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‘Mafalala Blues’, ideia conceptual de Noémia de Sousa, teve visita do 1º ministro moçambicano

Preservar locais históricos para não desaparecerem - Primeiro-Ministro, na visita à instalação “Mafalala Blues” / Maputo, Quinta-Feira, 12 de Agosto de 2010:: Notícias 
O PRIMEIRO-MINISTRO, Aires Ali visitou ontem a exposição/instalação “Mafalala Blues” produzida pela jovem antropóloga Camila de Sousa, patente desde finais de Junho no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo. A instalação é composta por três casas, com as respectivas ruas e becos, um vídeo e fotografias, trazidas para aquela galeria, cada uma com a sua história, como resultado de dois anos e meio de pesquisas efectuadas no Bairro da Mafalala.
Produzida a partir da ideia conceptual dos poemas de Noémia de Sousa – tia-avó de Camila de Sousa – a instalação faz uma viagem pela Mafalala dos anos 40/50 e 60, reproduzindo a história social, cultural e política de Moçambique a partir daquele espaço enquanto centro-nervoso e berço do nacionalismo moçambicano. Mas também, Camila de Sousa traça o presente que conhece e vive e indaga sobre o futuro do país e do mundo, partindo de acções de ontem e de hoje da Mafalala.
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SONS DA RÁDIO PARALELO 27 - UMA RÁDIO PORTUGUESA QUE EMITIA DE JOHANNESBURGO, ÁFRICA DO SUL

Algumas canções,  oito aqui, de uma colectânea de 24 músicas que passavam regularmente na Rádio Paralelo 27 em meados / finais dos anos ‘70. Fazem parte de uma compilação de dois discos em vinyl, digitalizados depois em CD. Aqui, em mp3, estão com qualidade 320 kbps.

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A CPLP «não serve para nada» - diz Vasco Graça Moura

O escritor Vasco Graça Moura considera que a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) é uma espécie de organização fantasma, “que não serve para rigorosamente nada”, a não ser “ocupar gente desocupada”. “O Instituto Internacional da Língua Portuguesa não está em funcionamento porque nenhum dos países membros da CPLP lhe dá meios para o fazer”, diz o escritor e também poeta, a propósito da VIII Cimeira de chefes de Estado e de Governo da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), na sexta-feira, em Luanda (Angola).

“Isto corresponde a uma coisa chamada CPLP, que é uma espécie de fantasma que não serve para rigorosamente nada, que só serve para empatar e ocupar gente desocupada”, acrescentou.

Para o escritor, o IILP “é uma entidade fantasma criada dentro de outra entidade fantasma.” Na cimeira de Luanda, será analisada a aprovação da reestruturação do IILP e também de um plano de ação para a projecção internacional do português.

“Não se nota que exista qualquer espécie de política da língua da parte do Governo português e nota-se, da parte da mesma entidade, uma enorme estupidez na forma de tratar a língua, no que diz respeito ao Acordo Ortográfico”, disse o escritor.

Vasco Graça Moura, que é uma das vozes contrárias ao Acordo Ortográfico por considerar que este tem deficiências e erros que lesam o Português, considera que o Governo está a cometer um crime contra a língua portuguesa.

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A Dualidade do Ser - poesia, por Jorge Rebelo

A DUALIDADE DO SER 
 
“Ensinar a não calar, a não ter medo, partilhar a emoção de fazer bem, fazer acordar a consciência, impulsionar a Viragem”
 
Maputo (Canalmoz) – Do ex-combatente da Luta de Libertação nacional, ex-ministro da Informação, ex-Secretário do Trabalho Ideológico do Bureau Político do Partido Frelimo, publicamos a seguir o poema ‘A DUALIDADE DO SER’, a “ensinar a não calar, a não ter medo, partilhar a emoção de fazer bem, fazer acordar a consciência, impulsionar a Viragem”:

A DUALIDADE DO SER

COSTUMO assistir, nunca falto a estas cerimónias (quando me convidam).

A de ontem então foi empolgante:
Muito faustosa, muitas figuras,
ouvimos discursos laudatórios,
patrióticos, exalando saber e rectidão.
Adorei.

Mas outra parte de mim estava distante,
indiferente, alheio a tudo. Queixava-se:

“Vamos embora.
Estes ambientes pomposos incomodam-me,
Fico perdido
perco-me no ar morno dos salões
nos apertos frouxos das mãos
nos sorrisos pré-fabricados,
nunca sei qual a linguagem certa
as vénias que de mim se esperam.
- Ai as vénias! - diz ele. Mal-aventurado
quem as inventou.
Porque, escuta bem: as vénias não são só
a curvatura do corpo.
Também a alma - a tua alma - se curva.”

