecimento de todos, a morte de Filipe Magaia foi planeada e mandada executar pelo Samora Machel, por dois motivos essenciais, o primeiro de ambição do poder, a fim de ser nomeado pelo Eduardo Mondlane chefe do dispositivo militar e de segurança da Frelimo e o segundo, ficar com a viúva de Filipe Magaia, Josina Muthemba, mais tarde, Josina Machel.

De acordo com vários historiadores, cuja credibilidade nunca foi posta em causa, este foi o primeiro passo dado pelo Samora Machel para a tomada, a prazo, do poder na Frelimo e é, neste fase, que entra a facção marxista-leninista e maoísta desta organização. Havia necessidade de eliminar todos aqueles que se opunham à tomada do poder por esta facção liderada pelo Samora Machel e que tinha, na sua retaguarda, homens como Joaquim Chissano, Marcelino dos Santos, Alberto Chipande, Mariano Matsinhe, Armando Guebuza, Castiano Zumbiri, Sérgio Vieira, Sebastião Mabote, Jacinto Veloso e tantos outros.

Josina Muthemba Machel
O plano ensaiado por esta facção começa com a eliminação do comandante da DSD, Filipe Magaia e acaba com a eliminação do próprio Eduardo Mondlane que tinha dado cobertura a todas a acções empreendidas pela facção liderada pelo Samora Machel, pelo que Eduardo Mondlane veio a ser vítima da sua complacência com a ambição do Samora Machel.

Devo recordar que o Samora Machel, em termos de formação, nunca passou de ajudante de enfermagem e que a sua a sua instrução não passou dos campos de treinos de guerrilha, na Argélia, e, posteriormente, da instrução política e guerrilheira na China maoísta.

Samora Machel (Libertador ou Assassino?)
O assassinato de Filipe Magaia já foi descrito num artigo deste Blog, mas, no entanto, há necessidade de escrever algo mais acerca deste assunto e dar a conhecer a todos mais alguns dos assassinos envolvidos nesta morte que deixou de ser misteriosa. O tiro que, na emboscada, atingiu Filipe Magaia foi disparado pelo seu camarada Lourenço Matola e entre os elementos envolvidos na operação, encontrava-se um tal Lino Ibrahimo que, com a colaboração dos elementos envolvidos no assassinato, transportaram o moribundo Filipe Magaia para a fronteira de Moçambique com a Tanzânia. O Lourenço Matola foi entregue aos militares tanzanianos e desapareceu. Todos os outros foram levados para o campo de Nachingwea, onde, alguns foram fuzilados, de imediato, e outros enviados para bases no interior de Moçambique, onde tiveram a mesma sorte. O tal Lino Ibrahimo foi enviado para a base Beira, em Cabo Delgado, onde foi abatido pelo actual general João Facitele Pelembe, comandante da base, quando procurava abrigo de um ataque aéreo efectuado por aviões T6 das FAP (Força Aérea Portuguesa).

Graça Machel ( e esta senhora não tem nada a dizer?). Afinal, foi esposa de um criminoso.
Samora Machel procurou, por todos os meios, eliminar todas as testemunhas deste acto criminoso, tal como veio a suceder com o assassinato do Eduardo Mondlane com a conivência do presidente tanzaniano, Julius Nyerere.

LISTA DE ELEMENTOS ELIMINADOS PELA FRELIMO
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Não foi só Rosa Coutinho. Angola - Alto-comissário português favoreceu MPLA durante transição para a independência

Maputo (Canalmoz) - Contrariamente ao que se julgava, o Almirante Rosa Coutinho, que após o golpe de 25 de Abril de 1974 em Portugal foi nomeado alto-comissário português em Angola, não foi o único a favorecer o MPLA na tomada do poder pela força em Luanda à revelia do Acordo de Alvor que previa a realização de eleições livres. Leonel Cardoso, que viria a substituir Rosa Coutinho no cargo de alto-comissário português, desempenhou na prática um papel igualmente pernicioso para o futuro do novo Estado independente.

De acordo com Vladimir Shubin, autor do livro, «The Hot Cold War – the USSR in Southern Africa», em Outubro de 1975, cerca de um mês antes da proclamação da independência de Angola, Leonel Cardoso convidou Igor Uvarov, oficial russo que trabalhava sob a capa de correspondente da agência TASS em Luanda, para uma conversa, tendo-lhe confidenciado que “Portugal deparava com um problema: a quem deveria transferir o poder em Angola.”

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História - Livro polémico lançado hoje defende que guerra colonial foi «guerra justa»

A editora A Livros d’ Hoje leva a efeito hoje, Quarta-Feira, pelas 18 horas, em Lisboa, na Academia Militar, uma sessão de lançamento do livro de João José Brandão Ferreira, intitulado «Em Nome da Pátria», o livro terá a apresentação do Prof. Adriano Moreira.
Três décadas após o fim da guerra colonial, Brandão Ferreira questiona no livro Em Nome da Pátria se os portugueses travaram uma «guerra justa» e se tinham o direito de a fazer e conclui que a descolonização «enfraqueceu» o país.

