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Basil Davidson: Espião, resistente anti-fascista, repórter e historiador de África

Basil Davidson: Espião, resistente anti-fascista, repórter e historiador de África

Basil Risbridge Davidson não foi um santo, tipo o que evoca a figura do herói Ernesto Che Guevara. Não foi um Tarzan, deambulando pelas selvas de África, nem tão-pouco um missionário de uma estranha confissão religiosa que evangelizou o continente à expensa da sua terra, da sua cultura, sangue e riqueza.

Não foi um neo-colonialista, que em nome do FMI ou do Banco Mundial passava a prescrever receitas expiradas para todas as enfermidades africanas. Antes, Davidson foi um intelectual comprometido, que estudou e escreveu honestamente sobre África e os seus povos, sobre a sua história ancestral e contemporânea, sobre os seus ancestrais; sobre lideres africanos convictos tais como Samora Machel e criminosos como Mobutu Sesse Seko.

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DIGITAIS - MOZAMBICAN WOMAN IN THE REVOLUTION

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@XicoNhoca

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DIGITAIS - MOZAMBIQUE: DREAM THE SIZE OF FREEDOM

DIGITAIS - MOZAMBIQUE: DREAM THE SIZE OF FREEDOM

GEORGE HOUSER & HERB SHORE (1975)

@XicoNhoca

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DIGITAIS: ASPECTS OF THE MOZAMBICAN STRUGGLE (FRELIMO)

DIGITAIS: ASPECTS OF THE MOZAMBICAN STRUGGLE (FRELIMO)

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DIGITAIS - WITH THE GUERRILLAS IN ANGOLA (DON BARNETT)

DIGITAIS - WITH THE GUERRILLAS IN ANGOLA (DON BARNETT)

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Porque falar do Aquino de Bragança (AB)? por Jacques Depelchin

in pambazuka.org

2008-04-19, Edição 1

Neste primeiro número do Pambazuka News em língua portuguesa, Jacques Depelchin fala-nos de um intelectual orgânico como Aquino de Bragança,num ensaio biográfico e apaixonante.

Num contexto em que a globalização deixa cada vez menos espaço para pensar fora dos paradigmas ditados pelo sistema, é crucial lembrar uma personalidade que conseguiu fazer da sua vida um exemplo de fidelidade à politica emancipativa, sem cair, como gostava repetir, no Marxismo de cartilhas.

Não era o único, houve outros, como por exemplo, Mário Pinto de Andrade, que se lançaram no projecto de libertação da África colonizada por Portugal, decididos à não cair na armadilha (quer dizer submissão) às regras dos partidos comunistas das metrópoles dos colonizadores.

A grande paixão politica e intelectual do AB era de sempre procurar respostas singulares aos desafios não só do momento, mas também do futuro. Queria fazer do CEA não só uma instituição dedicada à resolver os problemas imediatos de Moçambique, como, por exemplo, a falta de quadros, mas também procurar aliados em zonas, países que pudessem apoiar num processo de emancipação que ele considerava crucial para África Austral, mas também do mundo inteiro. Partilhava a ideia (que se podia ler num cartaz daquela época) que o Apartheid era crime contra a humanidade.

Com Nehru. Aquino é o 2º a contar da direita

Para ele o projecto emancipativo necessitava romper com hábitos de pensar que a humanidade era só aquela que vinha directamente do iluminismo ou de qualquer outra ideologia que tratava os Africanos e dentro deles, sobretudo os mais pobres, camponeses, operários, crianças, mulheres. BREF, como costumava dizer, a obrigação/fidelidade era de ser solidário com os discriminados/danados da Terra. O projecto emancipativo, pertencia ao mundo inteiro e tinha que ser entendido como tendo a sua origem nos primórdios da humanidade; não podia ser mantido refém de qualquer modo de teorização ou de conivência politica e/ou ideologica. Neste sentido, ele pertencia aos que pensavam que o comunismo não pertencia ao modelo que surgiu nos últimos séculos, mas sim aos que sempre viveram, sem equívocos, com base nos princípios de solidariedade. Numa altura em que a cooperação Sul-Sul não se tinha tornada moda, ele convidou um estudante Brasileiro (1981-84) para vir pesquisar (para doutoramento) sobre a historia de Moçambique. Um dos frutos desta visão saiu em 2007 com a publicação do livro de Valdemir Zamparoni: De Escravo a Cozinheiro: Colonialismo e racismo em Moçambique (EDUFBA/CEAO, Salvador, Brasil). Seremos capazes de continuar nos seus traços fora das cartilhas de historia? Descartilhando a historia da África para que seja fiel a historia da humanidade?

