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Sérgio Vieira apresenta hoje o seu livro “Testemunho”

Sérgio Vieira apresenta hoje seu “testemunho”

“PARTICIPEI, POR ISSO TESTEMUNHO”, é o título do livro de Sérgio Vieira a ser lançado hoje no Centro de Conferências Joaquim Chissano, em Maputo. Segundo um dos prefaciadores, Luís Bernardo Honwana, nesta obra Sérgio Vieira fala das suas origens e da sua infância e adolescência em Tete.

Fala de como abandonou o catolicismo e da sua subsequente militância no movimento estudantil e na Casa dos Estudantes do Império, (…) dos capítulos dedicados às relações entre os movimentos filiados na antiga CONCP (Conferência das Organizações Nacionalistas das Colónias Portuguesas), as negociações que conduziram à assinatura dos Acordos de Lusaka,  a Independência, o dossier Zimbabwe e a Guerra de Desestabilização, entre outras.

Para outro prefaciador, António Almeida Santos  fazia falta este livro. “Que ele sirva de estímulo, a que outros actores dessa independência ganhem nele inspiração para repetir a proeza, e cumprir esse dever. O conhecimento pelas novas gerações do heroísmo dessa gesta é um capital precioso para o orgulho de ter nascido em Moçambique, e a consciência do significado da correspondente cidadania”.

A obra será apresentada por Luís Bernardo Honwana e Rock Choolly.

Maputo, Segunda-Feira, 8 de Março de 2010:: Notícias 

Portugal pode financiar ponte Maputo/Catembe

Portugal pode financiar ponte Maputo/Catembe

O Governo português, em parceria com o moçambicano, poderá financiar as obras de construção da ponte que liga a cidade de Maputo ao distrito municipal da Catembe, a estrada que liga Maputo a Ponta d`Ouro, bem como a Vila Olímpica que acomodará os atletas que vão participar nos X Jogos Africanos de 2011, em Maputo.

O anúncio foi feito recentemente pelo Primeiro-Ministro português, José Sócrates, no quadro de uma visita oficial que efectuou a Moçambique. José Sócrates revelou também o interesse do seu país em financiar outros projectos como a construção da central norte na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), localizada na vila de Songo, província de Tete, a expansão da rede nacional de distribuição de energia eléctrica. Portugal propôs-se igualmente a financiar a construção de pequenas centrais eléctricas hídricas e solares, com base nos protocolos e acordos assinados entre os dois governos.

Maputo, Segunda-Feira, 8 de Março de 2010:: Notícias

Moçambique passa a deter 92,5% das acções da HCB

A garganta do Zambeze, junto à barragem de Cahora-Bassa

Desde a última sexta-feira, o Estado moçambicano detém 92,5% do total das acções da Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), dando corpo ao acordo rubricado entre o ministro moçambicano da Energia, Salvador Namburete, e o secretário de Estado do Tesouro e Finanças de Portugal, Carlos Pina.
O acordo concede a Moçambique 7,5% das acções da HCB, do total de 15% que eram detidos até agora pelo Estado português, na sequência do acordo de reconversão da HCB para Moçambique, assinado em 2006 pelo chefe do Estado moçambicano, Armando Guebuza, e pelo primeiro-ministro português, José Sócrates.
Os restantes 7,5% do capital social da HCB ficarão a cargo da empresa portuguesa Redes Enegéticas Nacionais (REN) em representação ao Estado português no empreendimento.
O acordo assinado entre os dois países, em 2006 – à luz do qual Portugal vendeu a maioria do capital da HCB –, previa que fosse Moçambique a escolher quem iria comprar 5% do capital da empresa. Os outros 10% podiam ser vendidos livremente.
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Noite de horror - Lourenço Marques. 1974