O livro, com quase 600 páginas, é lançado esta quarta-feira, na Academia Militar, em Lisboa, pela Publicações D. Quixote.

No prefácio, o professor universitário Adriano Moreira recorda que «foi o elo militar o definitivamente atingido pela fadiga, e a decisão, do centro do poder que deslizou para as bases, foi a de colocar um ponto final na guerra, logo com o apoio ao regime político mas inevitavelmente com o efeito colateral de colocar um ponto final no conceito estratégico secular».

Para Brandão Ferreira, não é surpreendente que, três décadas depois de terminada a guerra colonial (1961-1975), «a nossa sociedade se encontre completamente dividida em relação àquilo que se passou e à verdadeira interpretação a dar aos complexos acontecimentos então vividos».

No entender do autor, impõe-se «conseguir um conjunto elaborado de conhecimento que permita que a nação portuguesa caminhe para um futuro assente em bases sólidas e verdadeiras e não sobre falsos postulados».

O tenente-coronel piloto-aviador Brandão Ferreira, 56 anos, é um militar de transição entre dois regimes políticos. Estava ainda na Academia Militar quando ocorreu o 25 de Abril de 1974 e seguiu depois para os Estados Unidos. Esteve 27 anos na Força Aérea e foi adido de Defesa na Guiné-Bissau, Senegal e Guiné-Conacri.

Nunca combateu na guerra colonial mas os valores que professa no livro (Pátria, um Portugal do Minho a Timor) são os dessa época. Os seus princípios parecem inabaláveis: «Por aquilo que é secundário, negoceia-se; pelo que é importante, combate-se; pelo que é fundamental, morre-se».

No seu entender, com a descolonização, os portugueses perderam «liberdade estratégica» e ficaram «enfraquecidos e divididos como comunidade».

Apesar de declarar que não pretende impor «uma linha de pensamento único» mas sim reflectir sobre o tema, Brandão Ferreira opina que «Portugal fez uma guerra justa e, além disso, tinha toda a razão do seu lado».

Admite, contudo, que «a guerra é sobretudo uma luta de vontades».

O militar culpa Marcelo Caetano («uma pessoa de bem», com «grandes qualidades intelectuais») de nada ter feito «para contrariar eficazmente» aqueles que então começaram a defender a independência das ex-colónias.

No livro, Brandão Ferreira rejeita Nega que a guerra fosse insustentável, nomeadamente devido ao número de baixas portuguesas: «A verdade é que, por ano, morria mais gente nas estradas de Portugal Continental do que nas três frentes de luta em África», sustenta.

«Será mais digno combater no Afeganistão que no Estado português da Índia? No Líbano que em Angola? Na Bósnia que na Guiné-Bissau? No Kosovo, que em Moçambique? São estes os novos ventos da história?» - pergunta.

Lusa / SOL

Marcelino dos Santos considerou afastar Mondlane da Presidência da Frelimo

Marcelino dos Santos considerou afastar Mondlane da Presidência da Frelimo 
 
- revela autor russo em livro recentemente publicado 
 
“Decidimos logo de principio deixar que Mondlane permanecesse na direcção do movimento, e nós iremos trabalhar no seio do movimento e guiar a frente. Mais tarde, se for necessário, será possível substituir Mondlane.” - Marcelino dos Santos “Toda a gente sabe e nós sabemos que o presidente da Frelimo, Eduardo Momdlane, é um americano, mas de momento não existe outro homem em Moçambique que possa liderar a luta e em torno do qual as forças que lutam pela independência possam unir-se… Até agora, Mondlane é o único homem – educado, que tem ligações e influência no estrangeiro. Afinal, ele é um moçambicano negro, não um branco ou mulato como eu. Não devemos esquecer também que Mondlane é capaz de angariar dinheiro. É verdade, segundo dizem, que ele obtém o dinheiro do governo dos Estados Unidos, mas esse dinheiro vai para a luta.”

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Janet Mondlane deve falar com a filha (Canal de Opinião: por Luís Nhachote)

Canal de Opinião: por Luís Nhachote 
 
Janet Mondlane deve falar com a filha 
 
Maputo (Canalmoz) – As declarações de Nyelete Mondlane, em Gurué, na Zambézia, após a passagem de Daviz Simango por aquele distrito, segundo as quais “Quem matou o meu pai foi Uria Simango” merecem um puxão de orelhas pela parte dos seus educadores. E não só: por todas as pessoas de bom senso.
Perene será sempre a infância de todos aqueles que têm, biológica ou em afecto, vínculos com quem (n) os criou.
Por isso é que Janet Mondlane deve falar com a sua filha – é verdade que ela já é adulta, e goza da prerrogativa de responder pelos seus actos, sejam lúcidos ou imbecis – sob pena, da educação que ela recebeu e transmitiu aos filhos, cair sobre no esgoto da hipocrisia.
Assim sendo, Janet articulando com a filha, salvaria os mais incautos de duvidarem do sistema de educação do ensino americano, onde ela (Janet) cresceu e estudou e lá conheceu o Drº. Eduardo Mondlane, com quem constituiu família.