Não liguei.
EU não arredei pé.
Até ao fim, hirto, solene
bati palmas, entoei loas
orgulhoso por ser parte
da ilustre nomenclatura.

Mas o outro em mim não se conforma.
Zanga-se:

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Promoção do português: Melhor estratégia precisa-se

Promoção do português: Melhor estratégia precisa-se

A promoção da língua portuguesa precisa de uma “estratégia melhor concertada” e de uma “grande cooperação entre os países”, defendeu durante o fim-de-semana o secretário de Estado Adjunto do Primeiro ministro cabo-verdiano.

“A língua precisa de ser promovida, precisa, se calhar, também de uma estratégia melhor concertada, de compromissos muito fortes”, afirmou à LUSA Humberto Brito, no final da visita ao pavilhão de Portugal na Expo 2010, em Xangai, na China.

Ao falar sobre a cimeira da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), que se realiza na sexta-feira em Luanda, Angola, o governante apontou a necessidade “fundamental” de um “grande reforço da capacidade de ensino” e “transmissão da língua portuguesa”, para que a comunicação em português “se faça no futuro muito mais e com muito maior qualidade também”.

Humberto Brito admitiu mesmo a necessidade de um pacto entre os governantes da CPLP “para que a língua, o seu ensino, o seu conhecimento e a sua preservação sejam reforçados”.

A VII Cimeira de Chefes de Estado e de Governo da CPLP, durante a qual Portugal transferirá a presidência da organização para Angola, vai decorrer sob o lema “Solidariedade na Diversidade”.

A anteceder a cimeira, vai ter lugar, a 22, o Conselho de Ministros da CPLP, com a presença dos responsáveis pelas diplomacias dos “oito”.

Entre os temas que vão ser abordados está a política da difusão da língua, a situação na Guiné-Bissau e a possibilidade de a Guiné-Equatorial passar de observador a membro de pleno direito da comunidade.

Humberto Brito, que está em Xangai após ter participado, em Beijing, na primeira Comissão Mista de Cooperação Económica, Comercial e Técnica, onde foram assinados acordos económicos entre Cabo Verde e China, considerou ainda que a CPLP “está muito bem representada” na Expo 2010, acreditando que os países “saem com as suas imagens reforçadas”.

Com exceção de São Tomé e Príncipe, os restantes sete estados da CPLP participam na exposição universal.

Portugal, Brasil e Angola têm pavilhões próprios nas áreas dos respetivos continentes e Moçambique, Cabo Verde e Guiné-Bissau apresentam-se dentro do pavilhão africano, que reúne diversas nações do continente. Timor-Leste está num dos três pavilhões que integram vários países asiáticos.

Na Expo 2010, dedicada ao tema “Better City, Better Life” (Melhores Cidades, Melhor Qualidade de Vida),  participam cerca de 240 países e organizações internacionais.

A exposição universal, a maior de sempre, começou a 1 de Maio e já foi visitada por cerca de 28 milhões de pessoas.

Maputo, Terça-Feira, 20 de Julho de 2010:: Notícias

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«Aerograma» de Afonso Loureiro será publicado ainda este ano

“Não tenho a mínima dúvia em afirmar que se tratará de um marco relevante e incontornável da literatura angolana”, afirma Orlando Castro

«Aerograma», o livro sobre a vida de um expatriado em Angola, será lançado este ano. O autor, Afonso Loureiro, é engenheiro geógrafo e viveu e trabalhou em Angola, país cuja vivência foi partilhando, tentando perceber e explicar como são os angolanos e as suas tradições aos olhos dos estrangeiros. O título do livro é uma palavra envolta em cores e memórias africanas e remete de imediato para o sentimento de separação e partida para uma terra desconhecida e distante, ao mesmo tempo que simboliza uma união com os que ficaram em casa, como o foi para os milhares de militares mobilizados para a guerra ultramarina de há quatro décadas.

Ao longo de dois anos escreveu artigos diários no blogue Aerograma, que agora são usados como matéria-prima para um livro onde traça o seu percurso em Angola, descrevendo o país e as suas gentes ou revisitando memórias de quem lá viveu antes. O choque cultural sofrido em Luanda, cidade difícil, ainda a sofrer as consequências sociais da guerra civil, com corrupção generalizada e uma verdadeira lei da selva a reger os comportamentos dos seus habitantes é uma parte substancial da obra.