Extraído do blog de Francisco Gomes Amorim

A revolução já tinha acontecido em Portugal. A primeira medida tomada, depois de trancafiados na cadeia os responsáveis da PIDE, incluindo os burocratas que ali trabalhavam, foi anunciar a independência das colônias.
Quando? Como? Isso ninguém sabia, mas como os exemplos anteriores de grande parte das independências em África fizeram correr muito sangue, a preocupação geral era grande.
Os africanos há anos, quase há séculos era o que almejavam, ver-se livres do jugo colonial que nunca aceitaram. Hoje são subjugados poder económico. Mas ninguém gosta de jugo. Não só os africanos como todos aqueles que ali viviam e não podiam trabalhar livremente porque as dificuldades criadas pela metrópole a todos pesavam. A uns mais vergonhosamente, mas a todos, economicamente.
Finalmente chegava a independência. Para isso tinham lutado, e era um direito seu inalienável e histórico. Os brancos que tinham ali vivido toda a sua vida, alguns vindos de três, quatro e mais gerações, achavam-se no mesmo direito à independência, à continuação do seu trabalho, das suas vidas, a não perder o que tinham. À paz.
Mas como ia ser essa independência?
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Maputo - Lourenço Marques: relembrando a praça e o dia 7 de Março (de 1877)

No dia 7 de Março de 1877 um corpo expedicionário de engenharia das Obras Públicas portuguesas desembarca em Lourenço Marques, vindo a bordo do navio África (o mesmo que anos mais tarde transportaria Gungunhana). Este famoso corpo voluntário de engenheiros era chefiado pelo engenheiro militar coronel Joaquim José Machado (mais tarde chegaria a general e a governador geral); veio com a missão de planificar e edificar a futura cidade. O nome da vila de Machadodorp, no Transval, foi dado em sua homenagem. Joaquim Machado foi o responsável pela conclusão do Caminho de Ferro de Lourenço Marques que fez a ligação com Pretória, “resultando num autêntico êxito da engenharia portuguesa”. Esta expedição foi enviada de Lisboa por João de Andrade Corvo, grande visionário colonial. Foi ministro da Marinha, do Ultramar e dos Negócios Estrangeiros de 1867 a 1886 “intercaladamente”.
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Cidadela da Matola no ex-parque de antenas da RM

Principal investidor do projecto de imobiliária é o governo sul-africano

Pretoria (Canalmoz) - A Public Investment Corporation (PIC), que segundo tem vindo a ser noticiado, planeia investir 200 milhões de dólares num projecto de imobiliária de grandes dimensões na Matola, na vasta área das antenas da Rádio Moçambique, é um fundo pertencente na sua totalidade ao governo da África do Sul. O governo de Pretória está representado na PIC por um accionista que é o ministro das finanças.
Entre os clientes da PIC contam-se entidades do sector público, nomeadamente fundos de reforma e fundos de segurança social. A PIC tem como função investir fundos em nome do seus clientes consoante o mandato que lhe é conferido por cada cliente, e a aprovação da Junta de Serviços Financeiros (FSB) da África do Sul. No final de Março de 2009, a PIC administrava um activo avaliado em 739,7 mil milhões de randes.
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Saiba porque é que Mário Soares ‘ofereceu’ Moçambique à Frelimo - CONFIDENCIAL

Vasco Rato e Paulo Pinto Mascarenhas  / In Jornal “O Independente” 24 Outubro 1997

AO LONGO das próximas semanas, O Independente irá publicar vários documentos inéditos dos arquivos secretos dos Estados Unidos, da República Democrática Alemã e da União Soviética, sobre os acontecimentos que marcaram a África Austral durante a década de 70. Todos estes papéis foram agora finalmente desclassificados, encontrando-se ao dispor dos investigadores nos National Security Archives, em Washington. Neles se revelam alguns dos aspectos mais dramáticos da história da descolonização portuguesa e das guerras civis que se seguiram nas antigas colónias. Demonstram sobretudo algumas das atitudes assumidas pelos principais protagonistas políticos que, na altura, conduziam a política externa dos seus países.
 

21 de Agosto de 1974

Documento do departamento de Estado norte-americano sobre a descolonização de Moçambique, classificado como “secreto” . Nele se dá conta da opinião de Mário Soares, favorável à entrega imediata da colónia à Frelimo. Sem dar qualquer relevância à possível falta de representatividade do movimento marxista moçambicano.

