Convívio dos Naturais e Ex-residentes de Moçambique no Badoca Park
Transcrevemos a informação emitida pela Acrenarmo - Associação Cultural e Recreativa dos Naturais e Ex-Residentes de Moçambique (contacto: acrenarmo@gmail.com).Caros Amigos,
Viagens & Locais. Monsaraz e Alqueva. FOTOS
O XicoNhoca percorreu em Janeiro partes do Alentejo, visitando Monsaraz e o Alqueva, entre outros locais. Deixamos aqui alguns dos ‘postais ilustrados’ e uma das muitas apreciações existentes na net sobre a histórica vila de Monsaraz.
MONSARAZ - UMA VILA RASANDO O CÉU
A vila de Monsaraz, é uma das mais antigas povoações portuguesas. O grande número de monumentos megalíticos, confirma a sua ocupação desde tempos longínquos. Este primitivo castro pré-histórico foi, mais tarde romanizado, e com o decorrer dos tempos, Monsaraz passa para a esfera do dominio do Islão, passando a designar-se de Saris ou Sarish, pertencendo então ao reino de Badajoz, importante foco da cultura árabe.
Em 1167, foi conquistada aos muçulmanos por Geraldo Sem Pavor, numa expedição que partiu de Évora. Em 1173, Monsaraz volta novamente a cair em poder dos almôadas, na sequência da derrota de D. Afonso Henrriques em Badajoz. Só mais tarde, em 1232, D. Sancho II , fará a sua conquista definitiva, doando-a à Ordem do Templo que fica encarregue da sua defesa e repovoamento.
A população era agora constituída por cristãos, moçárabes, árabes e judeus. Em 1263, é já uma importante povoação fortificada e torna-se sede de concelho com a Carta de Foral passada por D. Afonso III.
Entrar em Monsaraz, percorrer as suas ruas estreitas, visitar as suas igrejas, a Cisterna da Vila, os Paços da Audiência com os seus frescos, visitar o seu Castelo, deixar-se invadir pela cultura e pela história deste lugar antigo, é sem dúvida uma experiência que vale bem a pena ser vivida.”
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Viagens & Locais. Alpiarça e os avieiros. Santarém. Fotos
O XicoNhoca foi visitar e fotografar, perto de Alpiarça uma das zonas dos avieiros, hoje quase desaparecidos mas, recorde-se, tão bem retratados, em texto, por Alves Redol, no livro homónimo.
Vimos agora o que resta, as margens desocupadas, e as ruinas de uma das muitas aldeias à beira Tejo.
O texto que abaixo se transcreve, surgiu em artigo recente das Selecções do Readers Digest.
Ainda há avieiros no Tejo - por Mário Costa
“Vindos de Vieira de Leiria à procura de sustento, foram subindo o rio / vivendo nos barcos, até que…”
“…galgaram / as margens. São uma / cultura única / no Mundo. São conhecidos / como os ciganos do rio”.
«Deixa ir assim, vai devagar para a rede não prender. Leva o barco mais para aquele lado; isso, assim está bom.» Quem dita as ordens é Mário João Petinga, de 44 anos, pescador, que, de pé na popa da sua bateira, vai lançando as redes ao Tejo. Aos remos, na proa, Luís Cosme, de 50 anos, manobra com agilidade, respeitando as ordens do «lançador». Os remos entram e saem da água em ritmo compassado e vigoroso, enquanto a pequena embarcação vai descrevendo um arco perfeito, como se traçado por um compasso.
Quando a rede fica toda dentro de água, a bateira imobiliza-se. Resta esperar. Mário João acende um cigarro e deita um olhar demorado ao rio para depois sentenciar: «Aqui não vai dar nada, a fataça vem a cair. Devíamos ter feito o lance mais abaixo.» A fataça a cair significa que vem rápida demais: «Devem ter aberto alguma barragem e o rio leva muita água», explica Luís Cosme.
São os dois pescadores avieiros na aldeia palafita das Caneiras, em Santarém, embora só Mário João viva exclusivamente do que o rio dá.
Mas não são meros pescadores ou homens da borda-d’água. São herdeiros de uma cultura ancestral, única no Mundo, espalhada pelas margens do rio Tejo desde 1850. A história deste povo e destas aldeias perde-se na bruma do tempo, com muito poucos registos escritos. O que se sabe foi sendo transmitido de boca em boca.
Num ponto, todos os historiadores são unânimes: esta gente é oriunda da praia de Vieira de Leiria, na Região Centro – daí o nome de Avieiros, e foi a procura de melhor vida que os levou a procurarem sustento no rio Tejo. No Inverno, quando o mar de Vieira de Leiria se mostrava pouco generoso, famílias inteiras deslocavam-se em campanha até ao Tejo, onde em pequenos barcos pescavam sável, enguia, fataça, lampreia e robalo.
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