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Cardeal Dom Alexandre afirmou ontem, em Maputo, que Joaquim Chissano, nasceu com a missão de servir e libertar o povo e a Pátria moçambicanos

Chissano nasceu para servir o povo – segundo o Cardeal Dom Alexandre durante a realização de uma missa para celebrar os 70 anos do antigo estadista moçambicano

O Cardeal Dom Alexandre afirmou ontem, em Maputo, que o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, nasceu com a missão de servir e libertar o povo e a Pátria moçambicanos. O Cardeal, que falava durante uma missa na Sé Catedral de Maputo, para celebrar o 70º aniversário natalício de Joaquim Chissano, que ainda ontem se assinalou, caracterizou o antigo estadista como um líder que contribuiu igualmente para que o país granjeasse simpatia internacional  e um indivíduo que “soube dar o exemplo de como construir uma família cristã”.

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Declarações perigosas da filha do “arquitecto da unidade nacional” (Canal de Opinião: por Luís Nhachote)

Canal de Opinião: por Luís Nhachote 
 
Declarações perigosas da filha do “arquitecto da unidade nacional”
 
 
Maputo (Canalmoz) – Nyelete Mondlane, que concorre para deputada da Assembleia da República, pelo círculo eleitoral da Zambézia, é citada, na edição de ontem, do «Diário da Zambézia», como tendo dito, no distrito de Gurué, em plena caça ao voto que “Uria Simango é quem matou o meu pai”.
O diário, baseado em Quelimane, diz que Nyelete, terá dito estas palavras, após a passagem de Daviz Simango, por aquele distrito. E não se terá ficado por ai. O veneno a destilar tinha proporções desconhecidas: “Quem matou o meu pai foi Uria Simango e por isso tenham cuidado com as mensagens que recebem”.

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Seguindo tradição do Partido Frelimo, filha de Mondlane falsifica história

Seguindo tradição do Partido Frelimo 
 
Filha de Mondlane falsifica história

 
Maputo (Canalmoz) - Nyelete Mondlane, filha do primeiro presidente da Frelimo, mantém-se fiel à linha do actual partido no poder em Moçambique, falsificando a história recente do nosso país. Nyelete, que concorre pelo Partido Frelimo no círculo eleitoral da Zambézia, é referida como tendo declarado no Gurué que o pai dela foi morto por Uria Simango. “Quem matou o meu pai foi Uria Simango”.
De acordo com o nosso colega, Diário da Zambézia, a candidata do Partido Frelimo fez tal declaração quando falava no Gurué, local anteriormente visitado pelo líder do MDM, Daviz Simango, candidato a estas presidenciais do próximo dia 28 do corrente mês, e filho do reverendo Uria Simango.

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Moçambique: Mandada encerrar pela Frelimo depois da independência, “LM Radio” reinicia transmissões

Mandada encerrar pela Frelimo depois da independência 
 
“LM Radio” reinicia transmissões
 
 
Pretoria (Canalmoz) - Prevê-se que esteja iminente o anúncio oficial do reinício das transmissões da rádio comercial, “LM Radio”, que durante cerca de quatro décadas transmitiu a partir da antiga cidade de Lourenço Marques. Os primeiros sinais de que a “LM Radio” iria regressar foram divulgados pelo Canal de Moçambique na sua edição de 2 de Julho último.
Tal como havíamos então noticiado, a nova “LM Radio” consta da grelha de estações radiofónicas que transmitem por via satélite através do sistema DSTV da Multichoice.
Também designada por “Programa B” do antigo Rádio Clube de Moçambique (que depois da independência passou a designar-se de Rádio Moçambique), a “LM Radio” transmitia 24 horas ao dia, sete dias por semana, em línguas inglesa e africânder, sendo a sua programação constituída fundamentalmente por música moderna. Tratava-se de um serviço radiofónico comercial altamente lucrativo, cujas receitas eram uma importante fonte de receita do Rádio Clube de Moçambique. Destinada ao auditório sul-africano, a “LM Radio” era, no entanto, bastante popular entre a camada jovem de Moçambique e de outros países vizinhos dadas as suas características ímpares como estação emissora em cima dos acontecimentos do mundo da música moderna.
Embora com a mesma designação – “LM Radio” – o serviço radiofónico extinto a 12 de Outubro de 1975 reiniciará as transmissões com o nome comercial de “Lifetime Music Radio”. A programação disponível na página da “LM Radio” na Internet (www.lmradio.co.za) indica que esta estação radiofónica irá manter as características da antiga emissora que transmitia dos estúdios situados na Rua da Rádio em Maputo.
A antiga “LM Radio” foi criada em 1936. Tal como o “Programa D” do então Rádio Clube de Moçambique, que era vocacionado para a transmissão de música clássica, o “Programa B” foi extinto na sequência de uma orientação do «Departamento do Trabalho Ideológico» da Frelimo, ao tempo dirigido por Jorge Rebelo, que considerava os dois canais de “elitistas”.
A “LM Radio” tirou partido da política em vigor na África do Sul nos anos 30 em que não era autorizada a existência de estações de rádio privadas. A SABC (South African Broadcasting Corporation) detinha o monopólio da radiodifusão naquele país. A “LM Radio” veio preencher a lacuna existente na África do Sul em termos de rádios comerciais, passando esse serviço radiofónico a atrair um número cada vez maior de anunciantes sul-africanos dada a popularidade da sua programação nos grandes centros populacionais.