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DIGITAIS - VIVER É CADA VEZ MAIS DIFÍCIL NO GRANDE HOTEL DA BEIRA

DIGITAIS - VIVER É CADA VEZ MAIS DIFÍCIL NO GRANDE HOTEL DA BEIRA

Revista Pública, 27 de Dezembro de 2009

@XicoNhoca

Há que parar com mentiras sobre a história dos heróis nacionais

As novas gerações têm o direito de saber a verdade
 
Há que parar com mentiras sobre a história dos heróis nacionais 
 
- segundo deputados da Assembleia da República 
 
Maputo (Canalmoz) – Contrariamente às declarações do chefe do Estado Armando Guebuza, segundo as quais as escolas devem continuar a ser o lugar privilegiado para a transmissão do legado histórico dos heróis nacionais para as novas gerações, assim taxativamente como vem escrito nos manuais escolares, há quem diga que o imperioso é reformar o currículo e trazer ao conhecimento dos alunos a face verdadeira da história.
O deputado do Movimento Democrático de Moçambique, Lutero Simango, filho do Reverendo Urias Simango ex-vice-presidente da Frente de Libertação de Moçambique, (FRELIMO), disse que o Governo tem a obrigação de fazer conhecer a verdadeira história dos heróis nacionais às presentes gerações, assim como, o papel de cada um na luta de libertação nacional. Simango disse ainda que há necessidade de se parar com toda uma série de mentiras que estão sendo ensinadas às crianças nas escolas.
Acrescentou também que a escola como principal veículo de transmissão dos ideais dos heróis nacionais, deve antes de mais buscar a autenticidade daquilo que ensina para evitar que a verdade chegue de forma informal.
Questionado sobre em que se funda a verdade por ele referida, o deputado afirmou que “há uma série de histórias ou coisas que não existiram, não aconteceram, mas no entanto estão sendo transmitidas às crianças como se tivessem acontecido”. Referiu por exemplo a história do próprio Eduardo Mondlane, o arquitecto da unidade nacional, que está sendo mal transmitida através do currículo escolar nacional, estando agora as crianças a aprenderem coisas que não existiram”.
“A verdade sobre os heróis nacionais, em particular a de Mondlane está fora dos livros, e cabe ao Governo, trazer a verdade” acrescentou Lutero Simango filho também ele de um herói nacional não reconhecido pelo grupo político que se apoderou da história e a tem vindo a contar à sua maneira e feição.

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Falta a verdade na História de Moçambique

A propósito do dia dos Heróis moçambicanos 
 
Falta a verdade na História de Moçambique 
 
Maputo (Canalmoz) – O advogado e político moçambicano, Máximo Dias, diz que as autoridades moçambicanas devem divulgar a real História nacional, pois, segundo ele, no que actualmente é sabido, muita coisa está omitida passando por isso o povo a não conhecer a Historia real do país.
Máximo Dias adianta que a verdade precisa de ser dita “para que todos fiquemos claros quando, como e onde morreram Eduardo Mondlane e Samora Machel”, figuras que no seu entender reúnem consenso de heróis nacionais.
“Não tenhamos medo da verdade. O povo precisa de saber da real História do nosso país, como Eduardo Mondlane, Samora Machel foram assassinados porque eles são grandes símbolos do heroísmo nacional”.
Num outro desenvolvimento, Máximo Dias diz lamentar a atitudes de outros partidos da oposição que não se fazem presentes, como de costume, nas cerimónias de Estado.
“É de lamentar mas cada um sabe como age e quais são as suas intenções. Mas como povo ninguém pode contestar o heroísmo de Eduardo Mondlane”, disse Máximo Dias, presidente de MONAMO. Acrescentou ainda que Eduardo Mondlane, arquitecto da Unidade Nacional, “não morreu pelo partido Frelimo porque naquela altura não havia partido político mas sim, uma ampla frente política moçambicana. Por isso ninguém devia estar fora pelo menos neste dia”.

