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M’SAHO 2010: Timbila ao ritmo da “Unidade Nacional”

M’SAHO 2010: Timbila ao ritmo da “Unidade Nacional”

A romaria volta a acontecer para Zavala, em Inhambane, cujo mote é a celebração de mais uma edição do M’saho, a festa da timbila.

Estarão em Quissico cerca de 500 artistas provenientes de diferentes pontos da província de Inhambane, nomeadamente Zavala, Maxixe, Inharrime, e outros da província de Gaza, com destaque para Chidenguele e Zandamela.

Sob o lema “Unidade Nacional”, os organizadores do m’saho pretendem transmitir a ideia do fortalecimento da unidade nacional através da cultura, celebrando igualmente os 35 anos da Independência Nacional, bem como a passagem da chama da unidade.

A Associação dos Amigos e Naturais de Zavala (AMIZAVA) e o governo distrital de Zavala, organizadores do evento, dizem ter preparado pelo menos cinco cabeças de gado bovino e 10 a 15 de caprino, como forma de atender a logística dos 500 marimbeiros que estarão em Quissico, de 27 a 29 deste mês.

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Ilha de Moçambique: Escavações da discórdia!

Ilha de Moçambique: Escavações da discórdia!

Na Ilha de Moçambique, província de Nampula, os residentes e as autoridades camarárias estão divididos quanto ao fim ou não das escavações das praias. As respectivas escavações visam supostos objectos raros de navios naufragados das viagens europeias de descoberta do caminho para as Índias.

A nossa reportagem apurou, recentemente, que naquele local, os responsáveis municipais dizem que o problema foi já eliminado, enquanto os residentes não concordam, pois afirmam as escavações ainda continuam, particularmente na calada da noite.

Algumas pessoas entrevistadas são da opinião que, enquanto houver falta de meios alternativos de sobrevivência, as escavações das praias continuarão a constituir uma forma de ganhar a vida naquele naquela urbe municipal que é igualmente Património Cultural da Humanidade.

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Cabeça do Velho: A casa dos mitos que a natureza guarda

Cabeça do Velho: A casa dos mitos que a natureza guarda

Ainda que não tenha havido um concurso ou uma catalogação das maravilhas naturais de Moçambique, não há dúvidas que o nosso país é, neste aspecto, dotado de tantas, de que se pode citar sete, setenta, setecentos… Tantas! E em todas as listas que se possa criar com seja qual for o propósito cabe a emblemática Cabeça do Velho, montanha situada na província de Manica.

A Cabeça do Velho é um dos mais belos montes de Moçambique e adorna a pacata e simpática cidade de Chimoio. Mais do que constituir uma atracção turística para aquele ponto do país, que se localiza numa província que a natureza contemplou com muitas outras belas paisagens, o monte tornou-se num dos lugares de referência da capital e de toda a planáltica província de Manica.

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‘Mafalala Blues’, ideia conceptual de Noémia de Sousa, teve visita do 1º ministro moçambicano

Preservar locais históricos para não desaparecerem - Primeiro-Ministro, na visita à instalação “Mafalala Blues” / Maputo, Quinta-Feira, 12 de Agosto de 2010:: Notícias 
O PRIMEIRO-MINISTRO, Aires Ali visitou ontem a exposição/instalação “Mafalala Blues” produzida pela jovem antropóloga Camila de Sousa, patente desde finais de Junho no Centro Cultural Franco-Moçambicano, em Maputo. A instalação é composta por três casas, com as respectivas ruas e becos, um vídeo e fotografias, trazidas para aquela galeria, cada uma com a sua história, como resultado de dois anos e meio de pesquisas efectuadas no Bairro da Mafalala.
Produzida a partir da ideia conceptual dos poemas de Noémia de Sousa – tia-avó de Camila de Sousa – a instalação faz uma viagem pela Mafalala dos anos 40/50 e 60, reproduzindo a história social, cultural e política de Moçambique a partir daquele espaço enquanto centro-nervoso e berço do nacionalismo moçambicano. Mas também, Camila de Sousa traça o presente que conhece e vive e indaga sobre o futuro do país e do mundo, partindo de acções de ontem e de hoje da Mafalala.
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A Dualidade do Ser - poesia, por Jorge Rebelo