Sou anti-anti-comunista

Assim se definia politicamente Aquino de Bragança. Ele nasceu em Goa onde, aos 15 anos de idade, tornou-se membro dum dos múltiplos partidos comunistas. Em 1948 seguiu para Moçambique, enquanto o seu amigo Pio Pinto parou em Mombasa. Em 1949 vai para França, onde encontrara Marcellino dos Santos, futuro grande amigo.

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Canal de Opinião, por Luís Benjamim Serapião(*): “Participei, por isso Testemunho”

Sérgio Vieira: Autor de Livro Sem Valor Académico e Moral 
 
Washington (Canalmoz) - Acabo de ler o capítulo seis, “ A União Nacional dos Estudantes Moçambicanos (UNEMO) e a luta patriótica”, do livro Participei, por isso Testemunho de autoria de Sérgio Vieira. Pelo título, o autor quer convencer os leitores de que o que vai dizer é verdade, e que não necessita de outras fontes literárias para corroborar a veracidade das suas afirmações: ele é a fonte primária, podendo os leitores estar seguros. Porém, quando se lê o capítulo seis, não restam dúvidas de que Sérgio Vieira é academicamente muito superficial e com moral muito lamentável. Por falta de tempo e espaço, vou reduzir o sumário desse capítulo aos seguintes comentários.

1 – Sérgio Vieira pretende passar por “fonte primária” do incidente que houve entre D. Custódio Alvim Pereira e os seminaristas da Namaacha.

Diz ele que a maioria dos estudantes moçambicanos (principalmente da década de sessenta) que emigrou para os Estados Unidos era constituída por ex-seminaristas “expulsos do seminário da Namaacha por D. Custódio Alvim Pereira”. (p. 171) Infelizmente, Sérgio Vieira nunca foi fonte primária deste incidente. O pior é que a sua ignorância quanto às regras por que se regia o seminário interdiocesano da Namaacha levou-o a concluir que D. Custódio Alvim Pereira foi quem expulsou os seminaristas. Ora, conforme as regras acima mencionadas, D. Custódio Alvim Pereira não tinha jurisdição para expulsar nenhum seminarista que não fosse da sua diocese. Por isso, D. Sebastião Soares de Resende, Bispo da Beira, que tinha seminaristas seus a estudar na Namaacha, deslocou-se a este seminário para se inteirar do incidente. O interessante é que D. Sebastião falou muito amigavelmente com os seus estudantes, e não expulsou ninguém. Por sua vez, D. Custódio Alvim Pereira também não expulsou os dois seminaristas da sua própria diocese e que estavam envolvidos no caso. Note-se, que estes dois estudantes nunca emigraram para os Estados Unidos. Para o leitor poder ter uma ideia mais pormenorizada do caso, recomendo um artigo de minha autoria, intitulado “ The preaching of Portuguese Colonialism and the Protest of the White Fathers” (ISSUE a Journal of Opinion Vol. II, No.1, Spring 1972: 34 – 40.) Esta é uma das revistas publicadas pela Associacão de Estudos Africanos (African Studies Association) dos Estados Unidos.