(Egídio Plácido)

2010-02-04

Défice no conhecimento da História de Moçambique

Défice no conhecimento da História de Moçambique 
 
Escolas devem divulgar legado histórico dos heróis moçambicanos 
 
Maputo (Canalmoz) – Comemorou-se ontem o dia 3 de Fevereiro, uma data que exalta sem distinção todos os Heróis Moçambicanos, sobretudo aqueles que combateram pela libertação da pátria. Em Maputo as cerimónias centrais decorreram na Praça dos Heróis, onde o estadista moçambicano, Armando Guebuza, depositou uma coroa de flores. Várias figuras, entre elas, ministros do executivo moçambicano, representantes do Movimento Democrático de Moçambique, (MDM) e o corpo diplomático acreditado em Moçambique estiveram no local. A Renamo manteve a sua tradição de não participar ao lado da Frelimo em cerimónias deste tipo por, como tem alegado, os seus heróis não estarem considerados.
A data foi comemorada com euforia pelas autoridades, alegadamente porque coincidiu com a passagem do 41º ano após a morte daquele que é considerado oficialmente como o fundador e primeiro presidente da Frente de Libertação de Moçambique (FRELIMO), Dr. Eduardo Chivambo Mondlane.
De referir que Eduardo Mondlane foi assassinado a 3 de Fevereiro de 1969, e segundo a história escrita e difundida pela própria Frelimo, no seu escritório em Dar-es-Salaam, capital da Tanzania. Mas outros testemunhos, incluindo o do Boletim da Frelimo da época, editado pelo jornalista Ian Christie, indicam que o verdadeiro local da morte de Eduardo Mondlane foi em casa de uma americana, Betty King, que exercia funções de secretária de Janete Mondlane. O ex-estadista moçambicano, Joaquim Alberto Chissano e o antigo ministro dos Assuntos dos Antigos Combatentes (agora Ministério dos Combatentes e com outra direcção), Feliciano Gundana, Óscar Monteiro, ex-membro do Bureau Político do Comité Central da Frelimo e muitos outros são apenas alguns exemplos de figuras que já confirmaram publicamente esta última versão e assim comprovaram a mentira que oficialmente se tem estado a propalar da história do assassinato de Eduardo Mondlane.

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DIGITAIS - MOZAMBIQUE FROM COLONIALISM TO REVOLUTION, 1900-1982

DIGITAIS - MOZAMBIQUE FROM COLONIALISM TO REVOLUTION, 1900-1982

ALLEN ISAACMAN AND BARBARA ISAACMAN (1983)

@XicoNhoca

DIGITAIS - CABORA BASSA (1975)

DIGITAIS - CABORA BASSA (1975)

KEITH MIDDLEMAS, 1975

@XicoNhoca

“O heli onde eu seguia foi atingido com 26 tiros” (José António, Moçambique 1972-1974)

A Minha Guerra: Comissão na Força Aérea

“O heli onde eu seguia foi atingido com 26 tiros”

Socorro. A nossa missão era deixar as tropas nas zonas de combate e retirar os feridos e os mortos. Estávamos desejosos do fim do conflito.

Fui mobilizado para Moçambique a 2 Março de 1972. Na Beira fiquei a aguardar para onde seria destacado e logo na primeira noite tive de queimar o colchão da camarata: estava cheio de piolhos e fiquei todo picado. Mandaram-me para a Base Aérea 5 (BA5), em Nacala, onde estavam os aviões bombardeiros T6, os Dornier e os Fiat, e depois para o Aeródromo Militar 52 (AM52), em Nampula, onde se encontravam os helicópteros.

Fazíamos as rendições individuais e o único camarada de curso que partiu comigo foi o 1º cabo Mota, que ficou na ferramentaria. Eu fui para a linha da frente, para o destacamento de Mueda, no AM51. Era o pior sítio. Havia um painel pintado com uma caveira enorme que dizia: ‘Bem-vindos a Mueda. Nesta terra trabalha-se, luta-se e morre-se’.

A 13 de Março participei na primeira operação, que consistia no transporte de helicóptero de tropas do Exército para um ataque a uma base da Frelimo, no planalto dos Macondes, em Mueda. Eu era mecânico dos Alouette III, onde seguiam, para além do piloto, mais cinco militares. Nas operações ia sempre um grupo de seis helicópteros. Aproximávamo-nos do solo, mas não chegávamos a aterrar. Os militares saltavam, nós voltávamos ao aeródromo e mais tarde íamos buscá-los.

