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Portugal pode financiar ponte Maputo/Catembe

Portugal pode financiar ponte Maputo/Catembe

O Governo português, em parceria com o moçambicano, poderá financiar as obras de construção da ponte que liga a cidade de Maputo ao distrito municipal da Catembe, a estrada que liga Maputo a Ponta d`Ouro, bem como a Vila Olímpica que acomodará os atletas que vão participar nos X Jogos Africanos de 2011, em Maputo.

O anúncio foi feito recentemente pelo Primeiro-Ministro português, José Sócrates, no quadro de uma visita oficial que efectuou a Moçambique. José Sócrates revelou também o interesse do seu país em financiar outros projectos como a construção da central norte na Hidroeléctrica de Cahora Bassa (HCB), localizada na vila de Songo, província de Tete, a expansão da rede nacional de distribuição de energia eléctrica. Portugal propôs-se igualmente a financiar a construção de pequenas centrais eléctricas hídricas e solares, com base nos protocolos e acordos assinados entre os dois governos.

Maputo, Segunda-Feira, 8 de Março de 2010:: Notícias

Noite de horror - Lourenço Marques. 1974

Extraído do blog de Francisco Gomes Amorim

A revolução já tinha acontecido em Portugal. A primeira medida tomada, depois de trancafiados na cadeia os responsáveis da PIDE, incluindo os burocratas que ali trabalhavam, foi anunciar a independência das colônias.
Quando? Como? Isso ninguém sabia, mas como os exemplos anteriores de grande parte das independências em África fizeram correr muito sangue, a preocupação geral era grande.
Os africanos há anos, quase há séculos era o que almejavam, ver-se livres do jugo colonial que nunca aceitaram. Hoje são subjugados poder económico. Mas ninguém gosta de jugo. Não só os africanos como todos aqueles que ali viviam e não podiam trabalhar livremente porque as dificuldades criadas pela metrópole a todos pesavam. A uns mais vergonhosamente, mas a todos, economicamente.
Finalmente chegava a independência. Para isso tinham lutado, e era um direito seu inalienável e histórico. Os brancos que tinham ali vivido toda a sua vida, alguns vindos de três, quatro e mais gerações, achavam-se no mesmo direito à independência, à continuação do seu trabalho, das suas vidas, a não perder o que tinham. À paz.
Mas como ia ser essa independência?
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Visita de Sócrates - Hindus portugueses residentes em Moçambique indignados com Embaixada de Portugal

Maputo (Canalmoz) – A “Embaixada de Portugal Insulta a Comunidade Indiana de Mocambique”. É o título de uma nota de protesto enviada à nossa Redacção por email, nota essa também enviada para endereços email de outros jornais.
A nota começa por referir o assunto versado. “Assunto: Membros Revoltados da Comunidade Indiana em Mocambique contra Embaixada de Portugal em Mocambique”. E logo a seguir lê-se o que passamos a transcrever na íntegra:
“Exmo Ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Dr Luís Filipe Marques Amado; Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Cooperação; Dr João Titterington Gomes Cravinho. Ontem dia 2 de Março, Portugueses residentes em Mocambique da comunidade Hindu levantaram o convite para o Almoço de Recepção com o Presidente José Socrates que se realiza no dia 3 de Março, no Hotel Indy Village de Maputo”.
No final do convite mencionam o tipo de traje a usar para a recepção:
“Traje: Fato Escuro
Vestido Curto
Queremos aproveitar esta oportunidade para contestar este tipo de recomendação às senhoras (VESTIDO CURTO), é um insulto a Comunidade Hindu e Muçulmana de Mocambique, dado que como portugueses a lei portuguesa contempla o respeito pela religião, cultura e convicção politica.
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Chonguiça em documentários sobre diversidade cultural

Chonguiça em documentários sobre diversidade cultural

O conceituado saxofonista Moreira Chonguiça vai ser um dos protagonistas numa série de documentários a ser produzida pela Cine Internacional que aborda diversidade cultural e riquezas dos países africanos. Esta é a segunda etapa das filmagens desta série de vídeos-documentários sobre vários países do Continente Africano, intitulados “Mama África” e que pretendem ser a mostra real da diversidade etno-cultural de África em que as expressões culturais provam que o nosso Continente é rico em culturas promovidas pelos seus povos.

É nesse âmbito que a produtora Cine Internacional inicia na primeira semana de Março gravações de uma série de documentários cinematográficos cujas temáticas corporizam as danças, religiões, quotidiano dos povos cujos países estão envolvidos neste projecto, hábitos e seus costumes, entre outros aspectos que cruzam na interligação cultural dos africanos.

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Saiba porque é que Mário Soares ‘ofereceu’ Moçambique à Frelimo - CONFIDENCIAL

Vasco Rato e Paulo Pinto Mascarenhas  / In Jornal “O Independente” 24 Outubro 1997

AO LONGO das próximas semanas, O Independente irá publicar vários documentos inéditos dos arquivos secretos dos Estados Unidos, da República Democrática Alemã e da União Soviética, sobre os acontecimentos que marcaram a África Austral durante a década de 70. Todos estes papéis foram agora finalmente desclassificados, encontrando-se ao dispor dos investigadores nos National Security Archives, em Washington. Neles se revelam alguns dos aspectos mais dramáticos da história da descolonização portuguesa e das guerras civis que se seguiram nas antigas colónias. Demonstram sobretudo algumas das atitudes assumidas pelos principais protagonistas políticos que, na altura, conduziam a política externa dos seus países.
 

21 de Agosto de 1974

Documento do departamento de Estado norte-americano sobre a descolonização de Moçambique, classificado como “secreto” . Nele se dá conta da opinião de Mário Soares, favorável à entrega imediata da colónia à Frelimo. Sem dar qualquer relevância à possível falta de representatividade do movimento marxista moçambicano.

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“Os ataques do inimigo eram uma constante” (Luís Antunes Ferreira, Guiné 1964-1966)

A Minha Guerra

“Os ataques do inimigo eram uma constante”

Luís Ferreira foi para a guerra rapaz e por lá se fez homem. Escapou ileso no corpo mas não arrumou as memórias. São muitas. Tristes e felizes.

É a bordo do navio ‘Niassa’, à saída de Lisboa, a 8 de Outubro de 1964, que começa a nossa primeira grande aventura. Fomos transportados nos porões sem quaisquer condições, em beliches sem roupa nas camas e a comida era-nos servida no convés em marmitas de campanha. Os banhos eram em casas de banho improvisadas, com a água bem fria. Passaram-se seis dias de viagem.

Éramos rapazes preparados para a desgraça a caminho da Guiné. À chegada a Bissau as péssimas condições mantiveram-se: As nossas cadeiras para a refeição eram o chão e algumas vezes até saltavam pequenos sapos para as marmitas. Daqui fomos para a ilha do Como, bastante conhecida pela célebre ‘Operação Tridente’. Com a nossa chegada rendemos uma companhia que tinha ficado na ilha após ter terminado a operação. Sem quaisquer condições tivemos de viver em abrigos e casernas feitas com troncos de palmeiras e cobertas com chapas. Na ilha não havia água doce. Existia um poço de água salobra com a qual tínhamos de tomar banho com a ajuda de um balde. Lavávamos a roupa numa celha feita de um barril de cem litros, que vinha de Catió nas lanchas. Tínhamos que aproveitar a maré.

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“Tive 98 acções de fogo, quase desarmado” (José Rafael de Almeida, Angola 1965-1967)

A Minha Guerra: Ataques em Angola

“Tive 98 acções de fogo, quase desarmado”

A figura magra não o impediu de ser dado como apto para o serviço militar. Regressou com uma Cruz de Guerra e o título de herói nacional.

Sou apurado para todo o serviço militar com 43,5 quilos de peso, que é o que ainda hoje tenho. Naquele tempo apuravam tudo. Mandam-me para o Hospital da Estrela, fazem-me exames, dão-me uma injecção que me dava vómitos, ligam-me a eléctricos e o médico, que era um major, disse-me: “Sim, senhor, tens aqui qualquer coisa no parietal direito mas nós precisamos é de malucos lá em África”. E assim sou mobilizado, em Agosto de 1963.

Vou para o curso de sargentos milicianos em Tavira, tinha uma nota que não me dava mobilização e venho dar instrução a soldados para Elvas. Estavam lá mais rapazes, milicianos tal como eu, e naquele tempo o Alentejo era de facto muito pobre e os milicianos, como tinham estudos, eram assediados pelas meninas de Elvas. Os da terra não levavam aquilo à paciência. Eu era o único que não tinha lá namorada. Estava para casar. Um dia, já em 1965, estou de ronda à cidade, faltavam–me seis meses para acabar o serviço militar, quando um indivíduo passa por mim e diz “olha mais um filha da p…” Eu, como autoridade que ronda a cidade, dei-lhe voz de prisão. O tipo reage e dá-me um soco na cara. Eu levanto a bota da tropa, que é um bocadinho pesada, e dei-lhe um pontapé nas ‘jóias de família’. Onde eu me fui meter. Era filho da amante do meu comandante. Divisas abaixo, fui mobilizado para Angola, com três meses de casado.