(Redacção)
 
2009-10-12

Graves Incidentes em Moçambique: A guerra batia agora à porta dos colonos brancos nesta área (Janeiro de 1974)

Graves Incidentes em Moçambique – Janeiro de 1974

A guerra batia agora à porta dos colonos brancos nesta área (Janeiro de 1974)

No dia seguinte encerraram todos os estabelecimentos comerciais de Vila Pery, Vila de Manica e Machipanda, declarando que não os reabririam até que o Governo lhes desse garantias solenes de que iria tomar medidas imediatas para a defesa das populações civis. Dia 16, de manhã, largas centenas de viaturas, com milhares de colonos, afluíram a Vila de Manica para se incorporarem no funeral da fazendeira. E, à tarde, todos os agricultores e comerciantes brancos do distrito se manifestaram, ruidosa e iradamente, junto ao palácio do governador. Estando este ausente de licença na metrópole, foi o encarregado do Governo quem recebeu uma delegação dos manifestantes para a informar de que o governador-geral, sabedor do que se passava, respondera que «embora compreendesse as preocupações dos agricultores e a solidariedade dos comerciantes para com eles, manifestações públicas representavam traição e procederia com severidade se as lojas não reabrissem imediatamente».

A ira da população branca atingiu o auge. Rejeitando as ameaças do governador-geral, fizeram-lhe saber que todo o comércio se manteria encerrado até receberem garantias do Governo de que seriam tomadas as medidas que exigiam.

Carta dos Oficiais do Movimento em Moçambique (Janeiro de 1974)

Carta dos Oficiais do Movimento em Moçambique (Janeiro de 1974)

Graves Incidentes em Moçambique – Janeiro 1974

Excerto de Carta enviada pelos camaradas do Movimento a 19 de Janeiro de 1974

9. Como vos dissemos no nosso telex de ontem, começou o quase kafkia no processo de enxovalho das Forças Armadas. A situação é grave. Ontem, 18, voltaram a repetir-se as manifestações na Beira tendo-lhes sido barrado o caminho para a messe, concentraram-se em frente às residências do comandante do CTC e CEM. Choveram os insultos, obscenidades e pedradas.

O governador-geral ainda não tomou qualquer atitude, pelo menos que se saiba. Claro que é demasiado simples ficarmos danados com os civis que estamos a defennder, etc. As contradições internas do sistema começaram a parir. A deficiente e mesmo capciosa informação do público só podia resultar nisto, como aliás todos nós prevíamos. Não se vislumbra como se poderá sair disto com um mínimo de dignidade. O prestígio por que nos batemos está seriamente afectado. São precisas medidas urgentes, que só aí poderão ser tomadas. Aqui parece-nos difícil que alguém responsável saiba o que fazer além de mexer em forças. Pedimos que actuem imediatamente e em força e nos dêem instruções. Pelo menos a tal campanha de esclarecimento tem de começar «ontem». E ir logo direita à ferida. Incluída nela, é imprescindível a publicação de um Livro Branco sobre a Índia. E apaguem o beatíssimo sorriso da cara desses políticos.

Graves Incidentes na cidade da Beira em Moçambique (Janeiro de 1974)

Graves Incidentes na cidade da Beira em Moçambique (Janeiro de 1974)

Foi na Beira que acontecimentos mais gravosos ocorreram. Ao começo da tarde, realizou-se uma manifestação junto do Governo do distrito e pelas vinte e trinta, enquadrados por elementos da PIDE/DGS, cerca de 400 brancos e negros da população local, em fúria, insultaram gravemente as Forças Armadas e acusaram durante longo tempo os oficiais que se encontravam alojados, em trânsito, na Messe de Oficiais do Macúti, chegando a apedrejar o edifício perante a passividade das forças policiais que, horas antes, se haviam instalado na zona. Mais tarde, manifestar-se-iam ainda em frente das residências do comandante do CTC e do chefe do EM.