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Um livro a todos os títulos surrealista (Editorial Canalmoz)

Editorial 
 
Um livro a todos os títulos surrealista
 
 
Maputo (Canalmoz) - Continua a ser notícia o lançamento, ainda há pouco, de um volumoso livro de memórias assinado por um veterano das lides nacionalistas. Multiplicam-se opiniões, chocam-se pontos de vista, vindos de pessoas de todos os quadrantes, umas mais exaltadas do que outras, havendo também os mais comedidos e objectivos na opinião que emitem. Realçam, uns, o exagero e as imprecisões do autor. Outros realçam a protagonização exagerada, acabando tudo isso – e outras coisas mais – por suscitar, na mente do leitor, reticências e dúvidas quanto a factos empolgantes por ele narrados de forma apaixonada.
Na essência, este livro de Sérgio Vieira, também conhecido entre antigos presos políticos como o “coronel das beatas”, trata-se de um livro surrealista. Um brilhante causídico, que se evidenciou em Moçambique pela oposição consequente ao salazarismo, regime totalitário alicerçado num partido único e numa polícia política, prefacia, em tons reverenciais a resvalar para a lisonja, um autor que representa uma das faces mais visíveis de um totalitarismo que assentou igualmente num partido único e numa polícia política, e cujos traços permeiam ainda a sociedade moçambicana.
O prefaciado, porém, sente-se no direito de condenar o salazarismo, embora, quando teve poderes de governação, tenha seguido o exemplo desse regime. Os comandos das forças repressivas de Salazar eram “meninos de coro” quando comparados com o “coronel das beatas”.

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Artistas que passam e não esquecem

Opinião - por Paulo Oliveira

Ainda a propósito do livro de Sérgio Vieira ‘Participei, por isso testemunho…’

Há artistas que passam e não esquecem. Não, não me refiro aos do cinema, teatro, ou circo. Há-os muito mais acrobatas e que como carraças se agarram aos folhos da História, como estadistas ou como meros escrivões de um regime.

Penso a propósito disto de papéis da vida, nuns versos de um poeta e astrónomo, escritos na Pérsia do século XII, Omar el Khayyam [Omar, O Construtor de tendas - em tradução]. Curiosamente, o nome do hotelzito onde acabei por ficar uns quatro dias há cerca de uma dezena de anos, em Mahalla Al-Koubra, Gharbia, no centro do delta do Nilo, ao norte do Cairo: ‘Nós somos as marionetas; E o Céu o grande marionetista; Na realidade e não apenas em metáfora; Por um breve momento; Surgimos sobre o palco; Depois, um por um, retornamos; À caixa. Do nada…’

Antes de descobrir e ler o Samarcanda, de Amin Malouuf, que muito gira em torno da vida do citado poeta e astrónomo persa, conheci essa visão de Khayyam através de uma das obras de um físico e escritor canadiano contemporâneo, o Hubert Reeves [Um pouco mais de azul; Poeira de estrelas; e ‘Hora de se inebriar’ / Hora do deslumbramento - numa das traduções portuguesas]. Reeves inebria-nos e deslumbra-nos com todo o Universo espectacular, o Cosmos sem fim, os contorcionismos das partículas, da matéria, do tempo. Mas aqui e agora, interessa-nos sobretudo o contorsionismo das pessoas e das suas ‘estórias’.

Por vezes os pretensos cronistas preferem uma visão algo caleidoscópica, extremando uma certa inebriedade, de certa forma fazem-lo conscientemente. Pegam na estória e reviram-na, e ela enrola-se e desenrola-se, ensarilham-na numa memória espiralada e confusa, transmutam a memória colectiva que se pretende confundir, pela omissão, pelo apagão, pela deturpação, pela desculpa habilidosa, por vezes quase conseguida.

Vem isto a propósito de mais alguns episódios da grande ‘estória’ recente moçambicana e, no fundo, algo comum à grande ‘estória’ dos novos países da África Austral que falam o português. Quer o cabeça de série nesta peça se chame Dudu ou Guebusiness. Ou ministros mais ou menos recentes.

E tal estória só demonstra como o poeta, matemático e astrónomo persa do século XII, o tal Omar Khayam, escreveu certo naqueles poucos versos de um dos poemas do Rubáiyát, um livro em que reflecte sobre a natureza humana, enaltece o vinho e, no fundo, a inebriedade pessoal ou colectiva. Retrata não só o papel de cada um, o efémero dos homens, mas também, afinal, o das verdades e o da história feita. E constatamos, como esses papéis por vezes mudam sem despudor, na história actual. Para que o artista permaneça.