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“Jipes eram blindados com chapa de bidões” (Joaquim Gaspar, Guiné 1962-1964)

A Minha Guerra: Missão no Sul da Guiné

“Jipes eram blindados com chapa de bidões”

Tragédia. Para prevenir os ataques do inimigo colocávamos minas no exterior do aquartelamento. Uma delas explodiu e matou um furriel.

O meu contacto com o serviço militar começou a 19 de Agosto de 1961, data em que dei entrada no Centro de Instrução e Condução Auto, na Figueira da Foz, para tirar a especialidade de condutor. Depois da recruta, passei pela artilharia pesada, onde fiz a escola de cabos e vi morrer o primeiro camarada de armas. Estávamos no alto da Serra da Boa Viagem, num exercício de fogo real, com lançamento de obuses, quando uma munição rebentou à saída do cano. O soldado que estava a municiar o canhão morreu logo. Os outros ficaram feridos.

No final da especialização, em Dezembro de 1961, enviaram-me para o Batalhão de Telegrafistas, em Lisboa. Fui mobilizado para Angola mas, a conselho de um capitão amigo, decidi gozar os 10 dias de férias a que tinha direito antes de ir para o Ultramar e quando me apresentei no quartel já os camaradas tinham partido. Ainda me distribuíram a farda para ir de avião para Luanda mas acabei desmobilizado no mesmo dia. Foi sol de pouca dura. Duas semanas depois, acabei mobilizado para o Batalhão de Caçadores Especiais 356, que já estava na Guiné e tinha falta de pessoal. A partida para Bissau aconteceu a 25 de Fevereiro de 1962, no barco comercial ‘Manuel Alfredo’. Comigo iam mais 12 militares, todos condutores. Chegámos no dia 6 de Março.

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As ligações ETA em Portugal desde 1975 envolviam quartéis - Entrevista-choque ao ‘Granadas’

Em Lisboa foi-me permitido, numa ala hospitalar, há uns seis anos atrás, efectuar esta entrevista ‘choque’ e que, nos meus arquivos, consta apenas como ‘Entrevista ao Granadas’ /  Enfª. / EPM - entrevista realizada entre Domingo, 01 Fevereiro 2004 e 5ª feira, 05 Fevereiro 2004  -  Projecto ‘Pelos Olhos de uma Rata Cega’ / ‘A Jarda não Apita’. O Granadas fala da ETA, de algumas conexões portuguesas, de droga, de morte, e de prisões e de corrupção nas cadeias, não fosse ele um dos detidos portugueses com mais tempo averbado atrás das grades, mais que os 25 anos de cúmulo consentidos por lei e constitucionalmente.   

Paulo Oliveira
- Como é que aconteceu isto pá? Diz-me o teu nome.
 
- ‘Granadas’. Sou o ‘Granadas’, para toda a gente. Nasci no sul de Angola no mês de Maio de ‘59. Saquei o 11º ano. O meu pai era médico aí no sul, no Quando Cubango. Vivi em Silva Porto, também. Em 1975 viemos. E comigo vinha um carregamento de erva e diamantes (…)
 
Quem está à minha frente tem um aspecto bera, estragado e envelhecido demais para a idade, as mãos e o rosto deixam transparecer sinais de doença, velhice precoce, e de abusos sem fim consentidos em 44 anos de vida. Um cabelo já bem cinzento e embranquecido, em constante desalinho, culmina uma face chupada onde se adivinha facilmente a caveira. Os olhos são mortiços, encovados, perdidos, ocasionalmente ganham um brilho ténue nalgum sobressalto do diálogo. Este é o Granadas, ansioso, a enrolar mais um cigarrito de Drum, sem filtro, já deitado e coberto por três cobertores enquanto vai falando e encetamos esta longa entrevista. De tempos a tempos solta mais uma rajada longa de tosse seca.
 
- Ficaste logo na zona de Lisboa?
 
- Sim. Lisboa. Sintra. Mas havia um desenraizamento… Erva, cota-cota, suruma - isso era a malta de Moçambique - liamba… (está outra a vez a falar do espólio que trouxe)… vendia-se despreocupadamente.
 
- És preso logo em ‘76. Como é que sucedeu isso?
 
- Rebentei com o dinheiro todo. Milhares de contos então, que era muito dinheiro. Talvez igual a cem mil contos actuais. Derreti em drogas duras, ácidos, heroa, coca. Tinha que entrar em mais negócios. Comprava, consumia, vendia.   Conheci malta da antiga LUAR e do MRPP. Sete ou oito oficiais, várias patentes, além do meu primo, também oficial. Uma parte do que sucede, um contacto, é proposto por um furriel que é esse meu primo. Tinha o que precisava, do paiol de Santa Margarida. Os outros estavam em várias unidades. O meu primo seria a ligação. Nunca chibei nenhum deles. É então que surge a coisa da ETA…
 
- Como é que foi essa parte da ETA, falaste-me já nisso. Foram o único cliente do vosso grupo?
 
- Foram. Por coincidência numa compra de haxixe, que a ETA lidava com isso. Conheci um deles. Oferece haxe em troca de explosivos. Eu como tinha conhecimentos, aceitei e fui aprofundando essa ligação ao gajo da ETA.
 
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DIGITAIS - VIVER É CADA VEZ MAIS DIFÍCIL NO GRANDE HOTEL DA BEIRA

DIGITAIS - VIVER É CADA VEZ MAIS DIFÍCIL NO GRANDE HOTEL DA BEIRA

Revista Pública, 27 de Dezembro de 2009

@XicoNhoca

Um enredo à John Le Carré nas negociatas com Angola

Um enredo à Le Carré

Em 1994, o Estado angolano mobiliza 150 milhões de dólares (€ 104 milhões) para comprar 49% do Banif. 0 banco é presidido pelo fundador, Horácio Roque, casado com Fátima Roque, professora universitária que durante vários anos foi uma destacada dirigente da UNITA. Este movimento político combateu durante 30 anos o MPLA através de uma sangrenta guerra civil.

Luanda suspeita de que o banco é utilizado para financiar a UNITA. A aquisição de 49% permitir-lhe-ia secar essa fonte de financiamento do inimigo. Contudo, como não queria dar a cara, Angola encarrega três intermediários portugueses de a executar: os advogados Francisco Cruz Martins e Eduardo Capelo de Morais e o tenente-coronel António Figueiredo, presidente do grupo ETE (Empresa de Tráfego e Estiva).

O objectivo é concretizado através de diversas sociedades instaladas em paraísos fiscais e grande parte da compra de acções é feita fora de bolsa, o que permite concluir que foram outros accionistas que venderam. E assim, entre 1994 e 2000 os três intermediários integram os orgãos sociais do Banif, devido ao volume de acções que detêm.

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DIGITAIS - MOZAMBIQUE FROM COLONIALISM TO REVOLUTION, 1900-1982

DIGITAIS - MOZAMBIQUE FROM COLONIALISM TO REVOLUTION, 1900-1982

ALLEN ISAACMAN AND BARBARA ISAACMAN (1983)

@XicoNhoca

DIGITAIS - CABORA BASSA (1975)

DIGITAIS - CABORA BASSA (1975)

KEITH MIDDLEMAS, 1975

@XicoNhoca

“O heli onde eu seguia foi atingido com 26 tiros” (José António, Moçambique 1972-1974)

A Minha Guerra: Comissão na Força Aérea

“O heli onde eu seguia foi atingido com 26 tiros”

Socorro. A nossa missão era deixar as tropas nas zonas de combate e retirar os feridos e os mortos. Estávamos desejosos do fim do conflito.

Fui mobilizado para Moçambique a 2 Março de 1972. Na Beira fiquei a aguardar para onde seria destacado e logo na primeira noite tive de queimar o colchão da camarata: estava cheio de piolhos e fiquei todo picado. Mandaram-me para a Base Aérea 5 (BA5), em Nacala, onde estavam os aviões bombardeiros T6, os Dornier e os Fiat, e depois para o Aeródromo Militar 52 (AM52), em Nampula, onde se encontravam os helicópteros.

Fazíamos as rendições individuais e o único camarada de curso que partiu comigo foi o 1º cabo Mota, que ficou na ferramentaria. Eu fui para a linha da frente, para o destacamento de Mueda, no AM51. Era o pior sítio. Havia um painel pintado com uma caveira enorme que dizia: ‘Bem-vindos a Mueda. Nesta terra trabalha-se, luta-se e morre-se’.