O comandante do CTC, o excelente brigadeiro Ventura Lopes, estava ausente de licença. É o coronel Baía dos Santos, 2.° Comandante a desem¬penhar interinamente as funções de 1.º, mostra-se incapaz de resolver a situação.

Receando tiro ou pedrada por parte dos manifestantes, é visto a caminhar de gatas pela varanda em direcção ao quarto, na Messe, onde reside com a mulher. E será o tenente-coronel José Pinto Ferreira, enér¬gico e decidido mestre de Educação Física de várias gerações de oficiais na Academia Militar, então comandando os GEP africanos estacionados no Dondo, quem, dizendo «basta», põe cobro à situação, exigindo a Baía dos Santos que dê ordem à companhia de PM que enfrenta, no exterior, os manifestantes e à que no pátio interior se encontra de reserva para «limparem» o espaço fronteiro à Messe. O que ambas farão com proficiência, varrendo tudo e todos, a casse-tête, até ao mar.

O PCP NA LUTA ANTI-FASCISTA (Aurélio Santos - Seara Nova – n.º 1691 Primavera 2005)

O PCP NA LUTA ANTI-FASCISTA

É geralmente reconhecido o papel fundamental que o PCP teve no desenvolvimento da luta contra a ditadura fascista durante os 48 anos da sua duração, pela continuidade, amplitude e coragem que marcou a sua intervenção.
Mas num balanço do que foi a resistência e a luta do povo português contra a ditadura, justifica-se que, para além da referência a alguns dos momentos em que a intervenção do PCP foi mais relevante para o desenvolvimento dessa luta, se refiram também questões de como e porquê o PCP teve esse papel, e as formas, as características e as orientações que marcaram o seu protagonismo.

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Moçambique: Afonso Dhlakama diz que a Frelimo copiou governação portuguesa

Afonso Dhlakama diz que a Frelimo copiou governação portuguesa 
 
“Eu não critico Samora, Chissano e nem ao Guebuza…” – Afonso Dhlakama 
 
“Frelimo apenas se preocupa em colocar a riqueza nos locais onde vivem os seus chefes, esquecendo-se por completo do próprio povo que os elege” 
 
Nampula (Canalmoz) - O presidente da Renamo e candidato pela quarta vez às eleições presidenciais que este ano serão a 28 de Outubro próximo, Afonso Dhlakama, disse na cidade de Nampula, que o partido Frelimo copiou o modo de governação português logo após a independência do país. Concretamente, Dhlakama pretendia fazer passar a ideia de que quando faz críticas ao governo, não está a insurgir-se contra os governantes, mas, sim, contra o sistema de governação adoptado. “Eu não critico ao Samora, Chissano e nem ao Guebuza, mas, sim, o modo de governação que eles, a Frelimo, adoptaram dos portugueses”.

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“Fiz parte do conhecido pelotão com sorte” (António Garcia - Angola 1973/75)

Combateu em Angola

“Fiz parte do conhecido pelotão com sorte”

No meu grupo não houve baixas mas sofremos muitas emboscadas. Numa deslocação encontramos camaradas mortos devido à explosão de uma mina.

Estávamos no final de 1973 e já não ia passar o fim-de-ano com a família. A partida para Angola estava marcada para 28 de Dezembro. Já namorava com aquela que viria a ser a minha esposa. Custou a ir mas tinha de ser, não se podia dizer que não à Pátria. Eu era apontador de morteiro, uma arma de tiro curvo e fogo potente capaz de abater alvos desenfiados ou em contra-encosta. Tinha de regular onde a granada iria cair e mandar tudo pelos ares.

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“Se demos um tiro foi apenas para caçar” (Duarte Silva Marques, Angola 1973/1975)

Em Angola sem combater

“Se demos um tiro foi apenas para caçar”

Sorte. Passámos por muitas dificuldades mas nunca estivemos frente a frente com o inimigo. Regressaram todos os camaradas da companhia.

Numa travessia pelo meio da mata, desde o nosso aquartelamento até à Companhia de Comando e Serviços (CCS), a uns 30 quilómetros, perdemo-nos e ficámos sem comida – tínhamos atirado fora as rações de combate, porque não gostávamos delas. Chegámos a um ponto em que nem sequer havia comunicações, o nosso rádio não funcionava, e dissemos uns aos outros que se o inimigo aparecesse até à mão nos agarrava. Alguns camaradas nem reacção teriam para puxar pela espingarda, quanto mais disparar.

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“Casámos com duas irmãs após o regresso” (António Feliciano - Angola 1973/1975)

A Minha Guerra: Cunhados em Angola

“Casámos com duas irmãs após o regresso”

Revolução. Soube do 25 de Abril por um camarada que ouviu na rádio. Era condutor e, apesar de ser uma função perigosa, não tive grandes problemas.