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Morreu o mais antigo ex-piloto da DETA/LAM

Morreu o mais antigo ex-piloto do LAM
 
Pretoria (Canalmoz) - Faleceu ontem no Hospital da Universidade de Coimbra o Comandante Luís dos Santos da Costa Branco, antigo piloto da DETA e Linhas Aéreas de Moçambique. Costa Branco era o mais antigo como piloto da aviação civil portuguesa e moçambicana ainda vivo.
Tinha 92 anos de idade. Na sua caderneta de voo contava com 33.000 horas de voo averbadas. Toda a sua carreira profissional foi feita em Moçambique. Foi condecorado por dois presidentes da República Portuguesa.
O funeral realiza-se amanhã, em Oliveirinha.
O Com.te Luís Santos da Costa Branco, nasceu em Vila Nova de Oliveirinha, Concelho de Tábua em 25 de Outubro de 1917 e era o penúltimo filho dos sete de Aurora Berta Santos Branco e Herculano da Costa Branco.
Iniciou a instrução de voo no Aeroclube de Moçambique em 6 de Maio de 1936, tendo efectuado o seu primeiro voo “solo” em 2 de Junho do mesmo ano.
Como funcionário dos Caminhos de Ferro de Moçambique, foi mandado apresentar na D.E.T.A., Direcção de Exploração dos Transportes Aéreos, hoje, Linhas Aéreas de Moçambique em 10 de Dezembro de 1937, onde acumulou as funções com as de aluno piloto.
Esta empresa, a DETA, agora designada por LAM, tinha sido criada pelo Diploma Legislativo nº 521, em 26 de Agosto de 1936, publicado no Boletim Oficial de Moçambique nº 34, com a mesma data, sendo a mais antiga transportadora de linha aérea de Portugal e colónias.

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Moçambique: A morte de Samora Machel em Mbuzini

A MORTE DE SAMORA MACHEL EM MBUZINI
 
Estudo revela “estratégia de desinformação” montada pela União Soviética
 
AIM desempenhou papel preponderante 
 
“Três semanas após o acidente de Mbuzini surgiram informações segundo as quais reinava a irritação e insatisfação entre certos membros do Serviço Nacional de Segurança Popular (SNASP) pela forma como os soviéticos estavam a manipular a situação”, Yvonne Clayburn, autora do estudo “Logo que tomou posse, Joaquim Chissano recusou-se a voar em aviões russos tripulados por soviéticos. Em vez disso, insistiu na utilização de um Boeing-737 para voos de curta distância, e para voos de longo curso deu preferência a um DC-10 alugado às linhas aéreas francesas, UTA.”, lê-se no estudo 

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Moçambique: Origem do nome da cidade da Beira

Origem do nome da cidade da Beira

O título nobiliárquico de um príncipe português 

A província de Sofala, onde se situa o Parque Nacional da Gorongosa, tem como capital uma cidade de nome português: Beira. Ao contrário do que se poderia à primeira vista pensar, essa designação não deriva, pelo menos directamente, da zona homónima de Portugal, mas do apanágio nobiliárquico de um príncipe europeu.

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Isabela Figueiredo: “O colonialismo era o meu pai” (entrevista integral, Ipsílon/Público)

Caderno de Memórias Coloniais. Isabela Figueiredo: “O colonialismo era o meu pai”. 24.12.2009 - Alexandra Prado Coelho

Os retornados “tinham um acordo tácito para não falar”. Isabela Figueiredo quebrou esse acordo. “Caderno de Memórias Coloniais” é um dos livros do ano para o Ípsilon

Foi no blog Mundo Perfeito (e agora no Novo Mundo) que os textos de Isabela Figueiredo começaram a aparecer. Escrevia sobre aquilo que durante anos não tivera coragem de enfrentar: a infância em Moçambique, o racismo dos colonos portugueses. E, sobretudo, do pai, essa figura que “trazia o mundo” até ela.

“Caderno de Memórias Coloniais”, editado pela Angelus Novus, é um ajuste de contas com o pai morto. E com muitos retornados vivos. E com os que em Portugal os receberam e os maltrataram não percebendo que eles já tinham sido maltratados. É uma libertação de muita raiva.

Aquilo que conta no seu livro, a violência quotidiana dos brancos sobre os negros em Moçambique - e da forma crua como a conta - é um testemunho raro?