A 13 de Março participei na primeira operação, que consistia no transporte de helicóptero de tropas do Exército para um ataque a uma base da Frelimo, no planalto dos Macondes, em Mueda. Eu era mecânico dos Alouette III, onde seguiam, para além do piloto, mais cinco militares. Nas operações ia sempre um grupo de seis helicópteros. Aproximávamo-nos do solo, mas não chegávamos a aterrar. Os militares saltavam, nós voltávamos ao aeródromo e mais tarde íamos buscá-los.

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“O inimigo causou-nos 44 feridos numa noite” (Alfredo Oliveira, Guiné 1967-1969)

A Minha Guerra: Ataques na Guiné

“O inimigo causou-nos 44 feridos numa noite”

Atribulada. Logo no início da comissão caímos numa emboscada. Seguiram-se outros ataques, mas só fui atingido uma vez por um estilhaço.

Logo a começar, entre Julho e Agosto de 1967, tive uma experiência que me marcou para sempre. Quando íamos levar géneros alimentares a uma outra companhia caímos numa emboscada. Resultado: três feridos graves, que acabaram por morrer mais tarde em Teixeira Pinto. As vítimas não eram da minha companhia mas sim da 2ª. Ainda houve um camarada que desapareceu. Andou perdido durante o dia e a noite, até que adormeceu. Foi encontrado no dia seguinte, a 50 metros do quartel. Mal ele sabia que estava tão perto.

Eu não sofri qualquer ferimento mas fiquei muito assustado e acabei por ir para Bissau, para a consulta externa. E desde aí consegui ficar sempre no quartel, mas isso não me impediu de viver outras experiências traumatizantes. A minha companhia foi destacada para Cacheu a 26 de Janeiro de 1968, e aí é que começou o perigo. Um dia, quando estava a regressar de Bachile, foi atacada durante a noite e teve de recuar. Houve cinco mortos e 14 feridos. Desde essa data, estivemos pouco mais de 20 homens em Cacheu a tomar conta do quartel até ao dia 1 de Fevereiro, quando chegou um reforço feito pelo pelotão que veio de S. Domingos.

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“Tivemos de almoçar com quem nos atacou” (João Simões, Angola 1974-1975)

A Minha Guerra: Independência de Angola

“Tivemos de almoçar com quem nos atacou”

Entrega. Estive no quadrado da morte, mas acabei por viver dias piores em Luanda. Custou-me ter de entregar quartéis e material ao inimigo.

A minha Companhia, formada por 135 homens, rumou a Angola num avião militar. O voo até Luanda demorou 14 horas. Fomos para Grafanil e seguimos depois de comboio até Teixeira de Sousa. Foram dois dias e duas noites de aventura, percorrendo centenas de quilómetros e alimentados a rações de combate, com medo que a composição fosse atacada. Mas não houve incidentes.

De Teixeira de Sousa rumámos em coluna militar até Cazombo, no Leste de Angola, onde estava estacionado o batalhão de que íamos depender. Depois fomos para Caianda, substituir uma companhia que regressou à Metrópole. Caianda faz fronteira com a Zâmbia e era uma zona de infiltração da FNLA. Era o chamado quadrado da morte. Estávamos a 650 quilómetros de Moçambique, 300 de Cazombo e a três mil de Luanda.

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Isabela Figueiredo: “O colonialismo era o meu pai” (entrevista integral, Ipsílon/Público)

Caderno de Memórias Coloniais. Isabela Figueiredo: “O colonialismo era o meu pai”. 24.12.2009 - Alexandra Prado Coelho

Os retornados “tinham um acordo tácito para não falar”. Isabela Figueiredo quebrou esse acordo. “Caderno de Memórias Coloniais” é um dos livros do ano para o Ípsilon

Foi no blog Mundo Perfeito (e agora no Novo Mundo) que os textos de Isabela Figueiredo começaram a aparecer. Escrevia sobre aquilo que durante anos não tivera coragem de enfrentar: a infância em Moçambique, o racismo dos colonos portugueses. E, sobretudo, do pai, essa figura que “trazia o mundo” até ela.

“Caderno de Memórias Coloniais”, editado pela Angelus Novus, é um ajuste de contas com o pai morto. E com muitos retornados vivos. E com os que em Portugal os receberam e os maltrataram não percebendo que eles já tinham sido maltratados. É uma libertação de muita raiva.

Aquilo que conta no seu livro, a violência quotidiana dos brancos sobre os negros em Moçambique - e da forma crua como a conta - é um testemunho raro?

Nunca li nada sobre este assunto, não penso que tenha sido contado antes. Nós, retornados, não falamos disto uns com os outros, por pudor. Eu não tinha com quem falar. Lembro-me do [escritor angolano José Eduardo] Agualusa há 20 anos, depois de eu ter escrito uma coisa muito folclórica, muito suave, sobre Moçambique no “DN Jovem”, me ter dito que eu não tinha contado a verdade. Não lhe disse que achava que ele tinha razão, mas tinha. Eu não estava a contar a verdade, não podia contar a verdade porque havia um pacto de fidelidade com o meu pai. Não podia falar daquelas coisas com o meu pai vivo, sabendo que ele ia ler.

O facto de não pertencer à classe média e média alta da então Lourenço Marques, de ser de uma classe mais baixa, era para si um problema?

A diferença de classes entre portugueses não é uma coisa que me preocupe, é uma coisa que para mim era normal. Eu era a filha do electricista, e gosto dessa ideia. Ouvia o meu pai falar sobre as casas dos senhores da alta, onde ele ia fazer as instalações. O meu pai era um homem pobre, foi para África porque precisava de ganhar dinheiro, estava sempre a dizer-nos que não éramos ricos, éramos remediados. Eu sabia o meu lugar no esquema da sociedade colonial.

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“Colisão em voo matou cinco camaradas” (Fernando Sousa, Moçambique/Angola 1972/74)

A Minha Guerra: Helicópteros em Angola

“Colisão em voo matou cinco camaradas”

Sorte dupla. Fiz duas comissões, mas acabei por assistir ao 25 de Abril quando vim de férias à metrópole. Com isso terei escapado a um acidente.

Parti para Moçambique a 17 de Janeiro de 1972. A minha missão era fazer a manutenção dos aviões. Esta especialidade fazia com que nos dividíssemos e não pertencêssemos a qualquer companhia. A chegada à Base AB7 de Tete marcou-me: o cenário era de guerra. A base era importante, porque dava apoio ao Exército e estava toda vedada. Os T6, aviões de caça a hélice, iam sair em missão para defender Cabora Bassa. Aquelas aeronaves e os Fiat estavam encaixados numa parede de bidões, cheios de areia. Era a sua protecção contra os ataques com bombas e morteiros.

Enquanto lá estive não houve qualquer ataque, mas o mesmo já não posso dizer dos acidentes. Registaram-se duas baixas com um DO27 (um modelo de Dornier). Era um avião de passageiros, de transporte de correio e de alguma carga. Um camarada, com funções iguais às minhas, morreu no avião, com o piloto, num acidente no mato. O meu período de permanência em Tete foi encurtado, porque meti os papéis para o curso de sargentos e vim para a Metrópole frequentá-lo, na Ota, em Setembro de 1972. Tirei depois em Alverca, nas Oficinas Gerais de Material Aeronáutico, um curso de manutenção de helicópteros Alouette III.

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DIGITAIS - PORTUGUESE AFRICA AND THE WEST

DIGITAIS - PORTUGUESE AFRICA AND THE WEST

WIILIAM MINTER (1972)

@XicoNhoca

DIGITAIS - MOZAMBIQUE FRELIMO: MARCELINO DOS SANTOS

DIGITAIS - MOZAMBIQUE FRELIMO: MARCELINO DOS SANTOS

@XicoNhoca

DIGITAIS - DANIEL CHIPENDA

DIGITAIS - DANIEL CHIPENDA

Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA)

@XicoNhoca

Caderno de Memórias Coloniais - por Isabel Figueiredo. Crítica.