A DUALIDADE DO SER 
 
“Ensinar a não calar, a não ter medo, partilhar a emoção de fazer bem, fazer acordar a consciência, impulsionar a Viragem”
 
Maputo (Canalmoz) – Do ex-combatente da Luta de Libertação nacional, ex-ministro da Informação, ex-Secretário do Trabalho Ideológico do Bureau Político do Partido Frelimo, publicamos a seguir o poema ‘A DUALIDADE DO SER’, a “ensinar a não calar, a não ter medo, partilhar a emoção de fazer bem, fazer acordar a consciência, impulsionar a Viragem”:

A DUALIDADE DO SER

COSTUMO assistir, nunca falto a estas cerimónias (quando me convidam).

A de ontem então foi empolgante:
Muito faustosa, muitas figuras,
ouvimos discursos laudatórios,
patrióticos, exalando saber e rectidão.
Adorei.

Mas outra parte de mim estava distante,
indiferente, alheio a tudo. Queixava-se:

“Vamos embora.
Estes ambientes pomposos incomodam-me,
Fico perdido
perco-me no ar morno dos salões
nos apertos frouxos das mãos
nos sorrisos pré-fabricados,
nunca sei qual a linguagem certa
as vénias que de mim se esperam.
- Ai as vénias! - diz ele. Mal-aventurado
quem as inventou.
Porque, escuta bem: as vénias não são só
a curvatura do corpo.
Também a alma - a tua alma - se curva.”

Não liguei.
EU não arredei pé.
Até ao fim, hirto, solene
bati palmas, entoei loas
orgulhoso por ser parte
da ilustre nomenclatura.

Mas o outro em mim não se conforma.
Zanga-se:

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Chichorro muda-se para Ourém e diz que a mudança pode ser definitiva

Artista Plástico moçambicano está a recuperar casa no Vale da Perra, Atouguia

O artista plástico moçambicano Roberto Chichorro está a recuperar uma casa em Vale da Perra, Ourém, onde irá passar a residir e trabalhar. Em declarações a O MIRANTE confessa que a mudança poderá ser definitiva. “Tenho a impressão que esta vai ser a minha última casa, uma vez que já lá vai o tempo em que planeava todos os anos regressar a Moçambique”.

Natural de Maputo, antiga Lourenço Marques, onde nasceu a 19 de Setembro de 1941, o artista veio para Portugal em 1986 com uma bolsa do Estado Português e aqui ganhou raízes e criou família. A ligação a Ourém foi feita através da cooperativa “Som da Tinta”, uma livraria e editora com sede em Ourém, entretanto desaparecida. Fez uma exposição na Galeria Municipal de Ourém em 2005 e voltou várias vezes para rever os amigos, acabando por descobrir uma casa em ruínas no Vale da Perra, freguesia de Atouguia, que adquiriu. “Queríamos uma zona tranquila, para viver na velhice e fugir da cidade”, esclarece. “Achámos que estava na altura”.

Aos 68 anos de idade, Chichorro diz que sentiu o apelo do campo. “Eu sou do campo. Sou mestiço, cresci na zona suburbana, do lado da cidade de cimento”, refere. O artista passou a sua infância na Malafala, um bairro entre a cidade colonial dos brancos e a cidade de caniço dos negros, vivência que se encontra repercutida na sua obra plástica.

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Descolonizámos o Land-Rover - poema por Albino Magaia

Por Albino Magaia

Já não é carro cobrador de impostos
Nós descolonizámo-lo.
Já não é terror quando entra na povoação
Já não é Land-Rover do induna e do sipaio.
É velho e conhece todas as picadas que pisa.
É experiente este carro britânico
Seguro aliado do chicote explorador.
Mas nós descolonizámo-lo.
No matope e no areal
Sua tracção às quatro rodas
Garante chegada às machambas mais distantes
Às cooperativas dos camponeses.
Entra na aldeia e no centro piloto
Ruge militante nas mãos seguras do condutor
Obedece fiel a todas as manobras
Mesmo incompleto por falta de peças.
- Descolonizámos o Land-Rover
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Sérgio Vieira apresenta hoje o seu livro “Testemunho”

Sérgio Vieira apresenta hoje seu “testemunho”

“PARTICIPEI, POR ISSO TESTEMUNHO”, é o título do livro de Sérgio Vieira a ser lançado hoje no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo. Segundo um dos prefaciadores, Luís Bernardo Honwana, nesta obra Sérgio Vieira fala das suas origens e da sua infância e adolescência em Tete.

