A Dualidade do Ser - poesia, por Jorge Rebelo
A DUALIDADE DO SER
“Ensinar a não calar, a não ter medo, partilhar a emoção de fazer bem, fazer acordar a consciência, impulsionar a Viragem”
Maputo (Canalmoz) – Do ex-combatente da Luta de Libertação nacional, ex-ministro da Informação, ex-Secretário do Trabalho Ideológico do Bureau Político do Partido Frelimo, publicamos a seguir o poema ‘A DUALIDADE DO SER’, a “ensinar a não calar, a não ter medo, partilhar a emoção de fazer bem, fazer acordar a consciência, impulsionar a Viragem”:
A DUALIDADE DO SER
COSTUMO assistir, nunca falto a estas cerimónias (quando me convidam).
A de ontem então foi empolgante:
Muito faustosa, muitas figuras,
ouvimos discursos laudatórios,
patrióticos, exalando saber e rectidão.
Adorei.
Mas outra parte de mim estava distante,
indiferente, alheio a tudo. Queixava-se:
“Vamos embora.
Estes ambientes pomposos incomodam-me,
Fico perdido
perco-me no ar morno dos salões
nos apertos frouxos das mãos
nos sorrisos pré-fabricados,
nunca sei qual a linguagem certa
as vénias que de mim se esperam.
- Ai as vénias! - diz ele. Mal-aventurado
quem as inventou.
Porque, escuta bem: as vénias não são só
a curvatura do corpo.
Também a alma - a tua alma - se curva.”
Não liguei.
EU não arredei pé.
Até ao fim, hirto, solene
bati palmas, entoei loas
orgulhoso por ser parte
da ilustre nomenclatura.
Mas o outro em mim não se conforma.
Zanga-se:
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Pátria amada, viva e altiva escultura africana sementada em terras verdes e formosas. Terra da Frelimo, de Mondlane, Samora , Chissano, Guebuza e de todos os heróis que pla pátria sucumbiram, e na bandeira imortalizados como expoentes de uma Nação em movimento; fontes de inspiração de um amanhã que pontifica, na herança do amor sem margem de uma juventude que se desprende ante sorriso aberto de milhões de crianças. Do Rovuma ao Maputo,terra da democracia em sinfonia com um Parlamento em harmonia pintada em cores multiparditadárias. Moçambique amor pátrio, voz corrente e do passado esgrimando candeias que não apagam, testemunhos do passado, presente futuro e o além futuro.
Por Albino Magaia
O Instituto Camões de Maputo acolhe desde ontem, quarta-feira, uma exposição colectiva de artes plásticas, intitulada Karingana Ua Karingana, em homenagem ao falecido poeta moçambicano José Craveirinha., vencedor do Prémio Camões em 1991.