Faltava um relato assim, na primeira pessoa. Foi isso que fez Isabela Figueiredo (n. 1963), sem poupar nos detalhes. O seu Caderno de Memórias Coloniais é uma obra imprescindível para compreender o sentido (ou sem sentido) da nossa presença em África. Isabela ainda não tinha 13 anos quando deixou Moçambique. Narrativa mnemónica, portanto. Isenta de nostalgia, vontade de dourar a pílula ou propósito de reescrever a História. Factos, em toda a sua crueza:

«Os brancos iam às pretas. […] As pretas tinham a cona larga e essa era a explicação para parirem como pariam, de borco, todas viradas para o chão, onde quer que fosse, como os animais. A cona era larga. A das brancas não, era estreita, porque as brancas não eram umas cadelas fáceis, porque à cona sagrada das brancas só lá tinha chegado o do marido, e pouco, e com dificuldade, que elas eram muito estreitas, portanto muito sérias, e convinha que umas soubessem isto das outras.» Isabela vivia na Matola. A Matola, oficialmente designada Vila Salazar, era um arrabalde de Lourenço Marques (em 1980 foi integrada na cidade de Maputo). Quando Isabela ali viveu era um sítio de passagem a caminho da fronteira da África do Sul. Foi lá que os massacres de 7 de Setembro de 1974 se fizeram sentir com maior intensidade: «a negralhada perdeu o freio […] chacinou, cega, tudo o que era branco: os machambeiros e família, os gatos, cães, galinhas, periquitos, vacas brancas, e deixaram-nos agonizando sobre a terra, empapando sangue; salvavam-se as galinhas cafreais de pescoço pelado. E os gatos pretos.» Por exemplo, um dos vizinhos, o marido da Conceição, foi todo desmembrado à catanada antes de ser espalhado no milheiral. Isabela tinha 11 anos, mas não esqueceu.

A Matola não tinha o glamour da Maxaquene, da Ponta Vermelha, da Polana e de Sommerschield. A Matola era um reduto lumpen na zona dos sapais. Foi ali que Isabela cresceu, intuindo o desconcerto do mundo.

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Caderno de Memórias Coloniais - livro, por Isabela Figueiredo

Foi nesta quinta-feira,24 de Dezembro de 2009: na capa do Público, uma chamada para a entrevista que Isabela Figueiredo deu a Alexandra Prado Coelho e que saiu na edição desse dia do jornal, no Ipsilon. Na selecção dos melhores livros de 2009, o Caderno de Memórias Coloniais surgia na posição 14 (em 20), escolhido por Gustavo Rubim, nos seguintes termos:

“Sente-se o abalo que este «Caderno» causa no marasmo literário nacional em passagens como esta: «Foder. O meu pai gostava de foder. Eu nunca vi, mas via-se». Relato cru do racismo português em Moçambique no fim do Império, memória do amor de uma filha pelo corpo do pai, história de traição a uma ‘verdade’ que morreu com a morte do colonialismo. Um texto parcial, violento, escrito como se escrevem cadernos: com o fantasma da verdade sempre ao lado. Isabela Figueiredo afirma-se escritora, num país onde só proliferam ‘autores’, esses manequins de vender autógrafos.”

Na resenha ao livro, com o título «Uma estátua de culpa», Eduardo Pitta, que lhe dá 4 estrelas, di-lo «uma obra imprescindível para compreender o sentido (ou sem sentido) da nossa presença em África». E conclui: «Há muito pouca gente a escrever como ela».

Quanto à entrevista a Alexandra Prado Coelho, «peça de resistência» dessa edição do Ipsilon, saiu com o título «O colonialismo era o meu pai» e é impossível resumi-la, tal a força que dela emana: a força de quem continua, por outros meios, a escrever o Caderno de Memórias Coloniais. Aqui, por agora, apenas um excerto:

O meu pai foi um mediador entre mim e a realidade. Eu conhecia a realidade através dele e do mundo que ele trazia até mim. Portanto só posso culpar o meu pai. O colonialismo é o meu pai, a discriminação é o meu pai, porque foi ele que eu vi fazer isso.

— extractos retirados deste blog

O palhaço - a opinião de Mário Crespo, Jornal de Notícias, Portugal

O palhaço
2009-12-14

O palhaço compra empresas de alta tecnologia em Puerto Rico por milhões, vende-as em Marrocos por uma caixa de robalos e fica com o troco. E diz que não fez nada. O palhaço compra acções não cotadas e num ano consegue que rendam 147,5 por cento. E acha bem.

O palhaço escuta as conversas dos outros e diz que está a ser escutado. O palhaço é um mentiroso. O palhaço quer sempre maiorias. Absolutas. O palhaço é absoluto. O palhaço é quem nos faz abster. Ou votar em branco. Ou escrever no boletim de voto que não gostamos de palhaços. O palhaço coloca notícias nos jornais. O palhaço torna-nos descrentes. Um palhaço é igual a outro palhaço. E a outro. E são iguais entre si. O palhaço mete medo. Porque está em todo o lado. E ataca sempre que pode. E ataca sempre que o mandam. Sempre às escondidas. Seja a dar pontapés nas costas de agricultores de milho transgénico seja a desviar as atenções para os ruídos de fundo. Seja a instaurar processos. Seja a arquivar processos. Porque o palhaço é só ruído de fundo. Pagam-lhe para ser isso com fundos públicos. E ele vende-se por isso. Por qualquer preço. O palhaço é cobarde. É um cobarde impiedoso. É sempre desalmado quando espuma ofensas ou quando tapa a cara e ataca agricultores. Depois diz que não fez nada. Ou pede desculpa. O palhaço não tem vergonha. O palhaço está em comissões que tiram conclusões. Depois diz que não concluiu. E esconde-se atrás dos outros vociferando insultos. O palhaço porta-se como um labrego no Parlamento, como um boçal nos conselhos de administração e é grosseiro nas entrevistas. O palhaço está nas escolas a ensinar palhaçadas. E nos tribunais. Também. O palhaço não tem género. Por isso, para ele, o género não conta. Tem o género que o mandam ter. Ou que lhe convém. Por isso pode casar com qualquer género. E fingir que tem género. Ou que não o tem. O palhaço faz mal orçamentos. E depois rectifica-os. E diz que não dá dinheiro para desvarios. E depois dá. Porque o mandaram dar. E o palhaço cumpre. E o palhaço nacionaliza bancos e fica com o dinheiro dos depositantes. Mas deixa depositantes na rua. Sem dinheiro. A fazerem figura de palhaços pobres. O palhaço rouba. Dinheiro público. E quando se vê que roubou, quer que se diga que não roubou. Quer que se finja que não se viu nada.

Depois diz que quem viu o insulta. Porque viu o que não devia ver.

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“MEMÓRIAS DA LUTA CLANDESTINA” O desabafo de um guerrilheiro

“MEMÓRIAS DA LUTA CLANDESTINA” O desabafo de um guerrilheiro

Semana passada foi fértil em revelações dos combatentes moçambicanos pela liberdade, aqueles que, nos anos 1960, hipotecaram a caminhada que as suas vidas iam tendo para lutarem contra uma outra hipoteca: a do direito à autodeterminação. Os portugueses estavam arrogantemente convictos de que “aqui também é Portugal” –  como escreveram onde é hoje o Conselho Municipal da capital do país –, pelo que, conforme foi explicando a FRELIMO, o movimento de guerrilha que congregava esses combatentes, só ganhariam consciência do seu equívoco aos tiros.
 
Essas revelações saíram em dois livros que dão continuidade à tendência de os veteranos da guerra de libertação de Moçambique escreverem as suas memórias, tendência essa que tem estado a ser visível desde que Jacinto Veloso publicou há poucos anos “Memórias em Voo Rasante”, em que relata a sua experiência de pirata de ar quando fugiu com um avião militar colonial para juntar-se à FRELIMO na Tanzania. As mais recentes descrições da experiência de luta de patriotas moçambicanos saíram sob os títulos “A Vida do Casal Pachinuapa” – livro escrito por Raimundo e Marina Pachinuapa, que se destacaram nas matas por onde distribuíram tiros ao inimigo nas frentes do norte de Moçambique – e “Memórias da Luta Clandestina”, de Matias Mboa, um combatente naquela que foi a quarta frente da guerra contra o colonialismo português, a chamada frente clandestina, mais política do que militar, desenvolvida nas três províncias do sul do país.

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“Zeca Afonso acabou com programa de rádio” (Carlos Pimentel, Angola 1970-1972)

A Minha Guerra: Combatente radialista

“Zeca Afonso acabou com programa de rádio”

Chegada. Começámos logo mal porque o pequeno-almoço atrasou. Fomos castigados. Estive numa emissora regional e fiz o baptismo de voo.

O primeiro dia no Campo Militar de Grafanil, para onde foi o Batalhão de Caçadores 2911, começou logo mal. O pequeno-almoço atrasou e, quando o comandante chegou, a formatura não estava pronta para a apresentação. Foi um pé-de-vento enorme. Ficámos duas horas formados ao sol e vários militares desmaiaram. Foi o nosso baptismo. E ainda ficámos proibidos de sair. O nosso comandante, Paços Esmariz, era bom, mas passava-se de vez em quando.