Fala de como abandonou o catolicismo e da sua subsequente militância no movimento estudantil e na Casa dos Estudantes do Império, (…) dos capítulos dedicados às relações entre os movimentos filiados na antiga CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas), as negociações que conduziram à assinatura dos Acordos de Lusaka,  a Independência, o dossier Zimbabwe e a Guerra de Desestabilização, entre outras.

Para outro prefaciador, António Almeida Santos  fazia falta este livro. “Que ele sirva de estímulo, a que outros actores dessa independência ganhem nele inspiração para repetir a proeza, e cumprir esse dever. O conhecimento pelas novas gerações do heroísmo dessa gesta é um capital precioso para o orgulho de ter nascido em Moçambique, e a consciência do significado da correspondente cidadania”.

A obra será apresentada por Luís Bernardo Honwana e Rock Choolly.

Maputo, Segunda-Feira, 8 de Março de 2010:: Notícias 

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Chonguiça em documentários sobre diversidade cultural

Chonguiça em documentários sobre diversidade cultural

O conceituado saxofonista Moreira Chonguiça vai ser um dos protagonistas numa série de documentários a ser produzida pela Cine Internacional que aborda diversidade cultural e riquezas dos países africanos. Esta é a segunda etapa das filmagens desta série de vídeos-documentários sobre vários países do Continente Africano, intitulados “Mama África” e que pretendem ser a mostra real da diversidade etno-cultural de África em que as expressões culturais provam que o nosso Continente é rico em culturas promovidas pelos seus povos.

É nesse âmbito que a produtora Cine Internacional inicia na primeira semana de Março gravações de uma série de documentários cinematográficos cujas temáticas corporizam as danças, religiões, quotidiano dos povos cujos países estão envolvidos neste projecto, hábitos e seus costumes, entre outros aspectos que cruzam na interligação cultural dos africanos.

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Centenário de Machado de Assis : uma percepção moçambicana. Por João Craveirinha

João CRAVEIRINHA (JC / Kraveirinya na pintura). Nasceu na ilha de Moçambique (África oriental) em 1947. É escritor e pintor. Prossegue estudos universitários em Portugal na área das Ciências da Cultura, variante: Sociedade, Cultura e Comunicação. Publicou 4 livros. No prelo mais 4 livros aguardando editor. Foi animador cultural, conferencista e realizador de rádio e televisãoCentenário de Machado de Assis : uma percepção moçambicana. AUTOR:  João CRAVEIRINHA

RECORDAÇÕES DE INFÂNCIA NUMA COLÓNIA PORTUGUESA EM ÁFRICA

O Prof. Adelto Gonçalves, doutor em Letras pela Universidade de São Paulo (USP), pediu-me algumas linhas sobre o ilustre MACHADO DE ASSIS (1839-1908). É gratificante, porque através de ASSIS faço um rewind às memórias do “antigamente”.

De facto conheço algo de MACHADO DE ASSIS…sim senhor…de ouvir em casa desde infante pela geração de meu pai João (1920-1997) e de meu tio, o poeta José (1922-2003). Tinham alguns livros dele: Quincas Borba; Esaú e Jacó (com a problemática da escravatura). Mas Iaiá Garcia, Dom Casmurro e Memórias Póstumas de Brás Cubas (1881), eram os títulos favoritos de meu pai João sénior, um especialista em língua e literatura portuguesas e admirador da literatura brasileira. Mesmo com as restrições de certa literatura do Brasil lá chegavam à colónia de Moçambique autores brasileiros e traduções. Algumas vezes, certos livros do Brasil, eram retirados das livrarias. Os autores brasileiros não eram vistos com bons olhos pela polícia política de Salazar. Exceptuando a revista “O Cruzeiro” de Assis Chateaubriand, 1892-1968 (amigo do ditador português, Oliveira Salazar, 1889-1970)

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