Embondeiros e candongueiros, mais-velhos e marcas de outros tempos, lado-a-lado com a tentativa de compreender Angola como país enchem as páginas com factos, histórias e lendas, criando uma imagem do que é a vida na Angola actual.

Mais do que uma descrição, é uma tentativa de perceber o que há em África e, em especial Angola, que enche as memórias de milhares de portugueses de forma tão marcante.

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Prémio LeYa: o primeiro capítulo d´«O Olho de Hertzog». Norte de Moçambique, fins do séc. XIX. Livro de João Paulo Borges Coelho

O Herzog, no Tanganyka, em 1896. Mais tarde passa para s mãos portuguesas e toma o nome de ‘Beira’. O navio “Beira” Nº Oficial : 377-C, Iic.: H.B.N.G., Registo : Lisboa Cttor.: Blohm & Voss, Steinwerder, Alemanha, 04.07.1896 ex “Herzog”, Deutsche Ost-Afrika Linien, Hamburgo, 1896-1911 Tonelagens : Tab 4.976,83 to, Tal 3.059,97 to Comprimentos : Pp 122,00 mt, Boca 14,38 mt, Pontal 13,60 mt Máquina : Blohm & Voss, Hamburgo, 1896, 2:Te, 11 m/h Vendido para demolição em Itália, finais de 1925

Não fosse o calor nem esta vegetação tão particular, não trouxesse o ar este vago cheiro a queimado, e Hans Mahrenholz dir-se-ia de volta a uma sua muito antiga vida. Hamburgo talvez, quando era criança e cruzou as desconhecidas praças dessa cidade levado pela mão grossa do pai, fustigados ambos por uma chuva miúda mas inclemente. Hamburgo, desta vez sem a mão que lhe abria os caminhos. Hamburgo às cegas. Não fosse esta luz crua que subsiste apesar da chuva e lhe castiga os olhos.
Recua ligeiramente para se proteger debaixo do avançado de lona riscada – velha e quebradiça, coçada pelo sol e pelo sal – e continua a observar com atenção a linha de costa. A maresia inchou-lhe os dedos, a ondulação provocou nele uma náusea leve e persistente.
A chuva desaba agora com fragor, formando manchas eriçadas na pele do mar (pequenas ilhas de inquietude na ampla superfície). Tem sido assim desde ontem, estes soluços molhados do tempo. Mais perto, a nova descarga salpica a balaustrada, as gotas escorrem como um óleo espesso no metal rugoso da amurada, alastram pelo convés.
A galera entra na barra, devagar. Chama-se Ferreira e ninguém tem razões para suspeitar de que esta será a sua última viagem à baía de Lourenço Marques. Para trás ficaram dias gloriosos em que, com o nome de Cutty Sark, foi a embarcação mais veloz a sulcar os mares do mundo, isso antes de ser adquirida pela firma Joaquim Antunes Ferreira & Cia., da cidade do Porto, e se tornar naquilo que é: uma embarcação cansada, merecedora das águas paradas de algum cais, enquanto peça de museu, mais que de confrontar assim o irascível mar Índico.
Mas não é por causa dessa glória – porventura inútil, neste momento nem sequer notada – que os burgueses encasacados acorrem ao cais apesar da chuva e do calor, unindo-se aos estivadores, marinheiros e vendedores que ali passam a vida, para formarem todos juntos a pequena multidão que espera; nem sequer pela imponência dos seus três mastros ou pela elegância do seu casco de madeira com mais de 90 metros de comprimento fora-a-fora. Estariam aqui mesmo que fosse outra embarcação qualquer, fazem-no sempre que uma vela ou um mastro assomam no horizonte, promessa de excitação trazida a uma cidade que no resto dos dias permanece modorrenta.
Por ora a Ferreira apalpa atentamente o canal que leva ao porto, passando não muito longe de um punhado de navios quietos, fundeados. Da amurada, o comandante Vieira de Sousa, há quatro anos no governo da galera, vai explicando aos seus cinco passageiros o historial de cada um desses navios: o Niassa, que foi Bulow antes de ser há dois anos capturado pelas autoridades portuguesas; o velho Admiral, glória da German East Africa Line, também ele obrigado a ser Lourenço Marques; e finalmente o Beira, nome pintado de fresco por cima de outro nome que ainda se consegue ler, por estar marcado em relevo leve na chapa negra do casco.
Herzog é o nome, e Hans Mahrenholz é percorrido por um estremecimento quando o consegue ler. Herzog. Não por causa da história que este velho navio também terá, as rotas que percorreu, os passageiros que transportou (entre eles um jovem de nome Fernando Pessoa em solitária viagem de regresso a uma pátria desconhecida). Herzog é o nome, palavra ducal que igualmente pode ser Herzig, Gertzog, Hertogs – e também Hertzog, como se verá – a raiz é sempre a mesma, a utilização é que foi variando, são as mesmas as armas com as cores amarela, azul e negra, as três estrelas, o elmo guerreiro e as asas imperiais. Herzog. E escurece ainda mais o humor de si já melancólico de Hans Mahrenholz, trazendo-lhe à ideia um outro tempo que vai ter de convocar.
Ondulam levemente, dóceis animais de carga retemperando forças gastas em intermináveis viagens. Herzog, murmura Hans Mahrenholz agora que o tem perto. Massa enorme projectando escura sombra sobre um mar de si já escuro.