Em 17 de Maio de 1970 arrancámos para a nossa zona de acção: Henrique Carvalho, uma capital do distrito de Lunda. Demorámos dois dias a fazer 1200 quilómetros. Quando chegámos só havia uma estrada alcatroada, mas tinha uma pista de aviação descomunal, com quatro quilómetros. Quando viemos embora, em 1972, já as ruas estavam todas alcatroadas. Eu desempenhava a função de oficial de serviço de material e tinha como missão verificar se estava tudo a correr bem com a manutenção das viaturas.

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“Senti um horrível medo de morrer” (Horácio Nunes Moreno, Angola 1965-1968)

A Minha Guerra: Emboscada em Angola

“Senti um horrível medo de morrer”

Missão. a primeira vez foi muito marcante, pois não tinha qualquer experiência de combate, à semelhança de muitos dos meus camaradas.

Eu nasci em Nova Lisboa (hoje Huambo) e foi aqui que ingressei no serviço militar, a 11 de Março de 1965, tinha 21 anos. A recruta, que terminou a 10 de Julho de 1965, foram quatro longos meses, de grande esforço físico e mental, durante a qual tirei a especialidade de condutor. De seguida, fui destacado para Silva Porto, de onde, após oito dias à espera, segui para Luanda. Fui integrado no Esquadrão de Cavalaria ‘Os Dragões’ e tirei a especialidade de condutor de carros de combate AM Panhard – viaturas blindadas. Quando integrei o esquadrão fiquei com muita curiosidade em saber como era a vida na Metrópole, que não conhecia, porque os meus camaradas recém-chegados me diziam bem.

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“Fui salvo por latas cheias de munições” (José Guedes Ribeiro, Angola 1967-1970)

A Minha Guerra: Sorte em Angola

“Fui salvo por latas cheias de munições”

Combates. Os confrontos eram frequentes. Num deles escapei a um tiro devido à mochila carregada. Mas também houve coisas boas.

Nós éramos ‘Os Cagões’, assim conhecidos pelo aprumo. Cortávamos a barba todos os dias, com excepção de quando andávamos no mato. Mas quando regressávamos ao aquartelamento o capitão mandava-nos logo ‘afeitar’. Chegámos a Angola no navio ‘Vera Cruz’. Estivemos em Grafanil, Luanda, e partimos de seguida para o Alto de Quito.

No acampamento estava quase só o meu destacamento, a companhia que geria a zona de Quibala, e o comando encontrava-se em Benguela. A minha comissão era de 14 meses mas foi prolongada, o que deu tempo para eu ser promovido de furriel a sargento miliciano.

O objectivo da nossa companhia era evitar a introdução dos terroristas no território, através de operações de combate. E houve algumas intensas. Fomos atacados muitas vezes, logo que saíamos do acampamento, por inimigos pendurados de tal forma nas árvores que ninguém os via. A companhia registou dois mortos, vítimas de uma mina, e houve muitos feridos, alguns dos quais ficaram deficientes. Os terroristas já estavam bem equipados, com espingardas e metralhadoras, algumas que nós não possuíamos nem conhecíamos. Os seus ataques obrigaram-nos muitas vezes a recuar para a base: tínhamos tantos feridos que era impossível continuar a avançar no terreno.

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“Não quis reviver dor do adeus à família” (José Santos, Angola 1971-1974)

A Minha Guerra: Último a ir para Angola

“Não quis reviver dor do adeus à família”

Partida. Os meus cinco camaradas gritaram de alegria por já não caberem no navio, mas eu insisti para ir. Evitei ter de me despedir duas vezes.

Estávamos a 14 de Dezembro de 1971. O gigante dos mares ‘Vera Cruz’ foi engolindo todo o batalhão até não poder mais. Sobrámos seis criaturas desprotegidas e tristes, logo após se ter verificado a sobrelotação do barco. “Vocês já não cabem!” – gritou-nos o capitão. “Como só volta a haver transporte no dia 8 de Janeiro, ides todos passar o Natal e o Ano Novo a casa”. Gritaram de alegria os meus cinco camaradas. Eu enfrentei o capitão e disse-lhe: “Encaixe-me num buraco qualquer. Não quero voltar a reviver de novo a dilacerante dor do adeus à família”. E, como estava tudo cheio, escapei à degradante 3ª classe e fui encafuado num camarote de 2ª.

Durante a viagem houve quem chorasse desesperadamente. Eu preferi arquitectar sonhos, ao ritmo da frenética dança dos peixes voadores. Quando chegámos a Luanda, fui enviado para a povoação de Piri, no Norte, algures entre o Caxito e Quibaxe. Na manhã da partida para o mato acenámos um último adeus à belíssima capital do território e, envoltos num espesso e tórrido ar de estufa, rumámos, integrados na coluna militar, ao Norte, a Dange, a Dembos, paredes-meias com a famigerada Pedra Verde. Estrada fora, a fita negra e estreita de alcatrão, praticamente oculta pelas marés alterosas do capim que das bermas fustigava as viaturas, estendia-se à nossa frente em requebros sinuosos e difíceis de trilhar.

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“Um deles ainda vi a dar o último suspiro” (Cid Barata Lima, Moçambique 1966-1968)

A Minha Guerra: Militar-poeta em Moçambique

“Um deles ainda vi a dar o último suspiro”

Ser cozinheiro deu-me uma tropa mais tranquila. Apesar disso ainda assisti à morte de vários camaradas e estive envolvido nalguns combates.

Foi em Moçambique, em 1966, que empunhei armas para lutar em nome da minha Pátria. Segui viagem desde Lisboa no navio ‘Vera Cruz’, onde também viajava o general Ramalho Eanes, na altura capitão e comandante de uma companhia de caçadores. A bordo iam três batalhões, mas mesmo assim tive oportunidade de travar conhecimento com Eanes, que era compadre do capitão que comandava o meu batalhão. Hoje somos vizinhos e bons amigos. Mas a minha guerra começou a 4 de Janeiro de 1964, quando fiz 20 anos e fui dar o nome, como era exigido nessa altura. Cinco meses depois fui à inspecção, em Góis, tendo sido considerado apto para todo o serviço militar.

Assentei praça em 26 de Outubro de 1965, no Regimento de Infantaria 10, em Aveiro. Ali fiz a recruta, em Novembro e Dezembro. Foram dias muito amargos e duros para um jovem que, embora criado na linda aldeia de Carvalhal do Colmeal, já conhecia algumas vilas e muitas aldeias, pois o meu pai negociava em gado e vivíamos da agricultura. Trabalho que eu aprendi a fazer, mas que não pude praticar em Aveiro, onde os dias eram passados a rastejar junto às salinas.

A minha caserna era na primeira companhia, comandada pelo capitão Macedo, um homem rijo. Os mosaicos da caserna eram paralelos pretos, por já ter lá existido uma cavalariça. Só tínhamos dois lençóis e duas mantas para nos protegermos do frio, que era muito e nos deixava a tremer. O banho era outro tremor, por ser de água fria. Passei dois meses mesmo duros.

Em 2 de Janeiro de 1966, dia do meu aniversário, entrei pela primeira vez no Regimento de Infantaria 15, em Tomar. Tirei a especialidade de cozinheiro e quando passei a pronto fui transferido para outra caserna. Dois dias passados soube que estava mobilizado para uma comissão de reforço, com destino a Moçambique.

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DIGITAIS - MOZAMBIQUE: MEMOIRS OF A REVOLUTION

DIGITAIS - MOZAMBIQUE: MEMOIRS OF A REVOLUTION

JOHN PAUL (1975)

PENGUIN AFRICAN LIBRARY

@XicoNhoca

DIGITAIS - WIRIYAMU MY LAI IN MOZAMBIQUE

DIGITAIS - WIRIYAMU MY LAI IN MOZAMBIQUE

ADRIAN ASTINGS (1974)

@XicoNhoca

DIGITAIS - DOSSIER “ANGOLA” (1975)

DIGITAIS - DOSSIER “ANGOLA” (1975)

IDOC INTERNATIONAL

@XicoNhoca

Era uma vez um punhado de homens (João Vaz de Almeida)

Era uma vez um punhado de homens (João Vaz de Almeida)

Amanhã festeja-se o 44º aniversário do início da Luta de Libertação Nacional que, volvida mais de uma década, daria origem à independência de Moçambique. No Chai, um remoto povoado no interior de Cabo Delgado, naquela noite de 25 de Setembro de 1964, um punhado de homens semeou a gesta da independência para colhê-la onze anos mais tarde numa chuvosa noite de Junho com a subida ao mastro da bandeira do Moçambique Independente. Goste-se ou não de quem conduziu a luta, simpatize-se ou não com o partido que tem exercido o poder nestes anos, aprovese ou não a política e a ideologia seguidas, equacione-se ou não a veracidade dos factos ocorridos no Chai naquele dia, mas não se retire mérito e valor àqueles homens que perseguiram, através da sua luta e pondo em risco as suas vidas, um fim: a libertação do país do jugo colonial. Porque esse direito, o de ser livre e de poder escolher o seu destino, deve estar acima de tudo. Porque, como dizia o presidente Samora, ninguém pergunta a um escravo se quer ser livre.