E quando os artistas não obedecem ao guião? Mu

da-se o artista. Daí, o revolucionário que perece. Ou o revolucionário que é absorvido pelo regime global. Pela ‘nova ordem mundial’. O revolucionário trasmuda-se em homem de negócios, em corrupto vendilhão do seu país e gentes. Submete-se aos rabínicos ‘alquimistas’ da alta finança internacional, aos grandes marionetistas do presente, que da Galileia infestaram Nova Iorque e os vários centros do Poder.

Encontramos estes artistas nas suas duas estirpes. Em Moçambique, Machel, tal como Salazar, surgiu, foi idolatrado por alguns, amado por muitos, odiado por muitos outros. Inflexível, incorrupto, impoluto. Podia-se não gostar do homem mas há que lhe reconhecer a verticalidade, mesmo que brutal, a honradez e a honestidade na defesa daquilo a que se propôs, a sua terra a sua gente, mesmo que por ínvios caminhos. Foi ’substituido’. Quanto à outra estirpe, a dos mutantes, é a dos ’sobreviventes’, os novos e actuais cabeças de cartaz, na ‘pérola do Índico’, ou à beira da baía de S. Paulo de Luanda. Claro que é deles que falamos. Que mais dizer destes novos vendilhões do templo? Talvez seja a senda que encontraram para entrarem e reentrarem repetidamente em cena e adiarem a ida para o caixote do lixo da História.

O livro acabado de editar por Sérgio Vieira - nascido na próvíncia nortenha de Tete, irmão do ’socialite’ português José Castelo Branco, membro dos estudantes do Império, revolucionário de mão cheia e de alguma memória vazia, antigo ministro da Segurança de Samora Machel - “Participei, por isso testemunho…” fala dessas ‘artes’ e ‘artistas’, pode aflorar e ajudar a explicar alguns factos. Mas deixa um vórtice imenso, um abismo de omissões, como aquelas sobre a ‘Operação Produção’ que levou à deslocação forçada e à morte de dezenas de milhares de pessoas. Noutras latitudes chama-se a isso ‘genocídio’ quando interessa politicamente fazê-lo. Não deixa assim, esta obra, de ser um vaso de mau vinho nesta inebriedade colectiva da ‘estória’ contemporânea moçambicana, e não faz jus, decerto, à figura grande de estadista do seu antigo chefe Samora Machel que, apesar dos defeitos, sabia assumir e defender a gravidade do que protagonizava. Mas Vieira passou habilmente de substituível a adaptável sobrevivente nesta nova ordem das coisas.

Assim, escolhida essa via desculpabilizante e amnésica, em vez do rigor que se esperava de tal escrito, resta o humor, do seu irmão e também artista, mas de outras lides, o José Castelo Branco, e as suas diatribes em Portugal.

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Costa Martins: 25 de Novembro e outras mentiras

in Pravda.ru 

(relembre-se que o Coronel Costa Martins faleceu há dias no Alentejo num desastre aéreo) 

“Não sou democrata de 26 de Abril, fui sempre democrata, no antigamente sofri as consequências e curiosamente vim a sofrer consequências ainda mais dolorosas depois do 25 de Abril, mais particularmente a partir do 25 de Novembro.

Até ao 25 de Novembro não tive razões de queixa, viveram-se momentos importantes de liberdade, houve vários excessos com alguns símbolos negativos com os quais eu não estava de acordo, e parece-me que foram alguns desses excessos que ajudaram a desembocar no 25 de Novembro, onde, estou convencido, que a esmagadora maioria dos próprios intervenientes de Novembro e ganhadores a seguir, entraram nele sem terem consciência daquilo em que estavam a participar. Foram enganados, muitos deles têm lamentado junto de mim, e infelizmente o país foi conduzido à situação em que nos encontramos.”

“Estamos numa situação muito difícil, complicada e de difícil saída… não acredito nessas recuperações maravilhosas da economia do país, anunciadas por alguns… nós cá estaremos para ver”.
- O que deu origem ao 25 de Novembro de 75 e o que se passou com o anunciado desaparecimento da verba do dia de trabalho oferecido pelos trabalhadores ao país, já que nessa altura o senhor era ministro do Trabalho?

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