Parti de avião para Luanda a 20 de Outubro de 1973. A minha companhia era liderada pelo capitão Manuel Pinho, de Ovar. Os quatro pelotões totalizavam 110 militares, a que se juntaram, em Angola, mais 40 africanos. Eu estava no terceiro pelotão, chefiado pelo alferes José Marques, de Loures. Seguimos para Grafanil, onde se concentrava a tropa quando chegava. Ali permanecemos uma semana até sermos enviados para Santa Eulália, uma zona de mato, onde a guerra começou em 1961.

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Moçambique: Luta armada põe veteranos às turras

Luta armada põe veteranos às turras 
 
Chipande insiste na “legalidade” dos dirigentes da Frelimo serem ricos 
 
Jorge Rebelo condena as afirmações do velho guerrilheiro Maconde, enquanto que Mariano Matsinhe e Sérgio Vieira dizem que o “general” terá sido mal entendido 
 
Maputo (CanalMoz) – O general na reserva, Alberto Joaquim Chipande, tido pelos autores dos manuais escolares oficiais ainda em uso em Moçambique, como o homem que deu o “primeiro tiro” que tornou irreversível a insurreição contra o colonialismo português pela Independência Nacional, alegadamente em Chai, a 25 de Setembro de 1964, no que é agora a província de Cabo Delgado, voltou a reafirmar, ontem, durante a abertura da Quarta Reunião Ordinária do Comité Central do Partido Frelimo, o direito dos “antigos combatentes” da luta de libertação armada “serem ricos”.
As afirmações de Chipande, foram ontem proferidas e noticiadas como manchete no noticiário da televisão privada STV.
Chipande, no estilo de um “general” que não recua em combate, respondia a perguntas de insistência. Queriam saber dele, se mantinha o mesmo posicionamento de há duas semanas, aquando da apresentação dos novos corpos gerentes do Corredor de Desenvolvimento do Norte (CdN), onde foi entronizado, como novo presidente do Concelho de Administração do CdN o proeminente jovem “empresário de sucesso”, Celso Correira.
“Mantenho tudo o que disse e repitam, de dois em dois minutos, de hora em hora e de semana a semana”, afirmou peremptório o general frelimista do Planalto de Mueda e ex-ministro da Defesa de Samora Machel.

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“SE NECESSÁRIO O EXÉRCITO ATIRARÁ SOBRE OS COLONOS BRANCOS” (MÁRIO SOARES, 1974)

“SE NECESSÁRIO O EXÉRCITO ATIRARÁ SOBRE OS COLONOS BRANCOS” (MÁRIO SOARES, 1974)

Entrevista a Mário Soares, Ministro dos Negócios Estrangeiros português Mário Soares sobre a descolonização em África.

SP – Sr. Ministro, o Governo Provisório está em vias de conceder a independência às colónias da Guiné-Bissau, Angola e Moçambique. Há portugueses que se interrogam se este Governo de Transição, que não foi eleito pelo povo, mas empossado por um golpe militar, tem legitimidade para tomar uma decisão tão histórica.

MS – Isso nos perguntámos logo a seguir à revolução de 25 de Abril. Ponderamos se a descolonização se deveria fazer apenas após eleições regulares. Mas verificou-se que o problema era candente, que dificuldades e demoras surgiam no processo. E assim convencemo-nos que precisávamos de nos apressar.

SP – Há portugueses que julgam que o Sr. se tenha apressado demais – como em tempos os belgas ao se retirarem do Congo.

MS – Estamos há 3 meses no governo, e entretanto fizemos contactos e progressos, mas não creio que tenhamos sido demasiado apressados. Pelo contrário. A situação em Angola, que nos últimos tempos se tornou explosiva, prova que talvez não tivéssemos andado suficientemente depressa.

SP – Sobre as condições de independência o Sr. negoceia exclusivamente com os movimentos de libertação africanos. Na sua opinião eles são os únicos legítimos representantes das populações nas colónias?

MS – Bem, se quisermos fazer a paz – e nós queremos sem demora a paz – temos que falar com os que nos combatem. Isto não implica uma avaliação política ou ética dos movimentos de libertação, mas resulta da apreciação pragmática de determinada situação. E quem nos combate na Guiné? O PAIGC. Assim temos de falar com o PAIGC. Quem nos combate em Moçambique? A Frelimo. Assim temos de falar com a Frelimo.

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Entrevista a Leonor Figueiredo e Pré-publicação do seu livro “Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”

Entrevista a Leonor Figueiredo e Pré-publicação do seu livro “Ficheiros Secretos da Descolonização de Angola”

“Quiseram correr com os brancos de Angola”

O pai desapareceu em angola há 34 anos. A filha investigou e escreveu um livro que revela uma rede de prisões clandestinas E uma lista oficial de nomes de portugueses desaparecidos.

Já conseguiu fazer o luto do seu pai?