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“Fomos atacados pela nossa aviação” (Manuel Sousa, Guiné 1966-1968)

A Minha Guerra: Alvo errado na Guiné

“Fomos atacados pela nossa aviação”

Ultramar. Fiz duas comissões, na Guiné e em Angola, alistei-me no exército como voluntário e fui militar até me reformar, na Escola de Sargentos.

A minha história é diferente daquela que é contada pela esmagadora maioria dos que estiveram no Ultramar. Eu alistei-me como voluntário no Exército e passei a vida no meio militar. Ainda hoje, reformado, ajudo nas questões administrativas na Liga dos Combatentes. Eu fui um dos 180 homens que partiram no ‘Niassa’, a 30 de Julho de 1966, com destino à Guiné. Desembarcámos em Bissau a 5 de Agosto e seguimos de imediato numa lancha para Catió e depois para a ilha de Como, que tinha um papel de destaque nos símbolos da luta do PAIGC.

Estivemos seis meses na ilha. O meu lema era: ‘Não morrem todos, porque é que me há-de calhar a mim?’ A primeira peripécia aconteceu ao fim de quatro meses, com a nossa própria aviação, que nos avistou e pensou sermos o inimigo. Houve uma descoordenação, não conseguimos contactar os nossos camaradas e fomos bombardeados. Tivemos de fugir para o aquartelamento e, por sorte, ninguém ficou ferido.

As coisas não estavam a correr bem. Não tínhamos água potável na ilha. As lanchas da Marinha abasteciam-nos todos os dias, desde Catió, mas quando não havia maré não podiam cumprir a missão. Tínhamos de poupar. Só tomávamos banho e lavávamos a roupa quando chovia. Ao rio não íamos porque tinha crocodilos. Foi ali que se registaram os primeiros feridos da companhia. Tínhamos armadilhado o caminho até aos bidões de gasolina, junto ao rio, e apenas os condutores sabiam lá chegar. Só que um cão accionou as minas, que feriram cinco militares.

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“Os pés não foram decepados pelo inimigo” (José Cabedo: Goa, Moçambique e Angola 1958-1972)

A Minha Guerra: Emboscada da CCVA 1773

“Os pés não foram decepados pelo inimigo”
 
Enquanto puder, defenderei com tudo o que estiver ao meu alcance o que os meus homens fizeram e como se comportaram em combate.

Cumpri quatro comissões no Ultramar: em Goa, como alferes e tenente, comandante de um pelotão de reconhecimento; em Moçambique, já capitão, no comando da Companhia de Cavalaria 568; em Angola, ainda capitão, comandante da Companhia de Cavalaria 1773; e, por último, já major, como oficial de operações do Batalhão de Cavalaria 3836. Torna-se difícl falar de tudo o que passei durante as minhas comissões. Falarei da ‘minha guerra’, a que vivi com os meus homens. Não falo do que fizeram ou deixaram de fazer as outras unidades.

Esta oportunidade de escrever sobre o que se passou devo aos militares sob o meu comando. Não admito que outros falem por nós. Enquanto puder, defenderei com tudo o que tiver ao meu alcance o que os meus homens fizeram e como se comportaram. Já que alguém resolveu escrever sobre a companhia que comandei (ver depoimento de António Guerreiro, na edição de 27 de Setembro de 2009, “Cortaram tornozelos para roubar as botas”), ainda por cima com mentiras e asneiras, resolvi sair a terreiro – não para salvar a minha honra mas para repor a verdade em defesa dos meus homens.

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“Uma mina matou o meu melhor camarada” (Dinis Frade, Guiné 1967-1969)

A Minha Guerra: Emboscada na Guiné

“Uma mina matou o meu melhor camarada”

Dor. Ela pediu-me mas nunca contei à namorada do Chico a forma horrível como ele morreu, no dia seguinte a termo-nos visto pela última vez.

A maior mágoa que trouxe da guerra no Ultramar foi a morte do meu melhor amigo, o Chico – de nome completo Francisco Pepino Tomás do Coito. Conhecemo-nos na recruta e, sendo ribatejanos, eu de Amiais de Baixo e ele de Alcanhões, criámos uma grande amizade, como se fôssemos irmãos. Quando embarcámos para a Guiné éramos radiotelegrafistas e pertencíamos ao mesmo batalhão mas fomos colocados em companhias diferentes, a 30 quilómetros de distância. Eu fiquei em Farim, no Norte, e ele em Quntina, na fronteira com o Senegal, onde estavam todos os atiradores. Como pertencíamos às Comunicações, falávamos muito durante a noite, quando estávamos no mesmo turno, ao longo dos oito meses de comissão.

A última vez que o vi foi na véspera da sua morte, quando veio ao meu quartel. O Chico escreveu quatro aerogramas para a família e a namorada, e pediu-me que os metesse no correio, uma vez que o avião chegava no dia seguinte. Dormiu na minha cama enquanto estive de serviço e partiu muito cedo, sem se despedir, pedindo apenas ao estafeta que me desse um abraço por ele.

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Frelimo - outros relatos do ‘inferno’. Excertos de um livro a sair em breve

Guebuza encontrava-se naquele Centro de Bagamoyo havia uma semana. Tinha vindo de Moçambique com os seus conterrâneos José Mazuze, Pascoal Nhapule, Francisco Langa, Josina Mutemba (namorada de Filipe Samuel Magaia). Também era frequente a presença de Filipe Samuel Magaia naquele Centro, onde vinha para nos politizar.

Quanto a Filipe Samuel Magaia (1º Comandante de todas as forças da DSD da FRELIMO), foi vítima de uma emboscada por parte das próprias forças, para deixar Josina viúva, para mais tarde desposar Samora Machel e para o mesmo tomar o lugar do mesmo Filipe Magaia.

O comandante de todas as forças da FRELIMO, estava por conseguinte em Kongwa e Filipe Samuel Magaia por ocupar uma posição hierarquicamente superior encontrava-se em Dar-es-Saalam, onde encontrava-se sediada a FRELIMO. Apesar deste distanciamento e tempo como militar da FRELIMO nunca vi estes dois elementos juntos, o que antevia uma certa animosidade entre eles, talvez sublimado pelo facto de um ser da Zambézia (Magaia) e outro de Gaza (Samora).
…………
Samora saía poucas vezes de Kongwa e talvez por esse motivo teve facilidade em manipular os quadros militares até à morte de Magaia, altura em que lhe ficou com a namorada assim como com o Departamento de Defesa, entregando o da Segurança ao amigo Joaquim Chissano, tudo com o consentimento do Dr. Mondlane.
…………
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No contexto da Revolução - ‘na Frelimo era norma fuzilar pessoas’

Entrevista de Mariano Matsinhe ao SAVANA

Por Francisco Carmona e Emídio Beúla / Savana

Mariano Matsinhe (72anos), um dos símbolos da gesta de 25 de Setembro, confessa que não lhe agrada ouvir falar de órgãos de comunicação independentes.

Para a velha guarda da Frelimo melhor se a designação passasse para órgãos independentes da Frelimo. Porque, acredita, dependentes o são de alguma coisa. Mas nem com isso, o homem que abandonou a engenharia civil (cursava o segundo ano) em Portugal para se juntar à Frelimo em 1962, não se coibiu em conversar com o SAVANA por quase uma hora, revivendo um percurso político sempre em reconstrução. Pelo caminho disse, entre outras revelações, que havia uma certa precipitação (necessária?) na tomada de decisões, que os campos de reeducação não foram um erro e que, volvidos quase 45 anos após o início da luta, não se arrepende de nada. Nem dos fuzilamentos,
apesar de reconhecer alguns excessos do SNASP, um órgão do regime e de triste memória. Acompanhe alguns extractos da conversa mantida última sexta-feira em Maputo.

Sr. General, passam 34 anos após a proclamação da independência nacional. Este Setembro comemoramos 45 anos após a insurreição armada e 35 anos dos acordos de Lusaka. Quando olha para trás, que balanço faz deste Moçambique?

Olha, tenho a impressão de que foi tudo correcto. Havia muita agitação, naturalmente, por causa do carácter do colonialismo que tínhamos. E nós éramos jovens. Eu próprio que sou mais velho que muitos líderes da Frelimo tinha 25 anos quando me juntei à Frelimo. Havia uma certa precipitação na tomada de decisões. Mas era necessária. Porque se a gente começasse a pensar nas consequências, as coisas seriam diferentes. Nós tínhamos a vantagem de sermos jovens. Não éramos casados e não tínhamos filhos. Não tínhamos o peso das consequências. A gente pensava como jovens e só queríamos a independência. Outros eram mais velhos, já tinham casado e tinham filhos e diziam o seguinte: vamos combater até ao fim, se ficarmos independentes os nossos filhos vão continuar com a batalha até à independência.
Estávamos preparados para isso, para o sacrifício máximo pela independência de Moçambique.