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Porque falar do Aquino de Bragança (AB)? por Jacques Depelchin

in pambazuka.org

2008-04-19, Edição 1

Neste primeiro número do Pambazuka News em língua portuguesa, Jacques Depelchin fala-nos de um intelectual orgânico como Aquino de Bragança,num ensaio biográfico e apaixonante.

Num contexto em que a globalização deixa cada vez menos espaço para pensar fora dos paradigmas ditados pelo sistema, é crucial lembrar uma personalidade que conseguiu fazer da sua vida um exemplo de fidelidade à politica emancipativa, sem cair, como gostava repetir, no Marxismo de cartilhas.

Não era o único, houve outros, como por exemplo, Mário Pinto de Andrade, que se lançaram no projecto de libertação da África colonizada por Portugal, decididos à não cair na armadilha (quer dizer submissão) às regras dos partidos comunistas das metrópoles dos colonizadores.

A grande paixão politica e intelectual do AB era de sempre procurar respostas singulares aos desafios não só do momento, mas também do futuro. Queria fazer do CEA não só uma instituição dedicada à resolver os problemas imediatos de Moçambique, como, por exemplo, a falta de quadros, mas também procurar aliados em zonas, países que pudessem apoiar num processo de emancipação que ele considerava crucial para África Austral, mas também do mundo inteiro. Partilhava a ideia (que se podia ler num cartaz daquela época) que o Apartheid era crime contra a humanidade.

Com Nehru. Aquino é o 2º a contar da direita

Para ele o projecto emancipativo necessitava romper com hábitos de pensar que a humanidade era só aquela que vinha directamente do iluminismo ou de qualquer outra ideologia que tratava os Africanos e dentro deles, sobretudo os mais pobres, camponeses, operários, crianças, mulheres. BREF, como costumava dizer, a obrigação/fidelidade era de ser solidário com os discriminados/danados da Terra. O projecto emancipativo, pertencia ao mundo inteiro e tinha que ser entendido como tendo a sua origem nos primórdios da humanidade; não podia ser mantido refém de qualquer modo de teorização ou de conivência politica e/ou ideologica. Neste sentido, ele pertencia aos que pensavam que o comunismo não pertencia ao modelo que surgiu nos últimos séculos, mas sim aos que sempre viveram, sem equívocos, com base nos princípios de solidariedade. Numa altura em que a cooperação Sul-Sul não se tinha tornada moda, ele convidou um estudante Brasileiro (1981-84) para vir pesquisar (para doutoramento) sobre a historia de Moçambique. Um dos frutos desta visão saiu em 2007 com a publicação do livro de Valdemir Zamparoni: De Escravo a Cozinheiro: Colonialismo e racismo em Moçambique (EDUFBA/CEAO, Salvador, Brasil). Seremos capazes de continuar nos seus traços fora das cartilhas de historia? Descartilhando a historia da África para que seja fiel a historia da humanidade?

Sou anti-anti-comunista

Assim se definia politicamente Aquino de Bragança. Ele nasceu em Goa onde, aos 15 anos de idade, tornou-se membro dum dos múltiplos partidos comunistas. Em 1948 seguiu para Moçambique, enquanto o seu amigo Pio Pinto parou em Mombasa. Em 1949 vai para França, onde encontrara Marcellino dos Santos, futuro grande amigo.