Nunca li nada sobre este assunto, não penso que tenha sido contado antes. Nós, retornados, não falamos disto uns com os outros, por pudor. Eu não tinha com quem falar. Lembro-me do [escritor angolano José Eduardo] Agualusa há 20 anos, depois de eu ter escrito uma coisa muito folclórica, muito suave, sobre Moçambique no “DN Jovem”, me ter dito que eu não tinha contado a verdade. Não lhe disse que achava que ele tinha razão, mas tinha. Eu não estava a contar a verdade, não podia contar a verdade porque havia um pacto de fidelidade com o meu pai. Não podia falar daquelas coisas com o meu pai vivo, sabendo que ele ia ler.

O facto de não pertencer à classe média e média alta da então Lourenço Marques, de ser de uma classe mais baixa, era para si um problema?

A diferença de classes entre portugueses não é uma coisa que me preocupe, é uma coisa que para mim era normal. Eu era a filha do electricista, e gosto dessa ideia. Ouvia o meu pai falar sobre as casas dos senhores da alta, onde ele ia fazer as instalações. O meu pai era um homem pobre, foi para África porque precisava de ganhar dinheiro, estava sempre a dizer-nos que não éramos ricos, éramos remediados. Eu sabia o meu lugar no esquema da sociedade colonial.

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DIGITAIS - MANICA E SOFALA (JULIÃO QUINTINHA)

DIGITAIS - MANICA E SOFALA (JULIÃO QUINTINHA)

CADERNO COLONIAL Nº 50

@XicoNhoca

“Colisão em voo matou cinco camaradas” (Fernando Sousa, Moçambique/Angola 1972/74)

A Minha Guerra: Helicópteros em Angola

“Colisão em voo matou cinco camaradas”

Sorte dupla. Fiz duas comissões, mas acabei por assistir ao 25 de Abril quando vim de férias à metrópole. Com isso terei escapado a um acidente.

Parti para Moçambique a 17 de Janeiro de 1972. A minha missão era fazer a manutenção dos aviões. Esta especialidade fazia com que nos dividíssemos e não pertencêssemos a qualquer companhia. A chegada à Base AB7 de Tete marcou-me: o cenário era de guerra. A base era importante, porque dava apoio ao Exército e estava toda vedada. Os T6, aviões de caça a hélice, iam sair em missão para defender Cabora Bassa. Aquelas aeronaves e os Fiat estavam encaixados numa parede de bidões, cheios de areia. Era a sua protecção contra os ataques com bombas e morteiros.

Enquanto lá estive não houve qualquer ataque, mas o mesmo já não posso dizer dos acidentes. Registaram-se duas baixas com um DO27 (um modelo de Dornier). Era um avião de passageiros, de transporte de correio e de alguma carga. Um camarada, com funções iguais às minhas, morreu no avião, com o piloto, num acidente no mato. O meu período de permanência em Tete foi encurtado, porque meti os papéis para o curso de sargentos e vim para a Metrópole frequentá-lo, na Ota, em Setembro de 1972. Tirei depois em Alverca, nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, um curso de manutenção de helicópteros Alouette III.

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DIGITAIS - MOZAMBIQUE FRELIMO: MARCELINO DOS SANTOS

DIGITAIS - MOZAMBIQUE FRELIMO: MARCELINO DOS SANTOS

@XicoNhoca

Caderno de Memórias Coloniais - por Isabel Figueiredo. Crítica.

Faltava um relato assim, na primeira pessoa. Foi isso que fez Isabela Figueiredo (n. 1963), sem poupar nos detalhes. O seu Caderno de Memórias Coloniais é uma obra imprescindível para compreender o sentido (ou sem sentido) da nossa presença em África. Isabela ainda não tinha 13 anos quando deixou Moçambique. Narrativa mnemónica, portanto. Isenta de nostalgia, vontade de dourar a pílula ou propósito de reescrever a História. Factos, em toda a sua crueza:

«Os brancos iam às pretas. […] As pretas tinham a cona larga e essa era a explicação para parirem como pariam, de borco, todas viradas para o chão, onde quer que fosse, como os animais. A cona era larga. A das brancas não, era estreita, porque as brancas não eram umas cadelas fáceis, porque à cona sagrada das brancas só lá tinha chegado o do marido, e pouco, e com dificuldade, que elas eram muito estreitas, portanto muito sérias, e convinha que umas soubessem isto das outras.» Isabela vivia na Matola. A Matola, oficialmente designada Vila Salazar, era um arrabalde de Lourenço Marques (em 1980 foi integrada na cidade de Maputo). Quando Isabela ali viveu era um sítio de passagem a caminho da fronteira da África do Sul. Foi lá que os massacres de 7 de Setembro de 1974 se fizeram sentir com maior intensidade: «a negralhada perdeu o freio […] chacinou, cega, tudo o que era branco: os machambeiros e família, os gatos, cães, galinhas, periquitos, vacas brancas, e deixaram-nos agonizando sobre a terra, empapando sangue; salvavam-se as galinhas cafreais de pescoço pelado. E os gatos pretos.» Por exemplo, um dos vizinhos, o marido da Conceição, foi todo desmembrado à catanada antes de ser espalhado no milheiral. Isabela tinha 11 anos, mas não esqueceu.

A Matola não tinha o glamour da Maxaquene, da Ponta Vermelha, da Polana e de Sommerschield. A Matola era um reduto lumpen na zona dos sapais. Foi ali que Isabela cresceu, intuindo o desconcerto do mundo.

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Caderno de Memórias Coloniais - livro, por Isabela Figueiredo

Foi nesta quinta-feira,24 de Dezembro de 2009: na capa do Público, uma chamada para a entrevista que Isabela Figueiredo deu a Alexandra Prado Coelho e que saiu na edição desse dia do jornal, no Ipsilon. Na selecção dos melhores livros de 2009, o Caderno de Memórias Coloniais surgia na posição 14 (em 20), escolhido por Gustavo Rubim, nos seguintes termos:

“Sente-se o abalo que este «Caderno» causa no marasmo literário nacional em passagens como esta: «Foder. O meu pai gostava de foder. Eu nunca vi, mas via-se». Relato cru do racismo português em Moçambique no fim do Império, memória do amor de uma filha pelo corpo do pai, história de traição a uma ‘verdade’ que morreu com a morte do colonialismo. Um texto parcial, violento, escrito como se escrevem cadernos: com o fantasma da verdade sempre ao lado. Isabela Figueiredo afirma-se escritora, num país onde só proliferam ‘autores’, esses manequins de vender autógrafos.”

Na resenha ao livro, com o título «Uma estátua de culpa», Eduardo Pitta, que lhe dá 4 estrelas, di-lo «uma obra imprescindível para compreender o sentido (ou sem sentido) da nossa presença em África». E conclui: «Há muito pouca gente a escrever como ela».

Quanto à entrevista a Alexandra Prado Coelho, «peça de resistência» dessa edição do Ipsilon, saiu com o título «O colonialismo era o meu pai» e é impossível resumi-la, tal a força que dela emana: a força de quem continua, por outros meios, a escrever o Caderno de Memórias Coloniais. Aqui, por agora, apenas um excerto:

O meu pai foi um mediador entre mim e a realidade. Eu conhecia a realidade através dele e do mundo que ele trazia até mim. Portanto só posso culpar o meu pai. O colonialismo é o meu pai, a discriminação é o meu pai, porque foi ele que eu vi fazer isso.

— extractos retirados deste blog

REVISTA ‘TEMPO’ N.º 36 - L. MARQUES - MOÇAMBIQUE

REVISTA ‘TEMPO’ N.º 36   -  L. MARQUES - MOÇAMBIQUE

@XicoNhoca

REVISTA ‘TEMPO’ N.º 35 - L. MARQUES - MOÇAMBIQUE

REVISTA ‘TEMPO’ N.º  35  -  L. MARQUES - MOÇAMBIQUE

@XicoNhoca

REVISTA ‘TEMPO’ N.º 34 - L. MARQUES - MOÇAMBIQUE

REVISTA ‘TEMPO’ N.º  34  -  L. MARQUES - MOÇAMBIQUE

@XicoNhoca

REVISTA ‘TEMPO’ N.º 33 - L. MARQUES - MOÇAMBIQUE

REVISTA ‘TEMPO’ N.º  33  -  L. MARQUES - MOÇAMBIQUE

@XicoNhoca

Ouça aqui a nova ‘LM Radio’. Lembra-se? Emitia em inglês a partir de L. Marques (Maputo)