Quando se junta à Frelimo vinha da UNAMI…

Eu pertencia, assim ligeiramente, à UNAMI. Mas eu fugi de Portugal. Abandonei os estudos. Estava a fazer engenharia civil. Vim cá de férias. Os portugueses pagaram-me férias. Havia muitos outros estudantes de todas as colónias portuguesas. Quando tentei uma saída de Portugal para cá, não consegui. Então aproveitei a vinda para cá e o meu pai vivia na fronteira com o Malawi. Isso era uma grande vantagem para mim e, portanto, foi fácil escapulir para o Malawi e daquele país avançar para a Tanzânia. Mas no Malawi tive que ser da UNAMI para ganhar credibilidade. Porque podiam desconfiar, tendo em conta que vinha de Lisboa. Este episódio deu-se em 1962.

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‘Revelações do Inferno’ em livro polémico sobre a história da Frelimo

FRELIMO – Mais revelações do Inferno. (Excertos do livro a publicar por um ex-comandante de guerrilha da Frelimo) - Ovar, 25 de Outubro de 2009. Álvaro Teixeira (GE)

Transcrito pelo ‘XicoNhoca’ deste blog

Como já é do conhecimento de todos, a morte de Filipe Magaia foi planeada e mandada executar pelo Samora Machel, por dois motivos essenciais, o primeiro de ambição do poder, a fim de ser nomeado pelo Eduardo Mondlane chefe do dispositivo militar e de segurança da Frelimo e o segundo, ficar com a viúva de Filipe Magaia, Josina Muthemba, mais tarde, Josina Machel.

De acordo com vários historiadores, cuja credibilidade nunca foi posta em causa, este foi o primeiro passo dado pelo Samora Machel para a tomada, a prazo, do poder na Frelimo e é, neste fase, que entra a facção marxista-leninista e maoísta desta organização. Havia necessidade de eliminar todos aqueles que se opunham à tomada do poder por esta facção liderada pelo Samora Machel e que tinha, na sua retaguarda, homens como Joaquim Chissano, Marcelino dos Santos, Alberto Chipande, Mariano Matsinhe, Armando Guebuza, Castiano Zumbiri, Sérgio Vieira, Sebastião Mabote, Jacinto Veloso e tantos outros.

Josina Muthemba Machel
O plano ensaiado por esta facção começa com a eliminação do comandante da DSD, Filipe Magaia e acaba com a eliminação do próprio Eduardo Mondlane que tinha dado cobertura a todas a acções empreendidas pela facção liderada pelo Samora Machel, pelo que Eduardo Mondlane veio a ser vítima da sua complacência com a ambição do Samora Machel.

Devo recordar que o Samora Machel, em termos de formação, nunca passou de ajudante de enfermagem e que a sua a sua instrução não passou dos campos de treinos de guerrilha, na Argélia, e, posteriormente, da instrução política e guerrilheira na China maoísta.

Samora Machel (Libertador ou Assassino?)
O assassinato de Filipe Magaia já foi descrito num artigo deste Blog, mas, no entanto, há necessidade de escrever algo mais acerca deste assunto e dar a conhecer a todos mais alguns dos assassinos envolvidos nesta morte que deixou de ser misteriosa. O tiro que, na emboscada, atingiu Filipe Magaia foi disparado pelo seu camarada Lourenço Matola e entre os elementos envolvidos na operação, encontrava-se um tal Lino Ibrahimo que, com a colaboração dos elementos envolvidos no assassinato, transportaram o moribundo Filipe Magaia para a fronteira de Moçambique com a Tanzânia. O Lourenço Matola foi entregue aos militares tanzanianos e desapareceu. Todos os outros foram levados para o campo de Nachingwea, onde, alguns foram fuzilados, de imediato, e outros enviados para bases no interior de Moçambique, onde tiveram a mesma sorte. O tal Lino Ibrahimo foi enviado para a base Beira, em Cabo Delgado, onde foi abatido pelo actual general João Facitele Pelembe, comandante da base, quando procurava abrigo de um ataque aéreo efectuado por aviões T6 das FAP (Força Aérea Portuguesa).

Graça Machel ( e esta senhora não tem nada a dizer?). Afinal, foi esposa de um criminoso.
Samora Machel procurou, por todos os meios, eliminar todas as testemunhas deste acto criminoso, tal como veio a suceder com o assassinato do Eduardo Mondlane com a conivência do presidente tanzaniano, Julius Nyerere.

LISTA DE ELEMENTOS ELIMINADOS PELA FRELIMO
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«Em Portugal não me sinto seguro» - Carlos Contreiras, do Partido Republicano de Angola

1-Nov-2009 - 12:11

 Carlos Contreiras é líder do Partido Republicano de Angola. Pediu asilo a Espanha porque, segundo afirma, o MPLA, partido do presidente José Eduardo dos Santos, tentou matá-lo. Carlos Contreiras nasceu no Bairro Operário, município de Sambizanga, em Luanda, há 43 anos. É doutorado em Ciências Políticas e Económicas pela Universidade de Boston, nos EUA. Jornalista de profissão, fundou o Partido Republicano de Angola, de raiz cristã, que foi legalizado em 1997 pelo Supremo Tribunal de Angola. É casado e tem oito filhos.

 

– Pediu asilo a Espanha. Porque não a Portugal?

Carlos Contreiras – Não temos nada contra o Governo e povo português. Trata-se de uma questão de segurança. O MPLA está muito bem estruturado aqui.

– Está a dizer-me que pediu asilo a Espanha porque não se sente seguro em Portugal?

– Sim. O MPLA actua aqui. As mesmas pessoas que perpetraram o atentado contra mim em Luanda podem estar aqui preparadas para levar a cabo outras acções.

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Não foi só Rosa Coutinho. Angola - Alto-comissário português favoreceu MPLA durante transição para a independência

Maputo (Canalmoz) - Contrariamente ao que se julgava, o Almirante Rosa Coutinho, que após o golpe de 25 de Abril de 1974 em Portugal foi nomeado alto-comissário português em Angola, não foi o único a favorecer o MPLA na tomada do poder pela força em Luanda à revelia do Acordo de Alvor que previa a realização de eleições livres. Leonel Cardoso, que viria a substituir Rosa Coutinho no cargo de alto-comissário português, desempenhou na prática um papel igualmente pernicioso para o futuro do novo Estado independente.

De acordo com Vladimir Shubin, autor do livro, «The Hot Cold War – the USSR in Southern Africa», em Outubro de 1975, cerca de um mês antes da proclamação da independência de Angola, Leonel Cardoso convidou Igor Uvarov, oficial russo que trabalhava sob a capa de correspondente da agência TASS em Luanda, para uma conversa, tendo-lhe confidenciado que “Portugal deparava com um problema: a quem deveria transferir o poder em Angola.”

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Da votação pacifica às batotas que mancham o processo eleitoral

Da votação pacifica às batotas que mancham o processo eleitoral 
 
Maputo (Canalmoz) – De acordo com o boletim do Centro de Integridade Pública (CIP) e dos Parlamentares Europeus para África (AWEPA), ontem duas vezes tornado público (e uma vez esta madrugada), até ao meio da tarde, mantinham-se grandes filas em muitos lugares deixando prever que muitas assembleias de voto não se iria votar.
O boletim da AWEPA que há dias foi atacado pelo trabalho das organizações supramencionadas, pelo director da Agencia de Informação de Moçambique (AIM), Gustavo Mavie, no diário de papel de maior circulação, o Noticias, adiantava que “em outros, incluindo nos centros de Maputo e Beira; Ribaué e Ilha de Moçambique, em Nampula; Macanga, em Tete; e Tambara, em Manica, havia longas filas quando as assembleias de voto abriram, mas a maior parte das pessoas votou de manhã e a meio da tarde não havia mais filas. Este quadro misto é-nos dado pelos nossos 100 jornalistas espalhados pelo país, que reportaram às 15h00”.
Adiantava o CIP e a AWEPA que em Nacala, até por volta das 12 horas de ontem, algumas mesas já não tinham eleitores, sobretudo as da periferia da cidade, enquanto outras mantinham-se apinhadas de gente.
Em geral, quase todas as assembleias de voto tinham aberto normalmente, excepto algumas que ainda têm problemas de cadernos eleitorais.