Acho que este livro me veio ajudar a fazê-lo. Conheço pessoas que nunca fizeram o luto de um familiar desaparecido. Nem conseguem abordar o assunto. Estou muito satisfeita por falar no meu pai e nas muitas vítimas desconhecidas e escondidas da descolonização de Angola que descobri. Passou muito tempo. Quando era adolescente, nem queria falar no assunto porque pensava que o que tinha acontecido ao meu pai era uma coisa extraordinária. Mas não. Houve muitas centenas de portugueses que foram vítimas da guerra política em Angola.

Publica uma lista inédita, do MNE (Ministério dos Negócios Estrangeiros), com mais de duas centenas de nomes de portugueses desaparecidos em Angola. Como pode ter sido abafada tantos anos?

A pasta tinha sido desclassificada há pouco tempo. E mesmo assim não estavam lá os documentos todos. Nos arquivos do nosso Estado, há muitas coisas que não podes consultar. São secretas; são muito secretas. E portanto, nunca virão à leitura do público. Esta, por acaso, foi desclassificada e eu tive a sorte de dar com ela, porque ia precisamente à procura do meu pai.

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Guiné-Bissau: Repressão colonial no Pindjiguiti há 50 anos precipitou início de luta armada

Guiné-Bissau: Repressão colonial no Pindjiguiti há 50 anos precipitou início de luta armada       

Lisboa, 02 Ago. (Inforpress) – O protesto laboral ocorrido faz 50 anos nesta segunda-feira na Guiné-Bissau, que passou à história como “Massacre do Pindjiguiti”, precipitou o início da luta armada contra a presença colonial portuguesa.

Em causa estava o protesto dos marinheiros e estivadores assalariados da Casa Gouveia, ligada ao grupo CUF e uma das empresas mais importantes da então colónia portuguesa da Guiné, em reivindicação de uma actualização salarial numa manifestação reprimida pelas autoridades, e que deixou na baixa de Bissau um número de vítimas mortais variável conforme as fontes consultadas.

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Guebuza inaugura amanhã, entre Caia e Chimuara no Rio Zambeze, ponte com o seu próprio nome

Amanhã entre Caia e Chimuara no Rio Zambeze 
 
Guebuza inaugura ponte com o seu próprio nome 
 
* Entretanto, prossegue a controvérsia da escolha do nome do actual presidente da República
 
 
Pelo menos uma centena de cidadãos moçambicanos subscreveu uma carta que circula na Internet a repudiar a atribuição do nome do que também é presidente da Frelimo, àquele empreendimento. “Somos pelo não endeusamento e pelo não culto de personalidades exercendo cargos públicos. Gostaríamos que V.Excia entrasse na história não como Salazar, Mussolini, Hitler e outros, que deixaram seus nomes estampados em obras de envergadura, mas que depois da sua morte tais empreendimentos mudaram de nomes”. – Excerto da Carta Aberta dirigida ao PR 

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Carta a um caro e estimado amigo e camarada sobre a segunda Travessia do Rio Zambeze (Canal de correspondência: por Carlos Nuno)

Canal de correspondência: por Carlos Nuno
 
Carta a um caro e estimado amigo e camarada sobre a segunda Travessia do Rio Zambeze
 
 
Maputo (Canalmoz) - Levantou-se um debate polémico em torno do nome da ponte sobre o Zambeze. Nem outra coisa seria de esperar, dados quatro factores: (i) o nome escolhido (o do Presidente da República, Armando Emílio Guebuza, controverso pelos seus métodos de governação e ligações activas com o mundo de negócios); (ii) o contexto político em que o nome foi escolhido (fim de mandato de uma governação absolutista, com um ambiente de crescente lambe-botismo e carreirismo e crescente culto de personalidade, conjugados com o ciclo eleitoral em que nos encontramos); (iii) a forma como a escolha foi feita (a única, ou uma das raríssimas sessões do Conselho de Ministros não presididas pelo PR neste mandato, em que foram rejeitadas opções claramente mais neutras e unificadoras sem qualquer justificação aceitável; seguida da declaração de irreversibilidade da escolha, a qual, por si só, é um reconhecimento de que existe um problema com a escolha); e (iv) o significado e o simbolismo histórico da travessia do Zambeze (esforço colectivo de gerações de Moçambicanos combatentes libertadores, simbolizando que enquanto o colonialismo tudo fez para impedir a travessia do Zambeze, os Moçambicanos livres e combatentes tudo fizeram para promover a justa e livre travessia desse majestoso Rio).

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Combatentes da Fortuna (Azagaia)

Canal de Música: por Azagaia 
 
Combatentes da Fortuna 

Maputo (Canalmoz) – O jovem rapper moçambicano, Edson da Luz, de seu nome artístico Azagaia, continua a surpreender com a temática das suas músicas. Um crítico confesso do regime no poder em Moçambique, Azagaia já foi alvo de censura dos órgãos públicos de comunicação social. As suas músicas não tocam nas estações públicas, quer televisiva, como radiofónicas. No extremo da censura, foi chamado para depor em autos de perguntas e respostas na Procuradoria Geral da República, alegadamente por ter interpretado uma música que incitava à violência. Mas o jovem não pára. Agora trás um novo tema, cujo título é “Combatentes da Fortuna”. Pela sua originalidade, reproduzimo-lo aqui.