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Moderno Tropical, arquitectura em Angola e Moçambique, 1945-1978

Ana Magalhães e Inês Gonçalves fizeram juntas Moderno Tropical, obra decisiva para a memória da presença portuguesa em África. A Tinta da China editou, com o apoio da Direcção-Geral das Artes, Instituto Camões e Fundação Luso-Brasileira. Moderno Tropical recupera o acervo arquitectónico moderno, edificado em Angola e Moçambique entre 1948 e 1975.

O trabalho de investigação e de fotografia de uma arquitecta e uma fotógrafa mostram-nos a melhor arquitectura moderna portuguesa, que incide sobre quatro cidades, duas de Angola (Luanda e Lobito) e duas de Moçambique (Lourenço Marques e Beira), as impressionantes cidades modernistas que se construíram de raiz. Um retrato do estado em que os edifícios se encontram e da utilização que as populações actualmente lhe atribuem. com um capítulo dedicado a doze obras icónicas.

Oito arquitectos merecem destaque, entre eles o moçambicano Amâncio ‘Pancho’ Miranda Guedes, [n. Lisboa, 1925; viveu em Lourenço Marques entre 1928-75, e em Joanesburgo entre 1975-90.] objecto de retrospectiva recente no CCB. Pancho está representado com quinze obras, todas em Lourenço Marques: Edifício Abreu, Hotel Tamariz, Padaria Saipal, Restaurante Zambi, Edifício Man George, Edifício Octavio, Edifício Mocargo, Edifício Dragão, Edifício Prometheus, Edifício Tonelli, Edifício Parque, Edifício Leão Que Ri — tão associado à minha história pessoal; hoje completamente adulterado, com lojas no lugar das antigas garagens abertas, marquises e grades nas varandas —, Edifício Simões Ferreira, as Casas Gémeas da família Matos Ribeiro e as Casas Gonzaga Gomes. As sequelas da guerra civil e a usura do tempo não pouparam os edifícios, mostrados no seu estado actual.

No território africano sob domínio colonial português, menos sujeito à pressão dos cânones culturais do Estado Novo e ao mesmo tempo com mais necessidades de construção urbana, houve espaço para que os arquitectos portugueses pudessem explorar livremente o Movimento Moderno. A expressão desta arquitectura em África, nos anos 50 e 60, traduziu não só os ensinamentos da Carta de Atenas, de Le Corbusier, mas também as formas modernas desenvolvidas no Brasil. É há procura desse denominador comum - tropical – que Ana Magalhães parte com Inês Gonçalves numa viagem a Luanda, Lobito, Maputo e Beira, onde fazem um levantamento fotográfico dos edifícios aqui tratados. Entre texto de investigação e imagens, ficamos a conhecer o belíssimo trabalho de oito arquitectos portugueses, que no contexto colonial africano puderam aproximar-se da vanguarda da arquitectura moderna, enquadrada no que ficou conhecido como Movimento Moderno.
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Chichorro muda-se para Ourém e diz que a mudança pode ser definitiva

Artista Plástico moçambicano está a recuperar casa no Vale da Perra, Atouguia

O artista plástico moçambicano Roberto Chichorro está a recuperar uma casa em Vale da Perra, Ourém, onde irá passar a residir e trabalhar. Em declarações a O MIRANTE confessa que a mudança poderá ser definitiva. “Tenho a impressão que esta vai ser a minha última casa, uma vez que já lá vai o tempo em que planeava todos os anos regressar a Moçambique”.

Natural de Maputo, antiga Lourenço Marques, onde nasceu a 19 de Setembro de 1941, o artista veio para Portugal em 1986 com uma bolsa do Estado Português e aqui ganhou raízes e criou família. A ligação a Ourém foi feita através da cooperativa “Som da Tinta”, uma livraria e editora com sede em Ourém, entretanto desaparecida. Fez uma exposição na Galeria Municipal de Ourém em 2005 e voltou várias vezes para rever os amigos, acabando por descobrir uma casa em ruínas no Vale da Perra, freguesia de Atouguia, que adquiriu. “Queríamos uma zona tranquila, para viver na velhice e fugir da cidade”, esclarece. “Achámos que estava na altura”.

Aos 68 anos de idade, Chichorro diz que sentiu o apelo do campo. “Eu sou do campo. Sou mestiço, cresci na zona suburbana, do lado da cidade de cimento”, refere. O artista passou a sua infância na Malafala, um bairro entre a cidade colonial dos brancos e a cidade de caniço dos negros, vivência que se encontra repercutida na sua obra plástica.

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