Parte da equipa, em 1975, fundaria na África do Sul a Radio 5

Pode escutar aqui

em directo via Internet a nova ‘LM Radio’

“MEMÓRIAS DA LUTA CLANDESTINA” O desabafo de um guerrilheiro

“MEMÓRIAS DA LUTA CLANDESTINA” O desabafo de um guerrilheiro

Semana passada foi fértil em revelações dos combatentes moçambicanos pela liberdade, aqueles que, nos anos 1960, hipotecaram a caminhada que as suas vidas iam tendo para lutarem contra uma outra hipoteca: a do direito à autodeterminação. Os portugueses estavam arrogantemente convictos de que “aqui também é Portugal” –  como escreveram onde é hoje o Conselho Municipal da capital do país –, pelo que, conforme foi explicando a FRELIMO, o movimento de guerrilha que congregava esses combatentes, só ganhariam consciência do seu equívoco aos tiros.
 
Essas revelações saíram em dois livros que dão continuidade à tendência de os veteranos da guerra de libertação de Moçambique escreverem as suas memórias, tendência essa que tem estado a ser visível desde que Jacinto Veloso publicou há poucos anos “Memórias em Voo Rasante”, em que relata a sua experiência de pirata de ar quando fugiu com um avião militar colonial para juntar-se à FRELIMO na Tanzania. As mais recentes descrições da experiência de luta de patriotas moçambicanos saíram sob os títulos “A Vida do Casal Pachinuapa” – livro escrito por Raimundo e Marina Pachinuapa, que se destacaram nas matas por onde distribuíram tiros ao inimigo nas frentes do norte de Moçambique – e “Memórias da Luta Clandestina”, de Matias Mboa, um combatente naquela que foi a quarta frente da guerra contra o colonialismo português, a chamada frente clandestina, mais política do que militar, desenvolvida nas três províncias do sul do país.

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“O Julgamento de Samora” de Severino Ngoenha

“O Julgamento de Samora” de Severino Ngoenha

Princípios do séc. XVII, Veneza, no porto da cidade. Os senhores do Conselho Municipal da cidade estão todos presentes. Seguindo em frente, o amigo de Galileo Galilei, Sagredo e, atrás deste, Virgínia Galilei, a filha de 15 anos, carregando uma caixa de veludo, em cima da qual está a “invenção”, um telescópio de ca. 60 cm, embrulhado num estojo de pele. Galeleo no pódio, preparado para o grande momento. Atrás dele está um pequeno estrado onde o telescópio será, segundos depois, exposto. Vigilante, mais atrás ainda, está o sempre atento Federzoni, o Linsenschleifer (do alemão: “afiador de lentes”). Esta é a descrição do cenário que o dramaturgo marxista alemão e escritor de teatro épico Bertold Brecht faz, na sua obra teatral Galileo Galilei, sobre a cerimónia da entrega de mais uma invenzione deste cientista italiano à Repubblica Veneta.

Na sua intervenção, Galilei começa por dizer que ele, como docente da Universidade de Pádua, não via a sua tarefa como sendo somente a de ensinar, mas também pôr à disposição da sua Repubblica invenções “úteis” que tragam prosperidade para todos e que contribuam para o progresso da ciência. O fabrico do telescópio levara-lhe 17 anos (1592-1610) de “profunda pesquisa”, sublinha ele. Depois do discurso de entrega, o próprio Galelei murmurou para Sagredo, o amigo ao lado: “foi uma perca de tempo”.

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“LM Radio” reiniciou transmissões esta manhã

Em Parceria com a Rádio Moçambique 
 
“LM Radio” reiniciou transmissões esta manhã 
 
Maputo (Canalmoz) - Depois de ter sido mandada encerrar pelo Departamento do Trabalho Ideológico do Bureau Político do Comité Central da FRELIMO, em Outubro de 1975, por ser “elitista”, a estação comercial “LM Radio” reiniciou as suas emissões às 06h00 de hoje. “LM Radio”, abreviatura de “Lourenço Marques Radio” transmite agora sob a designação de “Live Music Radio”, mantendo, no entanto, a mesma designação comercial de “LM Radio”.

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