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História - Livro polémico lançado hoje defende que guerra colonial foi «guerra justa»

A editora A Livros d’ Hoje leva a efeito hoje, Quarta-Feira, pelas 18 horas, em Lisboa, na Academia Militar, uma sessão de lançamento do livro de João José Brandão Ferreira, intitulado «Em Nome da Pátria», o livro terá a apresentação do Prof. Adriano Moreira.
Três décadas após o fim da guerra colonial, Brandão Ferreira questiona no livro Em Nome da Pátria se os portugueses travaram uma «guerra justa» e se tinham o direito de a fazer e conclui que a descolonização «enfraqueceu» o país.

O livro, com quase 600 páginas, é lançado esta quarta-feira, na Academia Militar, em Lisboa, pela Publicações D. Quixote.

No prefácio, o professor universitário Adriano Moreira recorda que «foi o elo militar o definitivamente atingido pela fadiga, e a decisão, do centro do poder que deslizou para as bases, foi a de colocar um ponto final na guerra, logo com o apoio ao regime político mas inevitavelmente com o efeito colateral de colocar um ponto final no conceito estratégico secular».

Para Brandão Ferreira, não é surpreendente que, três décadas depois de terminada a guerra colonial (1961-1975), «a nossa sociedade se encontre completamente dividida em relação àquilo que se passou e à verdadeira interpretação a dar aos complexos acontecimentos então vividos».

No entender do autor, impõe-se «conseguir um conjunto elaborado de conhecimento que permita que a nação portuguesa caminhe para um futuro assente em bases sólidas e verdadeiras e não sobre falsos postulados».

O tenente-coronel piloto-aviador Brandão Ferreira, 56 anos, é um militar de transição entre dois regimes políticos. Estava ainda na Academia Militar quando ocorreu o 25 de Abril de 1974 e seguiu depois para os Estados Unidos. Esteve 27 anos na Força Aérea e foi adido de Defesa na Guiné-Bissau, Senegal e Guiné-Conacri.

Nunca combateu na guerra colonial mas os valores que professa no livro (Pátria, um Portugal do Minho a Timor) são os dessa época. Os seus princípios parecem inabaláveis: «Por aquilo que é secundário, negoceia-se; pelo que é importante, combate-se; pelo que é fundamental, morre-se».

No seu entender, com a descolonização, os portugueses perderam «liberdade estratégica» e ficaram «enfraquecidos e divididos como comunidade».

Apesar de declarar que não pretende impor «uma linha de pensamento único» mas sim reflectir sobre o tema, Brandão Ferreira opina que «Portugal fez uma guerra justa e, além disso, tinha toda a razão do seu lado».

Admite, contudo, que «a guerra é sobretudo uma luta de vontades».

O militar culpa Marcelo Caetano («uma pessoa de bem», com «grandes qualidades intelectuais») de nada ter feito «para contrariar eficazmente» aqueles que então começaram a defender a independência das ex-colónias.

No livro, Brandão Ferreira rejeita Nega que a guerra fosse insustentável, nomeadamente devido ao número de baixas portuguesas: «A verdade é que, por ano, morria mais gente nas estradas de Portugal Continental do que nas três frentes de luta em África», sustenta.

«Será mais digno combater no Afeganistão que no Estado português da Índia? No Líbano que em Angola? Na Bósnia que na Guiné-Bissau? No Kosovo, que em Moçambique? São estes os novos ventos da história?» - pergunta.

Lusa / SOL

Eleições: Moçambique entre Frelimo e a mudança (Abel Coelho de Morais)

Eleições

Moçambique entre Frelimo e a mudança

Quase duas décadas após os acordos de paz de 1992, Moçambique vota hoje para escolher novo Presidente, novo Parlamento e novos representantes do poder a nível provincial. Entre as habituais acusações de fraude e um crescente desencanto entre o eleitorado, estas eleições, que poderão assinalar o fim da bipolarização no país, representam importante desafio, quer para o partido tradicional de oposição quer para a mais recente formação política, com menos de um ano de existência.

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O domínio da língua portuguesa e a literacia e desenvolvimento (Lourenço do Rosário)

O domínio da língua portuguesa e a literacia e desenvolvimento*

Em 2007, no Brasil, os meios de comunicação social daquele País divulgavam com grande alarido os resultados de uma pesquisa  promovida pela OCDE sobre literacia nos países que integram esta organização, incluindo igualmente alguns países  que não faziam parte desse organismo internacional. Estes resultados arrasavam de forma devastadora os únicos Países de Língua Portuguesa avaliados, nomeadamente Portugal e Brasil. A pesquisa em apreço abrangia inquérito sobre leitura, escrita, matemática e ciências. Países como Coréia do Sul, Singapura, Taiwan, Nova Zelândia pugnavam pelos primeiros lugares lado  a lado com Países  considerados do Primeiro Mundo, nomeadamente Canadá, Finlândia, Japão, atirando para o meio da tabela  colossos  económicos como a França, Itália, Alemanha e até os Estados Unidos da América. Estes resultados não diferiam  em muito daqueles  outros  publicados em Dezembro de 2001.

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Moçambique: Vamos todos votar! - exorta Comissão Nacional de Eleições

Vamos todos votar! - exorta Comissão Nacional de Eleições

A Comissão Nacional de Eleições (CNE) exortou ontem aos cerca de nove milhões e seiscentos mil eleitores residentes em território nacional e no estrangeiro no sentido de afluírem em massa aos postos de votação para a escolha do Presidente da República e dos partidos políticos que terão assento na Assembleia da República e nas assembleias provinciais. Numa exortação aos eleitores, o Presidente da Comissão Nacional de Eleições, João Leopoldo da Costa, instou os cidadãos no sentido de exercerem  o seu direito de voto de forma consciente, pacífica e ordeira.

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Marcelino dos Santos considerou afastar Mondlane da Presidência da Frelimo

Marcelino dos Santos considerou afastar Mondlane da Presidência da Frelimo 
 
- revela autor russo em livro recentemente publicado 
 
“Decidimos logo de principio deixar que Mondlane permanecesse na direcção do movimento, e nós iremos trabalhar no seio do movimento e guiar a frente. Mais tarde, se for necessário, será possível substituir Mondlane.” - Marcelino dos Santos “Toda a gente sabe e nós sabemos que o presidente da Frelimo, Eduardo Momdlane, é um americano, mas de momento não existe outro homem em Moçambique que possa liderar a luta e em torno do qual as forças que lutam pela independência possam unir-se… Até agora, Mondlane é o único homem – educado, que tem ligações e influência no estrangeiro. Afinal, ele é um moçambicano negro, não um branco ou mulato como eu. Não devemos esquecer também que Mondlane é capaz de angariar dinheiro. É verdade, segundo dizem, que ele obtém o dinheiro do governo dos Estados Unidos, mas esse dinheiro vai para a luta.”

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Janet Mondlane deve falar com a filha (Canal de Opinião: por Luís Nhachote)

Canal de Opinião: por Luís Nhachote 
 
Janet Mondlane deve falar com a filha 
 
Maputo (Canalmoz) – As declarações de Nyelete Mondlane, em Gurué, na Zambézia, após a passagem de Daviz Simango por aquele distrito, segundo as quais “Quem matou o meu pai foi Uria Simango” merecem um puxão de orelhas pela parte dos seus educadores. E não só: por todas as pessoas de bom senso.
Perene será sempre a infância de todos aqueles que têm, biológica ou em afecto, vínculos com quem (n) os criou.
Por isso é que Janet Mondlane deve falar com a sua filha – é verdade que ela já é adulta, e goza da prerrogativa de responder pelos seus actos, sejam lúcidos ou imbecis – sob pena, da educação que ela recebeu e transmitiu aos filhos, cair sobre no esgoto da hipocrisia.
Assim sendo, Janet articulando com a filha, salvaria os mais incautos de duvidarem do sistema de educação do ensino americano, onde ela (Janet) cresceu e estudou e lá conheceu o Drº. Eduardo Mondlane, com quem constituiu família.

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Cardeal Dom Alexandre afirmou ontem, em Maputo, que Joaquim Chissano, nasceu com a missão de servir e libertar o povo e a Pátria moçambicanos

Chissano nasceu para servir o povo – segundo o Cardeal Dom Alexandre durante a realização de uma missa para celebrar os 70 anos do antigo estadista moçambicano

O Cardeal Dom Alexandre afirmou ontem, em Maputo, que o antigo Presidente da República, Joaquim Chissano, nasceu com a missão de servir e libertar o povo e a Pátria moçambicanos. O Cardeal, que falava durante uma missa na Sé Catedral de Maputo, para celebrar o 70º aniversário natalício de Joaquim Chissano, que ainda ontem se assinalou, caracterizou o antigo estadista como um líder que contribuiu igualmente para que o país granjeasse simpatia internacional  e um indivíduo que “soube dar o exemplo de como construir uma família cristã”.

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