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MP3 - Angola, 1975. “Avante o Poder Popular”, por Calabeto

Angola, 1975. “Avante o Poder Popular”, por Calabeto

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Moçambique: Encerrada em Outubro de 1975, “LM Radio” planeia reiniciar transmissões

Encerrada em Outubro de 1975 
 
“LM Radio” planeia reiniciar transmissões
 
 
Pretoria (Canal de Moçambique) - Tudo indica que estão em curso planos para reabrir a famosa rádio comercial, “LM Radio”, que durante cerca de quatro décadas transmitiu a partir da antiga cidade de Lourenço Marques. A julgar pelas informações disponíveis na página oficial da “LM Radio” na Internet, e o facto de já existir um canal registado com esse nome na grelha de estações radiofónicas que transmitem por via satélite através do sistema DSTV da Multichoice, a popular rádio comercial, encerrada pelo governo moçambicano a 12 de Outubro de 1975, poderá voltar a estar no ar a breve trecho.
Também designada por “Programa B” do antigo Rádio Clube de Moçambique (que depois da independência passou a designar-se de Rádio Moçambique), a “LM Radio” transmitia 24 horas ao dia, sete dias por semana, em línguas inglesa e africânder, sendo a sua programação constituída fundamentalmente por música moderna. Tratava-se de um serviço radiofónico comercial altamente lucrativo, cujas receitas eram uma importante fonte de receita do Rádio Clube de Moçambique. Destinada ao auditório sul-africano, a “LM Radio” era, no entanto, bastante popular entre a camada jovem de Moçambique e de outros países vizinhos dadas as suas características ímpares como estação emissora em cima dos acontecimentos do mundo da música moderna.

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A LUCIDEZ DE MÁRIO SOARES - Este é o maior fracasso da democracia portuguesa

Eis parte do enigma. Mário Soares, num dos momentos de lucidez que ainda vai tendo, veio chamar a atenção do Governo, na última semana, para a voz da rua.
A lucidez, uma das suas maiores qualidades durante a sua longa carreira politica.
A lucidez que lhe permitiu escapar à PIDE e passar um bom par de anos, num exílio dourado, em hotéis de luxo em Paris.
A lucidez que lhe permitiu conduzir da forma “brilhante” que se viu, o processo de descolonização.
A lucidez que lhe permitiu conseguir que os Estados Unidos financiassem o PS durante os primeiros anos da Democracia.
A lucidez que o fez meter o socialismo na gaveta durante a sua experiência governativa.
A lucidez que lhe permitiu tratar da forma despudorada amigos como Jaime Serra, Salgado Zenha, Manuel Alegre e tantos outros.
A lucidez que lhe permitiu governar sem ler os “dossiers”.
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Moçambique tem uma economia saudável (António Matonse, embaixador de Moçambique em Angola)

António Matonse, embaixador moçambicano em Angola
O embaixador de Moçambique em Angola anunciou que o seu país já está a preparar os próximos actos eleitorais

Entrevista: Moçambique tem uma economia saudável

Jornal de Angola – Que avaliação faz destes 34 anos de independência de Moçambique?

António Matonse – Aos 34 anos, Moçambique é hoje um país estável, reconciliado, de harmonia política e social, em franco crescimento, que conhece há vários anos uma saudável e encorajadora estabilidade macroeconómica, profundamente inserido na África Austral e nas aspirações desta sub-região do continente. Hoje, Moçambique está no concerto das nações, luta  por um mundo melhor, próspero e de igualdade.
JA – Como é que os moçambicanos estão a preparar as próximas eleições?
AM – O Presidente da República de Moçambique, Armando Emílio Guebuza, formalizou a semana passada, em Maputo, a sua candidatura à Presidência da República nas eleições presidenciais que se realizam no dia 28 de Outubro de 2009. O povo, o Governo e os partidos políticos moçambicanos estão a preparar-se para as eleições legislativas. A preparação inclui a actualização do registo eleitoral e a formação de brigadistas eleitorais. Os partidos políticos estão a realizar os seus congressos para eleger os candidatos às presidenciais e às legislativas. O governo moçambicano e os órgãos eleitorais estão a criar as condições financeiras, materiais e humanas para que o quarto pleito decorra bem e sem problemas. No mesmo dia vão ocorrer, também, as primeiras eleições para as assembleias provinciais, depois de 1994. 

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DIGITAIS: DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA - O MALOGRO DE DOIS PLANOS (CARLOS DUGOS, 1975)

DIGITAIS:  DESCOLONIZAÇÃO PORTUGUESA - O MALOGRO DE DOIS PLANOS (CARLOS DUGOS, 1975)

@XicoNhoca

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